83ª Sessão Ordinária - 17/10/2006
A SRA. DEPUTADA ANA PAULA LIMA - Sr. presidente, srs. deputados, funcionários desta Casa, público que nos acompanha através da TVAL e da Rádio Digital, dando continuidade ao assunto que o deputado Dionei Walter da Silva estava falando, vou ler um artigo publicado no Conversa Fiada, da página do jornalista Paulo Henrique Amorim, que diz o seguinte:
(Passa a ler)
"O 1° golpe de estado já houve. E o 2°? - Por Paulo Henrique Amorim
Um golpe de estado levou a eleição para o segundo turno. É o que demonstra de forma irrefutável a reportagem de capa da revista CartaCapital" que foi apresentada aqui "que está nas bancas ('A trama que levou ao segundo turno'), de Raimundo Rodrigues Pereira. E merecia um subtítulo: 'A radiografia da imprensa brasileira.'
Fica ali demonstrado:
1) As equipes de campanha de Geraldo Alckmin e de José Serra chegaram ao prédio da Polícia Federal, em São Paulo, antes dos presos Valdebran Padilha e Gedimar Passos;
2) O delegado Edmilson Bruno tirou fotos do dinheiro de forma ilegal e as distribuiu a jornalistas da Folha de S.Paulo, Estado de S.Paulo, do jornal O Globo e da rádio Jovem Pan;
3) O delegado Bruno contou com a cumplicidade dos jornalistas para fazer de conta que as fotos tinham sido roubadas dele;
4) O delegado Bruno procurou um repórter do Jornal Nacional para entregar as fotos: 'Tem de sair à noite na tevê, tem de sair no Jornal Nacional';
5) Toda a conversa do delegado com os jornalistas foi gravada;
6) Na edição do dia 29, dois dias antes da eleição, dia em que caiu o avião da Gol e morreram 154 pessoas, o Jornal Nacional omitiu a informação e se dedicou à cobertura da foto do dinheiro;
7) Ali Kamel, 'uma espécie de guardião da doutrina da fé' da Globo, segundo a reportagem, recebeu a fita de áudio e disse: 'Não nos interessa ter essa fita. Para todos os efeitos não a temos', diz Kamel, segundo a reportagem;
8) A Globo omitiu a informação sobre a origem da questão: 70% das 891 ambulâncias comercializadas pelos Vedoin foram compradas por José Serra e seu homem de confiança, e sucessor no Ministério da Saúde, Barjas Negri;
9) A Globo jamais exibiu a foto ou o vídeo em que aparece José Serra, em Cuiabá, numa cerimônia de entrega das ambulâncias com a fina flor das sanguessugas;
10) A imprensa omitiu a informação de que o Procurador da República Mário Lúcio Avelar é o mesmo do 'caso Lunus', que detonou a candidatura Roseana Sarney em 2002, para beneficiar José Serra. (A Justiça, depois, absolveu Roseana Sarney de qualquer crime eleitoral. Mas a campanha já tinha morrido.)
11) Que o procurador é o mesmo que mandou prender um diretor do Ibama que depois foi solto e ele, o procurador, admitiu que não deveria ter mandado prender;
12) Que o procurador Avelar mandou prender os suspeitos do caso do dossiê em plena vigência da lei eleitoral, que só deixa prender em flagrante de delito;
13) Que o procurador Avelar declarou: 'Veja bem, estamos falando de um partido político (o PT) que tem o comando do país. Não tem mais nada. Só o país. Pode sair de onde o dinheiro?'
14) A reportagem de Raimundo Rodrigues Pereira conclui: 'Os petistas já foram presos, agora trata-se de achar os crimes que possam ter cometido.'"
Primeiro prenderam, agora estão procurando os crimes.
"Na mesma edição da revista CartaCapital, ao analisar uma pesquisa da Vox Populi, que Lula tem 55%, contra 45% de Alckmin, Maurício Dias, diz: '... dois fatos tiraram Lula do curso da vitória (no primeiro turno). O escândalo provocado por petistas envolvidos na compra do dossiê da família Vedoin... E secundariamente o debate promovido pela TV Globo ao qual o presidente não compareceu.'
Quer dizer: o golpe da direita funcionou. 'O Lula não venceu no primeiro turno, mas certamente vencerá no segundo turno'.
Mino Carta, o diretor de redação da CartaCapital, diz em seu blog que houve uma reedição do golpe de 89, dado com a mão de gato da Globo, para beneficiar Collor contra Lula. 'A trama atual tem sabor igual, é mais sutil, porém. Mais velhaca,' diz Mino.
Permito-me acrescentar outro exemplo.
Em 1982, no Rio, quase tomaram a eleição para governador de Leonel Brizola. Os militares, o SNI, e a Polícia Federal (como o delegado Bruno, agora, em 2006) escolheram uma empresa de computador para tirar votos de Brizola e dar ao candidato dos militares, Wellington Moreira Franco. O golpe era quase perfeito, porque contava também com a cumplicidade de parte da Justiça Eleitoral e, com quem mais? Quem mais?
O golpe contava com as Organizações Globo (tevê, rádio e jornal, como agora) que coonestaram o resultado fraudulento e preparam a opinião pública para a fraude gigantesca.
Que só não aconteceu, porque Brizola 'ganhou a eleição duas vezes: na lei e na marra', como, modestamente, escrevi no livro 'Plim-Plim - A Peleja de Brizola contra a fraude eleitoral', editora Conrad, em companhia da jornalista Maria Helena Passos.
Está tudo pronto, para o segundo golpe.
O procurador Avelar está lá.
Quantos outros delegados Bruno há lá na Polícia Federal (de São Paulo, de São Paulo!).
A urna eletrônica no Brasil é um convite à fraude," como aconteceu numa denúncia do TRE de Rondônia. "Depende da vontade do programador. Não tem a contra-prova física do eleitor. Brizola aprendeu a amarga lição de 82 e passou o resto da vida a se perguntar: 'Cadê o papelzinho?', que permite a recontagem do voto?
E se for tudo parar na Justiça Eleitoral? O presidente do TSE, o ministro Marco Aurélio Mello, já deixou luminosamente claro, nas centenas de entrevistas semanais que concede a quem bater à sua porta, que é a favor da candidatura Alckmin.
E o segundo golpe? Está a caminho. As peruas da GW já saíram da garagem." [sic]
Então, sr. presidente, como diz o nosso jornalista Paulo Henrique Amorim, em sua página na internet, Conversa Cruzada, que o primeiro golpe já foi feito e que estão preparando tudo para o segundo golpe.
Mas o que o povo pergunta a respeito do dossiê? Não é de onde vem o dinheiro. O que está escrito nesse dossiê, sr. presidente, que eles têm tanto medo?! Será que é a foto do José Serra entregando as ambulâncias, que 70% das ambulâncias foram compradas quando ele era ministro da Saúde? Será que é isso? Porque a cama foi armada e, infelizmente, alguns se deitaram. Ela foi armada para que o presidente Lula não ganhasse as eleições no primeiro turno. Mas o povo está ciente; o povo está comendo; o povo tem emprego; o povo está verificando a diferença de ser governado, a diferença de o Brasil ser governado por um operário presidente que já sentiu na pele o que o povo sente; o Lula tem o carisma do povo, pois ele sabe da sua necessidade.
Nós não vamos admitir, sr. presidente e srs. deputados, o segundo golpe que está por vir. Para isso temos que estar bem atentos e bem informados.
Infelizmente, a nossa imprensa, principalmente da Rede Globo, não fala a verdade, omite a verdade e as pessoas não têm acesso a essa verdade.
Por isso que não vai haver, sr. presidente, sessões na semana que vem nesta Casa. Mas esta tribuna foi feita para esclarecermos os fatos e para dizermos as verdades. Então, estarei sempre aqui durante o resto do ano em que se encerra o meu primeiro mandato, como também no meu segundo mandato. Porque esta tribuna foi feita para que esclarecêssemos a população catarinense. Não vamos deixar que aconteça o segundo golpe, como aconteceu no primeiro turno das eleições.
Muito obrigada!
(SEM REVISÃO DA ORADORA)