81ª Sessão Ordinária - 22/10/2008
O SR. DEPUTADO CESAR SOUZA JÚNIOR - Sr. presidente e srs. deputados, acompanhamos pela imprensa que a crise mundial realmente vem causando grave turbulência à economia brasileira. Certamente a partir do final do ano e, principalmente, do ano que vem Santa Catarina também sentirá os efeitos negativos da crise.
É preciso que tanto o governo do estado quanto este Parlamento estejam atentos e possam se antecipar em medidas que venham a minorar os efeitos dessa grave crise mundial.
Srs. deputados, neste momento a bolsa cai cerca de 7%, o dólar novamente dispara e neste ano apenas o preço das empresas brasileiras já caiu 50% em dólar das empresas que estão na bolsa de São Paulo. Ou seja, é uma crise de raízes profundas que vem dos Estados Unidos, mas que já alcança todo o mundo, que certamente dará um novo aspecto institucional à maneira de transacionar o dinheiro pelo mundo. Mas, infelizmente, em que pese estarmos menos expostos do que já estivemos em outras crises, o Brasil vai sentir os efeitos da crise. E Santa Catarina, como estado exportador que é, com certeza também terá impactos.
Isso vai exigir dos governos, tanto federal quanto estadual, maior disciplina e rigor fiscal, combate ao desperdício, porque com a desaceleração econômica os recursos para investimento certamente irão diminuir sobremaneira.
Esta Casa tem que estar atenta, no sentido de colocar medidas que venham a proteger os setores da economia que irão sofrer muito com a potencial queda de exportações para os mercados da América do Norte, da Europa, do Oriente Médio, como também as empresas catarinenses, que vão sofrer com a diminuição do consumo interno, já que o crescimento do Brasil, que se projetava da ordem de 5% para o próximo ano, hoje já se projeta num crescimento de apenas 2,5%.Ou seja, temos que estar atentos!
Certamente essa grave crise que hoje impera no mundo vai ver um novo arranjo institucional, porque a tal da alavancagem que tanto se utiliza nada mais é do que pegar o mesmo crédito e multiplicá-lo de maneira fictícia várias vezes, gerando assim uma grande pirâmide de especulação financeira. Essa alavancagem terá que ser coibida.
Muita irresponsabilidade se fez com o dinheiro das pessoas, principalmente num país como o Brasil que viu, nos últimos anos, o número de investidores, de pessoas profissionais liberais, investidores não profissionais, cidadãos investindo na bolsa aumentar muito. E muitas pessoas tiveram a sua economia lesada nesse grande cassino de alavancagem, geração de recursos inexistentes, de comprometimento, numa verdadeira pirâmide financeira.
A idéia do mercado que se auto-regula pela mão invisível, há muito já está superada. Está provado, sim, que os governos têm que ser ágeis vigilantes na regulação do sistema financeiro internacional, porque essa crise que hoje abate mercados mundiais não faz perder apenas aqueles que investem na bolsa, não faz perder apenas os grandes bancos internacionais, faz perder a todos. O cidadão que sobrevive com o seu carrinho de pipoca também sofre na pele o impacto da queda das bolsas mundo afora, tal a interligação dos mercados.
A falta de crescimento da economia abrange a todos, para não falar que os governos são os grandes garantidores do sistema bancário mundial. E tanto o pacotelançado nos Estados Unidos, como o pacote europeu, como a medida provisória que o governo federal já aprovou aqui no Brasil, prevêem que o dinheiro do contribuinte seja usado para repor as perdas eventuais dos bancos. Isso é necessário, é fundamental para que não haja uma contaminação total da economia, mas fica claro o papel fundamental dos governos na regulação das atividades. Mas não podemos é cair na tentação de fazer um mercado também hiper-regulado que engesse a geração de riqueza no mundo.
Esse é o grande desafio: ter um novo marco institucional de fiscalização para impedir que a picaretagem que foi feita por bancos internacionais e que vai tocar o mundo inteiro de maneira muito forte não se repita, mas também propiciar que os avanços da tecnologia possam continuar fazendo ganhos de produtividade em escala global.
Agora volto a insistir que os parlamentares desta Casa, o governo do estado têm uma grande responsabilidade, pois a crise virá, mas tomara que não venha recessão, deputado Antônio Aguiar. A crise virá e será severa, abaterá a economia real, abaterá a arrecadação dos governos e por isso nós temos que nos antecipar para proteger aqueles que vão sofrer mais com a crise. E alguém tem alguma dúvida de que quem mais sofre sempre são os mais pobres? Não há! Com toda a ciranda financeira, quem acaba sofrendo mais são aqueles mais humildes, aqueles mais pobres, os pequenos empresários, os trabalhadores assalariados de Santa Catarina. E por isso nós precisamos ter a responsabilidade e desde agora observar o quadro e nos anteciparmos com medidas que venham a proteger aqueles que mais perderão com a crise, e quem mais perde com a crise sempre, invariavelmente, são os pequenos.
Muito obrigado!
(SEM REVISÃO DO ORADOR)