Sessões Plenárias

Pronunciamento

Deputado Nilson Gonçalves

25ª Sessão Ordinária - 10/04/2002

O SR. DEPUTADO NILSON GONÇALVES - Sr. Presidente e Srs. Deputados, gostaria de aproveitar a oportunidade para tecer alguns comentários e espero ser compreendido naquilo que pretendo comentar.

O movimento dos sem-terra, que todos assistimos seu início, que foi bastante interessante, agilizou de maneira bastante absoluta o assentamento de pessoas sem terra neste País.

Este movimento foi se tornando grande, tomando corpo. E o que estamos vendo hoje, na minha opinião, não é mais o MST mas, sim, o MRT, pois acho que é mais um movimento revolucionário da terra do que um movimento dos sem-terra.

A princípio a minha opinião pode até chocar algumas pessoas, mas é a minha opinião. Estamos assistindo, na verdade, a revolucionários profissionais manipulando gente humilde e simples, com verdadeiros objetivos que são o de ter a sua terra, o seu cantinho para poder plantar e poder viver, quando na verdade a intenção e os objetivos finais deste movimento começamos a notar que não são exatamente o assentamento dos agricultores que realmente precisam de terra.

Estamos assistindo neste País à invasão de propriedades produtivas, em muitas situações ao saque de mercados, a assaltos a caminhões de carga, etc. Tudo isso patrocinado por elementos profissionais da revolução.

Para minha surpresa, dias atrás, vi a bandeira do MST na Palestina, no olho do furacão do mundo. Na Palestina, aparece um líder do MST com a sua bandeira ao lado de Arafat.

Gostaria de conseguir entender como é que pode um movimento que se diz pela luta dos sem-terra estar justamente voltado para uma briga internacional, um problema que não tem nada a ver com o nosso País, muito menos com os nossos humildes, muito menos com aqueles que reivindicam um pedaço de terra para poder plantar, para poder viver.

Digo isso, e pode chocar muita gente, mas conheço pessoas que já me procuraram na minha cidade, que são oriundas deste movimento, que me explicavam que estavam procurando emprego porque não queriam mais voltar para o movimento. E eu perguntei por que não queriam voltar. Ao que me responderam que era porque tinham invadido uma fazenda, ficaram um tempo nela e quando começaram a pensar em plantar os líderes vieram dizer que tinham que invadir outra fazenda, ir com eles para outro lugar. E que o que querem é fincar pé na terra e poder viver dela.

Este parece-me não ser bem o objetivo do movimento. O próprio PT, que sempre foi o braço político ou, pelo menos, que deu sustentação política a esse movimento, já vê com reservas as atitudes e iniciativas desse movimento. O próprio PT já procura se desvencilhar um pouco desse peso que significa MST.

Não estou falando dos humildes, não estou falando das pessoas simples que são manipuladas por esses dirigentes profissionais. Estou falando de profissionais revolucionários que estão manipulando um grande número de pessoas simples neste País.

A própria Igreja, que sempre apoiou incondicionalmente esse movimento, hoje também já não dá o seu apoio incondicional, já tem certas reservas em determinadas atitudes que esse movimento tem.

Por isso, o pronunciamento deste Deputado é uma opinião pessoal e uma preocupação. Olho com muita preocupação o andamento desse movimento, que está descambando para um lugar que não acredito ser muito bom para todos nós.

O Movimento dos Sem-Terra no seu princípio, na sua base, na sua intenção, era importante para todos nós, principalmente porque vinha ao encontro da necessidade do bem-estar social dos humildes, daqueles que não tinham um pedaço de terra para viver.

Hoje esse movimento está descambando para uma outra linha, uma linha revolucionária e perigosa para toda a sociedade.

Muito obrigado, Sr. Presidente!

(SEM REVISÃO DO ORADOR)