82ª Sessão Ordinária - 11/10/2006
O SR. DEPUTADO DIONEI WALTER DA SILVA - Sr. presidente, sras. deputadas, srs. deputados e cidadãos que nos acompanham, quero, inicialmente, cumprimentar o deputado Sérgio Godinho pela sua decisão de apoiar o presidente Lula, numa demonstração de coerência com o seu partido em nível nacional. O PSB é um grande aliado do governo federal e nesses tempos de tantas trairagens, de falta de fidelidade partidária, nesse aspecto quero cumprimentar o deputado Sérgio Godinho.
Quero dizer também que nós acompanhamos, desta tribuna e de outras tribunas pelo país afora, muita gente lendo, mostrando e trazendo a revista Veja, quando ela é desfavorável ao governo federal.
E eu, então, gostaria de trazer aqui a revista IstoÉ, de 20 de setembro, já não é desta semana - e até esperava que um outro deputado talvez trouxesse esse tema para a tribuna - cuja capa diz:
(Passa a ler)
"Os Vedoin acusam Serra. 'Quando Serra era ministro, foi o melhor período para nós'. Os donos da Planam, Darci Vedoin e seu filho Antônio, que pilotaram a máfia das ambulâncias, denunciam o envolvimento do ministro da Saúde, governador eleito de São Paulo, José Serra."[sic]
Deputado Sérgio Godinho, nós não vemos isso estampado na imprensa, nas discussões dos afoitos por investigação, querendo saber se isso é verdadeiro ou não.
Na página central diz:
(Continua lendo)
"Na época do Serra era mais fácil, a confiança de pagamento era tão grande, que entregávamos os carros antes da liberação do dinheiro."[sic]
"Liberações em 2002
Das 891 ambulâncias comercializadas pela Planam entre 2000 e 2004, 681, ou 70% do total, tiveram verbas liberadas até 2002, dentro do período de gestão de Serra e Barjas Negri."[sic]
Barjas Negri foi o sucessor de Serra.
E no corpo da matéria pode-se ler o seguinte:
(Passa a ler)
"As relações de Serra e Barjas Negri são estreitas. O atual prefeito de Piracicaba tem enorme trânsito junto à cúpula tucana. Esteve com Serra no ministério do Planejamento, foi secretário executivo do ministério da Saúde, ministro da Saúde e, antes de se eleger prefeito de Piracicaba, em 2004, ocupou o cargo de secretário de Habitação do estado de São Paulo, do governador e hoje candidato Geraldo Alckmin."[sic]
Num dos trechos da entrevista a revista pergunta:
(Continua lendo)
"IstoÉ - Os senhores estiveram reunidos pessoalmente com o ex-ministro José Serra alguma vez?
Darci - No ano de 2001 estivemos com ele em dois eventos no Mato Grosso. Um na capital e outro em Sinop.
IstoÉ - É natural e até dever de um ministro da Saúde participar de eventos para a entrega de ambulâncias. O ministro sabia que nos bastidores daqueles eventos havia esquema de propinas?
Luiz Antônio - Era nítido a todos.
Darci - Posso te afirmar que as emendas quando eram destinadas para esses eventos saíam ainda mais rápido.
IstoÉ - Como o Abel entrou nesse esquema?
Darci - Foi no final de 2002. Eles haviam perdido a eleição e, em nome do ministro, o Abel nos procurou. Eu fui a São Paulo, conversei com ele no aeroporto e ele pediu um valor para poder liberar uma série de recursos. Queria 10% de tudo o que eu viesse a receber. Acabamos negociando e fechamos a 6,5%. No mesmo dia ele perguntou quais os estados que eu queira que ele liberasse. Respondi que seria o Mato Grosso e Alagoas. Três dias depois o dinheiro estava na conta das prefeituras.
IstoÉ - Quanto isso representou em reais?
Darci - O compromisso é que ele liberaria o que fosse entrando. E tudo o que nós pedimos foi liberado. Quando o dinheiro saía do ministério e antes de chegar às prefeituras nós fazíamos os depósitos nas contas indicadas pelo Abel. Essa é a documentação que entregamos agora à CPI e à Justiça.
IstoÉ - O Abel se encontrava com os senhores para indicar para quem e em qual conta deveriam ser feitos os depósitos?
Darci - No final de 2002, nós ficávamos juntos em Brasília. Ele ia ao ministério, liberava o recurso e passava para mim dizendo o que era para ser feito.
IstoÉ - O Abel dizia qual seria o destino do dinheiro?
Luiz Antônio - Falava que era para o ministro."[sic]
Eu acho que temos que investigar tudo. A Polícia Federal tem que investigar, sim, o governo federal, mas temos que investigar desde o começo, deputado Pedro Baldissera. Se para acusar o ministro da Saúde, Humberto Costa, serve a palavra dos Vedoin estampada numa revista, por que não serve contra Serra, contra Barjas Negri?
São dois pesos e duas medidas! E é o que falei anteriormente: partidos que apontam o dedo, deputada Ana Paula, apenas quando são atos feitos por um adversário, mas quando é um correligionário, quando é um aliado, aí é pluminha, vamos abafar, vamos jogar para debaixo do tapete, como fizeram nos oito anos do governo Fernando Henrique Cardoso.
Eu já recuperei e trarei na próxima semana as capas da revista Veja - já que gostam dessa revista - que trazem os escândalos do governo Fernando Henrique Cardoso. E todos eles, deputado Pedro Baldissera, sem exceção, foram para debaixo do tapete. Nenhuma CPI foi instalada, porque o governo não deixou, a Polícia Federal não investigou, o procurador-geral da República, apelidado de engavetador-geral da República, nenhuma denúncia fez.
Trarei na próxima semana todas as capas! E se a Veja é tão verdadeira como dizem hoje, por que não era na época? Será que a revista mudou ou mudaram as pessoas e o senso de acusação, que quando é para adversários vale e quando é para aliados não vale.
Muito obrigado!
(SEM REVISÃO DO ORADOR)