60ª Sessão Extraordinária - 24/11/2009
O SR. DEPUTADO JOARES PONTICELLI - Deputada Professora Odete de Jesus, parece-me que esse negócio do Roberto Requião é para aumentar o valor do negócio. Até aqui, aquela turma séria do José Sarney, do Renan Calheiros, do Jader Barbalho, a turma dos "estadistas" que só pensam no bem do Brasil, já haviam entregue o CNPJ para Dilma Rousseff. E agora a turma que não tinha levado nada, parece-me, está reagindo e pensando: esperem aí, se for para fazermos um negócio, então que façamos um grande negócio.
Mas o meu medo, deputada, é que isso encareça demais para o presidente Lula, para o PT e para o Brasil. Essa é a minha preocupação. Esse é apenas um comentariozinho para fazermos uma reflexão. Mas vamos cuidar das coisas da nossa paróquia.
O Sr. Deputado Reno Caramori - V.Exa. me concede um aparte?
O SR. DEPUTADO JOARES PONTICELLI - Pois não!
O Sr. Deputado Reno Caramori - Deputado Joares Ponticelli, com a sua permissão, gostaria de anunciar que estamos com a presença do nosso amigo Lenoir Bigolin, prefeito do PP do município de Quilombo. Ele vem frequentemente a Florianópolis em busca de recursos, porque as SDRs só encaminham, mas não dão solução. Então, ele tem que se deslocar do oeste e vir até Florianópolis para mobilizar as secretarias, no sentido de fazer com que aquele município também seja atendido pelo menos com o mínimo possível.
O SR. DEPUTADO JOARES PONTICELLI - Obrigado, deputado Reno Caramori.
Também quero saudar mais uma vez o nosso companheiro, prefeito Lenoir Bigolin, e dizer a s.exa. que esse privilégio de a secretaria de Desenvolvimento Regional aprovar tudo e não pagar nada não é apenas de Quilombo, não! Isso está acontecendo por toda Santa Catarina. Nos conselhos aprova-se tudo, desde creche, escola, conjunto habitacional no céu, enfim. Mandam para as SDRs e os conselhos aprovam tudo, até desencravamento de unha. Mas para acontecer a obra é um parto, é uma dificuldade. O que tem de ata dos Conselhos de Desenvolvimento Regional é um absurdo! E se reciclarmos somente esses papeis das atas que foram aprovadas sem consequência, vai dar para ajudar muitas entidades a manterem durante anos as suas obras sociais.
O Diário Catarinense de ontem trouxe uma notícia, uma grande matéria, deputado Nilson Gonçalves, com a seguinte manchete: "Combate à violência - Plano, eles têm. Ações, nem tanto". Ou seja, é o que estou dizendo. É um governo de muitos planos, de muitos sonhos, de muitas promessas, de muita obra aprovada no Conselho de Desenvolvimento Regional, mas de pouca ação.
Se o deputado Antônio Carlos Vieirão estivesse aqui repetiria o seu slogan de campanha o tempo todo: "Menos papo e mais ação". E é o que falta ao governo. O Diário Catarinense sintetizou isso ontem.
(Passa a ler.)
"Propostas para diminuir criminalidade em SC demoram a sair do papel. Anunciado no dia 2 de setembro como uma arma para reduzir a criminalidade em Santa Catarina, o Plano de Segurança Pública para o estado apresenta resultados tímidos até agora. Houve aumento do número de assassinatos em seis das 12 cidades escolhidas como alvo da mobilização policial."
Deputado Sílvio Dreveck, isso seria cômico se não fosse trágico. Desde que começaram as ações para combater a violência o número de assassinatos aumentou.
Em Itajaí, antes de anunciarem as medidas, deputado Nilson Gonçalves, houve seis assassinatos anunciados. Agora esse número saltou para 12. Dobrou o número de assassinatos! Inclusive, o jornalista Roberto Salum noticia isso diariamente e com certeza repercutiu esses números também no seu programa.
Em Biguaçu, tivemos no quadrimestre anterior dois assassinatos. Depois de implementadas as medidas, tivemos três. Em São José, antes das medidas, tivemos sete homicídios. Depois das medidas, deputado José Natal, tivemos nove. Em Balneário Camboriú, antes das medidas, tivemos dois assassinatos. Depois das medidas, três. E aconteceu com todos aqueles holofotes, deputado Sargento Amauri Soares, que o secretário mandou preparar. Em Gaspar, antes de implementar as medidas, tivemos zero no bimestre anterior. E após implementadas as medidas, tivemos um. Em Florianópolis, antes das medidas, tivemos dez assassinatos. Depois das medidas, 13. Em Joinville eram 14 e permaneceram 14. Em Caçador eram quatro e permaneceu esse número.
O número de assassinatos diminuiu apenas em Palhoça, Rio Negrinho, Navegantes e Camboriú. Ou seja, de 12 cidades escolhidas, exatamente na metade, deputada Professora Odete de Jesus, aumentou o número de homicídios depois das medidas adotadas. Em duas os números se mantiveram e apenas em quatro os número tiveram redução. É a falência total.
Eu procuro abordar outros temas, tenho feito um esforço para isso porque temos muitas matérias na fila esperando ser abordadas. Até fiz uma agenda de 14 municípios, em regiões diferentes, de quinta-feira até agora, e é queixa generalizada. Mas não há como não abordar a questão do crescimento da violência todos os dias nesta Casa, porque agora é o interior que começa a reclamar. A cada dia estou mais convencido de que a única descentralização que este governo conseguiu de verdade foi a da violência, que já não é mais um problema dos grandes centros. Enquanto isso, o secretário continua firmemente na campanha.
Estive na serra no final de semana, fui a Lages no sábado, e quando passei em Bom Jardim da Serra vi que o QG de campanha do secretário da Segurança estava movimentado. Portanto, muita ação na serra, mas não era ação policial, era de campanha. Até porque estava acontecendo o encontro dos despachantes em Lages e certamente ele estava lá fazendo aquelas conversas de pé de ouvido, que não podem ser divulgadas.
Já existe muita notícia de estruturação de campanha. E vamos ter que levantar essas coisas com despachantes, com autoescolas. Existem notícias por aí que, se forem verdadeiras, vamos ter que chamar a Polícia Federal rápido para ajudar a cuidar. E a violência cresce sem limites, para a desgraça da família catarinense.
Paralelamente a isso, gostaria de dizer que tenho pelo secretário Dado Cherem um profundo respeito, mas as notícias da Saúde também são desalentadoras, pois o que tenho ouvido é que durante a greve o atendimento estava melhor do que agora. Os corredores, as emergências, as filas são intermináveis.
Não sei para onde caminha o estado. Neste momento, o que me parece, deputado Dagomar Carneiro, é que não há mais comando. Existe, sim, muita confusão interna. De um lado o pessoal do Leonel Pavan esperando que Luiz Henrique cumpra o prometido, ou seja, renunciar para deixar Pavan ser governador de verdade; do outro lado, o governador Luiz Henrique dizendo que vai apenas tirar férias, tirar licença, porque aí pode deixar a faca no pescoço do Pavan, eis que ele não vai ser governador de direito, será apenas de fato. Sendo assim, Luiz Henrique poderá voltar a qualquer momento. Com certeza esse será o recado que ele deverá dizer no ouvido do Pavan, no dia em que sair de férias. E aí vira essa torre de Babel, onde ninguém manda, onde ninguém decide.
Digo isso com muita tristeza, deputado Dagomar Carneiro, honestamente. Infelizmente, estamos vendo que as coisas caminham para um final de mandato melancólico. É um salve-se quem puder. É a hora da xepa na feira. Está todo mundo cuidando do seu, mas dos interesses da coletividade poucos estão cuidando, deputado Silvio Dreveck. É o que vimos caminhando estado afora por toda Santa Catarina.
Muito obrigado!
(SEM REVISÃO DO ORADOR)