Sessões Plenárias

Pronunciamento

Deputado Carlos Hoegen

55ª Sessão Ordinária - 09/07/2008

O SR. DEPUTADO CARLOS HOEGEN - Deputado Clésio Salvaro, que preside esta sessão, eu o saúdo, assim como o debate caloroso entre esses dois conterrâneos do sul do estado, que se instala no plenário.

Eu serei bastante breve, talvez nem use os meus dez minutos aqui, deputados e deputadas.

Mas eu quero aqui elogiar a forma fantástica como os deputados, de forma especial o deputado Pedro Baldissera, que aqui teceram elogios fabulosos ao Nei Silva como se amigos fossem de longa data. Serenidade, fantástico, posicionamento extraordinário, memória de elefante, quer dizer, confiabilidade.

A confiabilidade foi muito bem questionada aqui pelo deputado, mas não dá para confiar num cidadão, num interlocutor que vem fazer uma conversa com você e traz consigo um gravador, construindo um processo como esse que agora todos nós conhecemos, que é um processo que está lá na polícia.

Eu também recebi, deputado Ivan Naatz, uma revista que vem lá da nossa querida região de Blumenau, da sua terra, com patrocínio do Besc e com referências elogiosas à administração do presidente Lula e do prefeito à época, já que a revista é de 2003. E quero dizer que o uso do dinheiro público a qualquer tempo para promoção pessoal, constitui-se em crime. Isso consta lá no nosso ordenamento jurídico.

"O Besc patrocina aqui também..." Mas eu não acredito que nada disso tenha algum motivo escuso para estar aqui. Quer dizer, o secretário patrocinado pela agência que presta serviços à prefeitura, isso tudo lá na nossa querida e bela Blumenau. A mesma revista traz uma belíssima propaganda do Samae, das empreiteiras que por certo prestam serviços àquela região e a prefeitura de Blumenau faz uma referência elogiosa ao futuro candidato do partido à eleição municipal. Enfim, algumas coisas assim, mas nada disso eu acredito que contenha algum fato espúrio, algum fato criminoso. Entendo que seja mais uma revista que estava circulando, naquela época. Aqui faz muitas e variadas menções elogiosas a todos os entes, a todos os cidadãos com atividade política no município, referindo-se a secretário, a vereador, a presidente de partido e aos demais membros que compunham aquele instante político de Blumenau, lá nos idos de 2003.

Também não acredito que fatos como esses possam ter decisivamente influenciado a eleição naquele município e nem a posterior eleição de deputados estaduais e federais que são citados aqui. Até porque, se isso efetivamente ocorreu, deputado Elizeu Mattos, eu sou um dos prejudicados, afinal de contas, não me beneficiei disso, sofri com isso e lá na minha região figuras que faziam parte daquele governo à época, somaram expressivos votos. Talvez sob a influência disso? Eu não acredito, não quero crer.

Srs. deputados, não quero crer que aqui haja movimentos espúrios, que aqui haja lambança política, como para em outros casos o PT afirma que existe. Lá na minha terra quando alguém chega para contar, para falar daquilo que efetivamente não faz, eles chamam de "pregar moral de cuecas", deputado Cézar Cim. E isso nem aqui e nem em lugar nenhum, quero crer que se esteja fazendo!

Portanto, essa revista não faz menção do governador também, faz menção da descentralização da Justiça e da descentralização dos serviços lá na nossa bela Blumenau. Belas obras sendo patrocinadas, sendo mostradas sob o patrocínio de empresas que por certo para alguns municípios deste estado prestaram serviços. Mas eu não acredito que em nada disso haja ilegalidade. Apesar de que se constitui sempre em crime instalar no nosso ordenamento, deputado Valdir Cobalchini, a promoção pessoal daqueles que estão ocupando um cargo público, seja ele com patrocínio, ou com qualquer outra coisa. Agora, naturalmente, eu não acredito que tenha havido aí outras coisas.

O Sr. Deputado Manoel Mota - V.Exa. me concede um aparte?

O SR. DEPUTADO CARLOS HOEGEN - Pois não!

O Sr. Deputado Manoel Mota - Eu quero cumprimentar v.exa., que é um parlamentar atuante, que veio para esta Casa e em tão pouco tempo tem demonstrado conhecimento, sabedoria, que tem os pés no chão e tem firmeza naquilo que fala.

O assunto que trata v.exa., evidentemente, que envolve uma porção de gente que não tem nada a ver com o PSDB. Agora eu perguntaria se devo a minha reeleição pelo fato de estar nesta foto. Então, evidentemente, que a Oposição desesperada busca aquilo que está pela frente, até esse tipo de pessoa que grava conversas que, para mim, são pessoas irresponsáveis, moleques, pessoas que depois querem usufruir disso para tirar proveito em benefício próprio, inclusive extorquindo dinheiro.

Então, hoje a Oposição está desesperada nesta Casa e se abraçam com quem vier pela frente. Acho que cometeram hoje alguns erros que causarão prejuízos políticos em Santa Catarina, porque foram citadas muitas pessoas e neste momento estamos num período eleitoral e se falarem de uma pessoa de um município e se ele está envolvido na política, evidentemente, que isso é crime eleitoral. Então, nós vamos ter muitos problemas pela frente para que a Oposição possa fazer um trabalho tranqüilo e sereno, mas não pode passar dos limites. A questão eleitoral está no Regimento, e com isso nós estamos muito tranqüilos e serenos.

O deputado Joares Pontticeli pediu para um assessor desse Nei Silva, que eu nem sei quem é, nem conheço, graças a Deus não conheço, para que levantasse a questão de Araranguá. Deputado, dê uma olhadinha para o deputado Manoel Mota, pois tenho 25 anos de vida pública e tenho passado, história, dignidade, amor ao povo e ao sul, porque eu tenho projeto, enquanto v.exa. não tem um projeto para o sul. É uma vergonha um parlamentar não ter um projeto que seja construtivo para o sul. Por quê? Porque só sabe criticar, não sabe construir nada! Então, lamentavelmente, é só a crítica, mas a construção de alguma coisa para a sociedade, o planejamento, zero! Eu vou continuar trabalhando para construir um estado de qualidade, no qual o povo esteja dentro desse pacote e que seja o grande ganhador.

Quero parabenizar v.exa. que levanta esta questão com muita propriedade.

Parabéns deputado!

O SR. DEPUTADO CARLOS HOEGEN - Agradeço o aparte de v.exa.

É claro que não queremos transformar isso numa briga paroquial, mas a verdade é que nós temos que tomar cuidado quando atiramos pedras e temos telhado de vidro! A verdade está impressa.

Agora, só lamento que percamos tanto tempo neste Parlamento com um cidadão que vende informação positiva, que faz jornalismo, pseudo jornalismo, vendendo elogios. É lamentável que a imprensa catarinense de tantas glórias, deputado Ismael dos Santos, v.exa. que é do ramo, tenha que receber materiais como esses que, sem dúvida, deveriam ser expurgados daquilo que se chama de código de literatura de jornalismo, enfim, qualquer coisa parecida.

O Sr. Deputado Pedro Uczai - V.Exa. me concede um aparte?

O SR. DEPUTADO CARLOS HOEGEN - Pois não!

O Sr. Deputado Pedro Uczai - Deputado, é o diálogo da diferença, das diferentes posições.

Nós estamos muito tranqüilos no que diz respeito a três questões que v.exa. levanta aqui. Em relação à publicidade das nossas prefeituras, das nossas lideranças, e se há ilícito, se há problemas, temos que trazê-los à tona, para nós esclarecermos um por um.

O SR. DEPUTADO CARLOS HOEGEN - Não é isto que eu estou afirmando, deputado.

O Sr. Deputado Pedro Uczai - Eu sei, mas se vier a construir essa convicção, nós estaremos muito tranqüilos aqui para responder o que for possível. Inclusive ontem comecei o meu pronunciamento falando sobre o cartão corporativo.

Se o Ivonei, deputado, gravou ou se vendeu imagem positiva do governo e teve que gravar, quem sabe é porque ele não confiava no governo para o qual estava vendendo o serviço. Ele não é jornalista, ele é empresa comercial, vendeu uma revista, vendeu um serviço e não confiou no governo se poderia receber. Esta é a primeira questão. Se gravou, mas a extorsão foi gravação do governo, então é pilantra o Ivo Carminati, os outros...

(Discurso interrompido por término do horário regimental.)

(SEM REVISÃO DO ORADOR)