55ª Sessão Ordinária - 28/05/2014
O SR. DEPUTADO VALMIR COMIN - Sr. presidente, deputado Padre Pedro Baldissera, senhores deputados, senhoras deputadas. Amigos da TVAL e da nossa Rádio Alesc Digital.
Amigo Cuco, produtor de areia lá do sul, que nos visita. Agradecemos a sua presença neste Parlamento.
Sr. presidente, eu tive o privilégio e a satisfação de, no final de semana passado, junto ao governador do estado e ao presidente da Assembleia, fazer uma incursão a Nova Iorque, numa busca de parceria em uma tecnologia de excelência, deputada Ada Faraco De Luca, v.exa. que já se pronunciou nesta tribuna sobre este tema. Nós, que já temos sido recorrentes desde o primeiro mandato, e eu estou no quarto mandato frente a este Parlamento, temos debatido sobre a utilização do carvão mineral catarinense.
Nós desencadeamos uma bandeira que foi capitaneada pelo presidente Joares Ponticelli, tendo como signatários todos os demais pares e de maneira especial os deputados do sul de Santa Catarina. Uma das três bandeiras, o combate às drogas, o Código Florestal, Código Ambiental, é a defesa do carvão mineral catarinense, em parceria com o estado do Rio Grande do Sul e também o estado do Paraná.
Mas a linha e a vertente buscada foi sempre com o objetivo de gerar energia a partir do carvão. E sempre tivemos um contraponto muito forte pelo prisma das questões ambientais muito severas, apesar de que no mundo todo 42% da matriz energética é o carvão, e aqui no Brasil tão somente 1,6%.
Quando percebemos que a Alemanha, que se posiciona ambientalmente correta, coloca à disposição mais 5.800 megawatts de energia a partir do carvão, chegando a 44% da sua matriz enérgica; a China chega de 80% a 82%; a Polônia 98%, os Estados Unidos mais de 50%, enfim.
Mas tive a oportunidade de visitar ainda em 1985, com o governador Luiz Henrique da Silveira, e o caracterizo como um visionário que impulsionou esse processo, quando visitamos em Saint Petersburgo os laboratórios da Fischer & Tropsch de 1910 produzindo diesel, querosene e graxa, lubrificante a partir do carvão mineral. Isso em 1910, que, aliás, quando se fechou o cerco do Hitler às máquinas, a Alemanha foi tocada e gerida através do combustível a partir do carvão.
Na China, na Alemanha e em tantos países tive a oportunidade, pois o Parlamento me permitiu essa condição, de lá observar os subprodutos que estão agregados à cadeia produtiva do carvão. Por eles terem um carvão de maior excelência, de menor teor de cinza comparado ao nosso, quando lá a cinza chega a 5% e no Brasil a 70% de impurezas.
Eu disse: são nessas impurezas que estão agregados os grandes valores. Mas como não temos tecnologia, fica jogada ao relento com custo altíssimo para o envelopamento, para o depósito adequado de acordo com a legislação, onerando o custo da energia e, consequentemente, o consumidor, que é o contribuinte.
Eu tive o privilégio, deputado Eni Voltolini, de ir à reunião ontem lá em Nova Iorque, e visualizar um tema que já existe em 23 plantas em nível de planeta produzindo nitrato, sulfato de amônia, gerando fertilizante a partir do carvão. Processo esse que dispensa a combustão, a queima porque é injetada a água, a capacitação do hidrogênio e nessa composição da divisão das partículas se busca a uréia. E nós importamos o fertilizante hoje basicamente da Ucrânia, da Rússia, são 30 milhões de toneladas que o Brasil consome e importa.
Essa planta que será destinada a Santa Catarina, vai conseguir suprir 10%. Mas isso desencadeia todo um processo que efetivamente é uma consequência extremamente positiva. Vai virar um campo carboquímico, carbofértil porque se produz o insumo básico, que é o gás e, a partir do gás, pode construir plástico, querosene, gasolina, óleo diesel, gerar energia, distribuir o gás através da integração da SCGás, dando segurança jurídica ao nosso investidor ao nosso catarinense de sermos autossuficientes e a condição de poder exportar.
O Brasil está buscando a sua expansão territorial para a produção agrícola, em que temos o recorde, passamos dos Estados Unidos na produção de grãos. Porém, utilizamos fertilizantes à proporção de 1/3 do que eles utilizam, ou seja, nós podemos potencializar em duas vezes mais a nossa produção com o mesmo território que temos.
Mas evidentemente que não podemos ficar refém como, por exemplo, da Bolívia, do gasbol, como aconteceu agora na Croácia, na Ucrânia, uma planta que gera 6% de fertilizantes no mundo e que as outras 22 não vão ter condições de substituí-la porque lá estão no seu limite total de capacidade de produção. Isso significa dizer que vamos ter aumento de fertilizantes e, consequentemente, no alimento do nosso povo brasileiro.
Isso se estabeleceu por falta de um posicionamento político, de um propósito específico.
Mas esse é um investimento no valor de US$ 2,7 bilhões que vai desencadear a redenção não apenas do sul, mas de Santa Catarina. Essa é a primeira planta da América do Sul e esta vindo pela necessidade premente, urgente de fertilizante para que este país com essa dimensão continental, com solo fértil e um clima temperado, com a tecnologia, possa ser o celeiro na produção de alimentos de todo o planeta.
Por isso, vejo com muita convicção esse assunto. O governador está totalmente empolgado e penso que é chegado esse momento. No próximo dia 5 teremos a primeira audiência com a presidente Dilma, com a vinda dos americanos aqui em Santa Catarina.
Muito obrigado!
(SEM REVISÃO DO ORADOR)