30ª Sessão Ordinária - 16/04/2015
O SR. DEPUTADO FERNANDO CORUJA - Sr. presidente e srs. parlamentares, hoje há um editorial no Diário Catarinense defendendo políticas públicas de incentivo à alimentação saudável e atividades físicas.
As pesquisas no mundo inteiro, e no Brasil não é diferente, demonstram que a população vem lentamente aumentando o consumo alimentar e o seu peso. É largamente conhecida também a relação entre a obesidade e uma série de doenças crônicas, como diabetes, hipertensão, doenças cardiovasculares. E uma série de cânceres também estão relacionados à obesidade.
E isso acontece por vários fatores. No mundo, apesar de haver regiões em que há falta de alimentação, como na África, onde há uma carência alimentar, hoje, como regra, não há falta de alimentos. O que há é a falta de acesso das pessoas à comida por falta de condições, de recursos e de meios de transporte.
O alimento que é produzido no mundo é suficiente, de forma geral, para alimentar as pessoas, mas não foi sempre assim. Até um século atrás, ou até pouco menos, havia falta de alimentos no mundo, mas as pessoas sobreviveram.
No Brasil, a maioria dos descendentes de europeus são pessoas que sobreviveram à obesidade na Europa, em determinado momento histórico, e são resistentes à falta de comida, porque, em determinado momento da história, se a pessoa tivesse dez filhos e cada um só pudesse comer uma batata, aquele que sobrevivesse com uma batata, sobrevivia, e os outros nove não sobreviam, porque havia somente uma batata para cada um. Portanto, sobreviviam aqueles que, geneticamente, eram mais capazes de resistir à falta de comida.
Isso gerou um quadro que, hoje, é chamado de síndrome metabólica, em que a pessoa tem uma resistência ação da insulina e uma deposição de gordura, fundamentalmente para cima da cintura, em função de precisar de pouca comida.
Então, vivemos um momento em que existe comida em abundância, como regra geral, as geladeiras, as casas e os mercados estão cheios de alimentos.
Eu tenho um escritório na rua Jorge Lacerda, que foi governador do estado e morreu naquele fatídico acidente de São José de Pinhais junto com Nereu Ramos e Leoberto Leal. Lembro bem que antigamente naquela rua não havia lanchonetes, e hoje há oito lanchonetes.
Então, as pessoas, na verdade, estão comendo muito, essa é a regra. Às vezes, as pessoas podem dizer que não comem muito, mas elas comem muito sim, porque elas comparam com os outros ao redor. Mas como todos estão comendo muito, evidentemente que estão aumentando de peso.
A boa notícia que temos nesse editorial é que a pesquisa demonstra que em Florianópolis temos a melhor situação das capitais pesquisadas, mostrando que temos o menor índice de obesidade. E vejam que é considerado obesidade quando a pessoa tem um Índice de Massa Corporal acima de 30. Hoje existe uma fórmula que divide o peso pela altura ao quadrado, e quando está acima de 30, é considerada obesidade grau um; acima de 35, grau dois; e acima de 40, grau três.
Então, em Florianópolis temos o menor índice, mas no Brasil, nos últimos quatro anos, houve um aumento de 10% para 14% de obesidade, e não estamos falando de sobrepeso, que, às vezes, o número chega a mais de 50%.
Mas a preocupação maior está concentrada na população infantil. Quando se vai às escolas, hoje, percebe-se o importante número de crianças que estão acima do peso. E há uma certa despreocupação do ponto de vista da ação das famílias com isso. Sempre há preocupação emocional - ficamos preocupados quando o filho está acima do peso -, mas há também despreocupação cultural, de hábitos, em que há um superestímulo ao consumo de alimentos.
Sabemos que a saúde, lentamente, vem aumentando os seus custos. O deputado Dalmo Claro, que foi secretário estadual de Saúde, costuma dizer, com muita propriedade, que ao longo dos anos a tecnologia tem avançado muito e proporcionado muitos meios de diagnósticos e tratamentos para doenças, mas que são absolutamente caros.
Deputado Dirceu Dresch - e concordo com v.exa., quando fez referência ao projeto da terceirização -, na saúde é diferente da indústria, onde, às vezes, quer-se diminuir o custo para melhorar a renda das empresas e não do trabalhador. Na saúde, quanto mais aumenta a tecnologia, não há uma diminuição do custo. A tecnologia não aumenta a capacidade de produção, mas aumenta o custo.
E precisamos trabalhar na área de saúde fundamentalmente com aquilo que sempre foi um mantra da saúde, que é a prevenção. E é na prevenção que entram essas questões relacionadas à obesidade e à atividade física. É uma questão cultural, é preciso que haja um programa de governo, mas é preciso incorporar essa questão, porque todos nós estamos comendo muito.
O Sr. Deputado Dalmo Claro - V.Exa. me concede um aparte?
O SR. DEPUTADO FERNANDO CORUJA - Pois não!
O Sr. Deputado Dalmo Claro - Deputado, reforçando as suas palavras, quero dizer que essa questão da obesidade é, principalmente, cultural. E o tratamento que devemos dar ao obeso é cultural, no sentido de modificação dessa cultura, e também fazer com que haja a mudança de práticas. Na verdade, mudança principalmente de alimentação - e isso é educação -, e temos visto muitas campanhas e orientações em relação a isto.
Mas há também a questão da atividade física. E daí talvez por que Florianópolis esteja na melhor situação entre as capitais, pois é uma cidade privilegiada em termos de espaço para a prática de atividade física. Não necessariamente esporte de autorendimento, mas que as pessoas tenham a atividade física natural, como nadar, praticar esportes náuticos, fazer caminhadas. A Beira-Mar Norte, e todos sabemos disso, é um espaço fantástico, equipado pelo poder público para essa prática. E não vemos isso em outras cidades. Eu acho que os executivos, tanto do estado quanto dos municípios, têm que ter uma atenção para que se dê à população espaços adequados à prática esportiva.
O Sr. Deputado Dirceu Dresch - V.Exa. me concede um aparte?
O SR. DEPUTADO FERNANDO CORUJA - Pois não!
O Sr. Deputado Dirceu Dresch - Quero cumprimentar v.exa. pela pesada fala, como diz o presidente que está presidindo esta sessão. Mas, de fato, é um tema extremamente importante para discutirmos.
Falo sempre na educação. As nossas crianças precisam saber o que significa, para o seu futuro, o consumo de refrigerantes. Todos nós, hoje buscamos uma vida longa e qualidade de vida. Agora, não conseguimos atacar no centro a questão da alimentação.
Queremos propor, sr. deputado - e já debatemos isso no nosso outro mandato -, criarmos um grupo de trabalho, e aqui temos vários médicos - para discutir essa questão. Os nossos municípios e o governo do estado precisam investir mais na prevenção. Se não atacarmos com a prevenção, nós não vamos ter caixa suficiente, de forma alguma, para sustentarmos toda essa máquina que cada vez fica mais cara.
Parabenizo v.exa., deputado, e nós nos colocamos a sua disposição no sentido de contribuir com esse debate.
Muito obrigado!
O SR. DEPUTADO FERNANDO CORUJA - Agradeço o aparte de v.exa., deputado Dirceu Dresch.
Realmente, o município de Florianópolis se destaca exatamente pela questão aqui levantada pelo deputado Dalmo Claro, ou seja, que aqui existe um aumento de atividade física em função da geografia da região e da população. Evidentemente que é preciso trabalhar essa questão.
Ontem, tivemos a despedida da modelo brasileira Gisele Bündchen, que desfilou pela última vez, e evidentemente que nem todos precisam ter o corpo da Gisele Bündchen, mas precisamos trabalhar um pouco mais para diminuir o peso de todos.
Muito obrigado!
(SEM REVISÃO DO ORADOR)