54ª Sessão Ordinária - 11/08/2005
O SR. DEPUTADO FRANCISCO KÜSTER - Sr. Presidente, srs. Deputados, conterrâneos que nos acompanham pela TVAL e os que nos acompanham com suas presenças nesta Casa.
Quero, nesta manhã, Sr. Presidente, fazer uma breve reflexão sobre a fartura de dinheiro do seu Valério. A fartura de dinheiro do "valerioduto".
Os micro e os pequenos empresários sofrem - e como sofrem - para manter seus negócios, suas atividades e para buscar algum recurso, para acessar algum tipo de crédito. São muitas as dificuldades, é grande a burocracia e alto o custo do dinheiro. Exercem suas atividades com tamanha dificuldade, produzindo, vendendo e ainda encarando a inadimplência dos seus clientes.
Essa é a realidade que assola as pessoas que ousam ter alguma atividade econômica, seja um micro, um pequeno negócio ou até mesmo uma empresa média ou grande - por que não falar das empresas grandes? Com que dificuldade, Deputado Antônio Ceron, essas empresas lutam e essas pessoas enfrentam o seu dia-a-dia!
Pois bem, o seu Valério não produz um pãozinho, não vende um cafezinho, mas movimenta bilhões. De onde vem esse dinheiro? Até agora tentaram descobrir os receptadores - a quadrilha é muito grande -, eles estão indo à caça dos receptadores, estão indo a fundo para descobrir a origem do dinheiro desse cidadão, desse mafioso, mas por enquanto eu não vi encontrarem nada. São bilhões de reais, e que facilidade!
Ontem, dizia-me um cidadão: "Deputado Francisco Küster, eu fui sacar R$ 10 mil no banco e eles disseram que eu teria que avisar hoje para sacar amanhã, porque não há dinheiro disponível"! Então, para sacar R$ 10 mil tem que provisionar, mas o Valério e sua quadrilha sacavam milhões e milhões de reais.
Banco Central, o que é que vocês estão fazendo?! Será que o Henrique Pizolato - e aí quero tomar cuidado para não confundir alhos com bugalhos - não fazia parte dessa quadrilha? Porque agora, recentemente, tivemos o exemplo cinematográfico de um assalto a banco, com um túnel de 80 metros! Coisa de cinema, coisa espetacular! Será que não há alguma coisa com a Casa da Moeda? Será que não há a origem de quase R$ 1 bilhão? Isto causa perplexidade.
Os bandidos do banco Rural, Deputado Antônio Carlos Vieira, fraudando documentos, afrontando a legalidade e a moralidade ética! Já era tempo de intervir nesse banco. Que barbaridade, que bandalheira. São muito debochados. Esses bandidos acham que, com a cassação de alguns políticos, o povo esquece que eles existiram. É preciso cassar alguns políticos. É verdade. É preciso fazer uma limpeza no Congresso Nacional, cassar alguns políticos.
É fundamental que o banco Central determine intervenção imediata no banco Rural para que esses bandidos parem de fraudar documentação. E é também fundamental que a Polícia Federal não esmoreça. Lamento que a OAB tenha agido para dar uma freada nas ações da Polícia Federal. Havia alguns excessos, é verdade, mas a Polícia Federal não pode esmorecer e nem o Ministério Público. Precisamos saber a origem dessa fartura de dinheiro do Marcos Valério. Como é que essas coisas acontecem? Parece que tem um Brasil aí que ainda não conhecemos, o Brasil da fartura de dinheiro, do dinheiro fácil, do dinheiro em abundância, Deputado Gelson Sorgato. São bilhões de reais sacados em grandes quantidades.
Agora, quero fazer uma provocação respeitosa, mas é uma provocação à Justiça, pois a Suprema Corte brasileira está blindando mentirosos, dando liminares para que bandido vá à CPI mentir. Meu Deus, o que estão querendo fazer com este Brasil?! O povo parece indiferente, mas não está indiferente, não! Queremos, Deus, a santa indignação do povo com essa bandidagem que está por aí.
Quero, sr. Presidente e srs. Deputados, ver o desfecho de todo esse processo com a punição dos culpados, mas não apenas isso, com o fortalecimento das instituições, cada qual fazendo a sua lição de casa: a Suprema Corte não blindando mais bandido mentiroso, a Polícia Federal agindo sem intimidação, de igual forma, o Ministério Público, e, aí sim, vamos blindar a democracia, Deputado Antônio Carlos Vieira.
O Sr. Deputado Antônio Carlos Vieira - V.Exa. me concede um aparte?
O SR. DEPUTADO FRANCISCO KÜSTER - Pois não!
O Sr. Deputado Antônio Carlos Vieira - Deputado, V.Exa. se esqueceu de um detalhezinho com relação à Justiça. A Justiça blindou, sim, os homens e não blindou a única mulher que pediu habeas corpus, que foi a esposa do Marcos Valério. A esposa do Marcos Valério pediu, solicitou, mas foi negado o habeas corpus a ela. Em compensação, todos os homens ligados a essa confusão, que pediram à Justiça Federal, conseguiram. É interessante isso: a discriminação com a mulher até no julgamento daqueles homens de preto.
O SR. DEPUTADO FRANCISCO KÚSTER - Agradeço a V.Exa. pelo aparte e quero dizer que até nesse episódio, até nisso a mulher é discriminada.
Mas dando continuidade, sr. Presidente, parece-me que o Congresso Nacional se apressa em fazer a reforma política. Pode ser que agora comece a acontecer alguma coisa, fruto de um mínimo de bom senso naquela Casa. Eu estava vendo a proposta que está tramitando e parece-me um tanto quanto tímida. Já é alguma coisa, mas é preciso que não fique apenas no alarde, ou seja, alardeiam o que vão fazer e não fazem absolutamente nada.
É preciso uma reforma política para coibir a gastança das campanhas eleitorais, essa pouca- vergonha chamada horário político gratuito, com produções cinematográficas caríssimas. E aí entra a influência do poder econômico, é o poder econômico bancando os mandatos. Vamos banir essa influência nefasta, o custo milionário das campanhas políticas eleitorais. Mas mais uma vez uma salutar provocação, agora à Justiça Eleitoral: as hipócritas prestações de contas de alguns candidatos que sabidamente gastaram cem vezes mais e apresentaram ridículas prestações de contas.
É preciso que a Justiça Eleitoral se aparelhe para atuar no processo político-eleitoral coibindo as práticas ilegais. Mas são necessárias leis sérias, leis que não dêem margem a interpretações dúbias. Por isso o Brasil precisa avançar.
Mas nós precisamos descobrir, retomando o início do meu pronunciamento, a origem de tanto dinheiro do Marcos Valério, a facilidade desse traficante de dinheiro e o assédio dos receptadores do dinheiro, essas quadrilhas interagindo entre si, que ficam assaltando o Brasil e os brasileiros.
De que forma estão assistindo a isso tudo os micro, pequenos e médios empresários? Eu acho que nós precisamos travar esse debate. Eu não ouso apontar o dedo ao Partido dos Trabalhadores que está sofrendo, em absoluto. Imagino o que está sofrendo, mas nós precisamos fazer desse vinagre, desse azedume, desse limão, uma limonada. Nós precisamos passar a limpo a história deste País, dotando o Brasil de leis sérias, fazendo funcionar com decência a Suprema Corte, o Judiciário, o Ministério Público e a Polícia Federal.
Muito obrigado!
(SEM REVISÃO DO ORADOR)