31ª Sessão Ordinária - 11/05/2005
O SR. DEPUTADO NILSON GONÇALVES - Sr. Presidente e Srs. Deputados, tem certos dias em que o nosso estado de espírito não está lá essas coisas, principalmente pelas circunstâncias que a vida nos impõe.
Num dia desses, estava tentando alugar uma casa boa, dentro das nossas condições, para o nosso escritório regional, em Joinville. E não teve nenhum problema, a casa já estava praticamente alugada e o contrato devidamente sacramentado, faltando apenas e tão-somente a assinatura do proprietário. Mas quando o proprietário foi assinar o contrato, reclamou dizendo que para político não alugaria a casa. Daí o pessoal da imobiliária tentou ponderar com o cidadão, dizendo que se tratava do Nilson Gonçalves, que ele conhecia bem. Mas não adiantou: "Pode ser Jesus Cristo, mas caso se meta na vida pública, eu não rezo mais para ele"!
Estou falando isso porque o conceito do político neste País, hoje, está muito abaixo daquilo que se imagina. Procurei muito e encontrei uma outra casa para colocar o nosso escritório regional em Joinville, e aí as coisas se inverteram: "Diz para o Nilson Gonçalves que não precisa nem de avalista! Eu o conheço e fico muito satisfeito que seja ele, porque sei que ele não é político, apenas está político"! Quer dizer, houve uma outra reação, mas também idêntica à anterior, só que ele me conhecia bem e sabia como sou. Aquele cidadão disse que eu não era político, mas, se no conceito dele eu fosse, também não teria a casa alugada.
Isto demonstra, Srs. Deputados, que os senhores que estão do lado de cá estão sendo olhados pelos do lado de lá com ar de desconfiança, com ar de descrédito, porque a classe política construiu e consolidou esta imagem para si mesma, através de um Presidente da Câmara Federal que hoje virou a estrela máxima neste País, já que é um homem que não mede as conseqüências do que diz, fala o que tem vontade, não se importando com a opinião pública, e que está fazendo o seu trabalho como se não existisse a opinião pública e, muito menos, eleição no próximo ano.
De certa forma, Sr. Presidente, isso deixa-nos até sem graça e num dia como este, fico até me questionando por que vou tentar mais uma vez a reeleição, por que não vou embora, por que não vou cuidar da minha vida, fazer as coisas que tenho que fazer e cuidar da minha família e do meu trabalho sem ter uma espada na ponta da minha cabeça o tempo inteiro.
Ser político, hoje, é o mesmo que ter uma espada apontada na nuca! Um político tem que fazer o seu Imposto de Renda melhor do que todo mundo e o mais detalhado possível! O Contador que administra a microempresa dele tem que colocar tudo nos mínimos detalhes, pois ele tem que passar tudo minuciosamente para este Governo, porque, caso contrário, estará sujeito a uma série de coisas.
Quando um político sai com a sua esposa para ir ao cinema, precisa saber que filme irá assistir porque, dependendo do filme, a opinião pública já vai fazer fofoca, já vai ter aquele cidadão que ligará para o cronista político dizendo que viu o Nilson Gonçalves entrando no cinema para assistir a um filme pornográfico.
Quer dizer, não é em todo lugar que o político pode entrar, não é em todo lugar que ele pode se expressar de maneira tranqüila, calma, porque sempre tem alguém apontando o dedo para ele.
Srs. Deputados, eu iria falar também sobre a questão da segurança de Joinville, porque somente ontem seis estabelecimentos comerciais foram assaltados. Queria enveredar por este caminho, falar justamente sobre esta questão que é fundamental para a minha cidade, Joinville, que hoje tem o Delegado Regional na cadeia e os bandidos deitando e rolando na cidade.
Foi uma força-tarefa para Joinville e temos lá uma enormidade de policiais, mas os bandidos, os marginais, continuam fazendo exatamente o que querem, na hora que querem e como bem entendem. Uns estão assaltando de bicicleta, outros a pé e a maioria de motocicleta - isso na maior cidade de Santa Catarina! Todo mundo está em polvorosa e até eu estou me preocupando. Ainda não fui assaltado, mas preciso me preparar psicologicamente para o meu primeiro assalto. Eu ainda não estou preparado! Quem sabe eles estão dando um tempo para deixarem o Deputado se preparar melhor e absorver de maneira mais tranqüila o assalto. Conforme as coisas estão andando em Joinville, um dia vai chegar a minha vez. Deputado Francisco de Assis, se V.Exa. já não foi, está arriscado a ser!
Então, é assim que as coisas estão funcionando. Conversei com o Secretário da Segurança Pública, Ronaldo Benedet, hoje à tarde, que me pediu que colocasse tudo no papel para daí ele tomar providências. Respondi que já havia colocado várias vezes e que iria fazê-lo de novo. Assim que colocar levarei pessoalmente a ele, pedindo que, por favor, faça alguma coisa concreta em relação à Segurança Pública de Joinville.
Não se concebe mais que as pessoas trabalhem dia-a-dia para sustentar seus familiares e a qualquer momento sejam assaltadas de forma desavergonhada, porque esses elementos sabem que, caso sejam presos, o máximo que vai acontecer será levarem um tapa bem dado na rosca do ouvido e que dois dias depois já estarão na rua fazendo a mesma coisa.
Então, esses elementos analisam o custo benefício. É mais fácil ser assaltante do que um trabalhador, porque, se for preso, levará um tapa no meio da rosca do ouvido e no outro dia já estará livre.
Sr. Presidente, para terminar este desabafo, gostaria de dizer que estou levando, pessoalmente, ao Sr. Secretário da Segurança Pública este reclame que não é só meu, mas também de toda a comunidade de Joinville. Os Deputados Francisco de Assis e Wilson Vieira, a Deputada Odete de Jesus, enfim, todos que moram naquela região fazem este reclame porque as coisas não podem mais continuar desta forma!
Muito obrigado!
(SEM REVISÃO DO ORADOR)