Sessões Plenárias

Pronunciamento

Deputado Nilson Gonçalves

27ª Sessão Extraordinária - 05/11/2014

O SR. DEPUTADO NILSON GONÇALVES - Na verdade, sr. presidente, eu ia pedir um aparte ao deputado Serafim Venzon para tocar neste assunto e falar sobre esta questão.

Estava, hoje, pela manhã, lendo sobre a questão das urnas eletrônicas, que dizem, são invioláveis. Pegaram algumas urnas, aleatoriamente, e levaram para a Universidade Federal de São Paulo para ver se elas são, realmente, invioláveis. Os técnicos fizeram o levantamento e rapidamente desvendaram que a tal urna que era inviolável, pode ser, sim, manipulada. Pode ser, sim!

Tanto é verdade que foram enviadas urnas para a eleição no Paraguai, mas aquele país as devolveu por não acreditar na sua eficiência. Então, preferiram não usar as urnas.

A Alemanha também não quis usar as urnas eletrônicas e lá foi proibido o seu uso por entenderam que podem ser violadas. Nos Estados Unidos, se não estou enganado, é inconstitucional o uso de urna eletrônica. E aí fico me perguntando: nós temos hacker no mundo todo, no Brasil também, que são aqueles elementos que conhecem profundamente de eletrônica, de informática, esses elementos entram em dados confidenciais de agências de informação secreta nos Estados Unidos, na Alemanha. Eles entraram em dados secretos de bancos. Então, esses elementos não iriam descobrir como funciona uma urna eletrônica?

Com certeza absoluta essas urnas não são confiáveis! Não me refiro ao pleito que acabou de acontecer, estou me referindo, de maneira pontual, às urnas. Se houve manipulação ou não, não vem ao caso agora. O que vem ao caso é saber se realmente vale à pena continuar com esse sistema, um sistema que pode ser violado, um sistema que pode causar prejuízo a um candidato.

Tenho depoimentos, no meu Facebook, que recebi de famílias simples, dizendo que os 13 votos foram para uma pessoa, mas na urna não apareceu nenhum voto, e a família votou num determinado candidato e não tinha um voto naquela seção para aquela pessoa. Onde foram parar os votos?

Há vários exemplos no país. Nós temos aqui uma situação de fundamental importância, pois o deputado Dóia Guglielmi está deixando de ser deputado, ele que trabalhou, que participou das eleições e, muito provavelmente, dentro dessa urna que ninguém consegue abrir, está a sua reeleição. O prejuízo do candidato com um mandato é grande. Está deixando de ter um mandato legítimo por conta de uma urna com problemas. Será que são problemas mesmo que tem essa urna? O que tinha nessa urna? Por que não se consegue abrir essa urna? Por que não conseguem contar os votos dentro dessa urna? Que segredo é esse? Assim vamos Brasil afora. Quantas urnas no Brasil tiveram que ser substituídas e, por isso, as pessoas tiveram que votar no papel?

Então, se esse sistema fosse confiável, a Alemanha, a França, a Inglaterra e os Estados Unidos, países superdesenvolvidos, já estariam usando há muito tempo. E tem país, inclusive, que considera inconstitucional o uso da urna eletrônica. Até o nosso Paraguai não quis as urnas. E nós continuamos acreditando que as nossas urnas são ótimas. E aí eu pergunto: e quem me garante que meu voto vai para o mesmo candidato da foto? Enfim, é uma máquina que se prega ser extremamente desenvolvida, inviolável, mas que já provaram que ela não é inviolável, pois a própria Universidade Federal de São Paulo abriu.

Então, é um caso a se pensar. Eu fico, então, torcendo para que o meu amigo Dóia Guglielmi volte para esta Casa e se faça Justiça, porque é uma injustiça esse rapaz ficar fora da Assembleia por causa de uma urna apenas.

Muito obrigado!

(SEM REVISÃO DO ORADOR)