80ª Sessão Ordinária - 06/11/2002
O SR. DEPUTADO MANOEL MOTA - Sr. Presidente e Srs. Deputados, ocupo esta tribuna para fazer algumas considerações.
É interessante como as pessoas mudam, dão uma virada de 180º graus. Quem não sabe que tudo foi feito para que o Besc quebrasse, fosse federalizado e depois vendido para outros bancos ou empresas? Quem não sabe que esse processo passou pelo Palácio do Governo?
No entanto, hoje, o próprio Governador não quer mais a privatização e até está entrando com uma ação popular para evitá-la. Por que não fez isso no primeiro momento, naquele momento decisivo em que toda a sociedade desejava a permanência do Banco?
O Besc, mesmo sem emprestar dinheiro, sem transformá-lo em banco comercial, porque não deixaram que o banco buscasse recursos, conseguiu sobreviver pela competência dos funcionários, pela credibilidade dos seus 40 anos de vida pública.
É importante que as pessoas saibam que assim como os ventos (Nordeste, Sul...), Sr. Presidente, as pessoas também mudam. Não adianta negar porque isso é uma verdade! Mudam tanto que ontem, no apagar das luzes, elegeram a diretoria de uma empresa com grande significado para Santa Catarina, para a nossa microempresa. Não poderiam ter tomado essa medida!
O Governador eleito Luiz Henrique da Silveira ficou indignado, em Brasília. E como quer fazer uma transição serena, tranqüila e sadia mandou suspender a transição até o dia de amanhã, quando retornará.
Essa medida tomada com o Sebrae trouxe desconforto, porque o Governador eleito, que tem compromisso com o nosso Estado, com a microempresa, quer criar um fundo (todos os recursos das microempresas vão voltar para elas mesmas). E, de repente, no apagar das luzes, foi eleita uma nova diretoria.
Deputado Ronaldo Benedet, faltando três dias para a eleição, vi político ir ao Sul e dizer nas rádios que iria entrar com uma ação contra o Ministro em razão da BR-101 porque ele estava sendo irresponsável e que iria pedir ao Presidente da República para que tirasse o Ministro.
Já que o Senador Jorge Bornhausen teve tanto tempo para nos ajudar em todos os movimentos que participamos em Brasília e aqui, não precisaria ir ao Sul para achar tantos defeitos no encaminhamento da licitação para a duplicação da BR-101!
Convidamos todos os políticos para participarem desse processo, porque esse processo não tem Partido, é a vida do ser humano que está desaparecendo, Deputado Jaime Mantelli, na BR-101. Convidamos todos os Parlamentares Estaduais e Federais e os Senadores e poucos compareceram. Poucos participaram de todos os movimentos da BR-101.
Quanto à licitação, certa ou errada, este Parlamentar lutou muito, juntamente com outros, assim como Vereadores e Prefeitos. Não foi só o Deputado Manoel Mota.
Pedimos tanto aos Senadores para estarem conosco, insistimos para que isso acontecesse, mas eles não foram. Apenas serviram para criticar, faltando somente quatro dias para as eleições, evidentemente, como uma tomada de posição para que desse uma virada na política.
Outra ação que ainda deixa dúvida foi a da tomada pelo Tribunal de Contas da União. Primeiro foi contra, depois impugnou o andamento do processo da BR-101 e parece-me que agora estão analisando novamente. Os detalhes técnicos que faltaram para que o edital fosse perfeito são muito pequenos. Teria como corrigir e não precisaria perder 90 dias do andamento do processo da BR-101.
A BR-101 hoje, além de não ter mais espaço para os veículos trafegarem e palco de lamentações, de choro, de lágrimas e de morte, transformou-se em buracos. Não dá mais para trafegar porque está tudo deteriorado.
Além do perigo de risco de vida, os caminhões e automóveis, Sr. Presidente, têm que desviar dos buracos e os acidentes ficam cada vez mais fáceis de acontecerem. Só se vê automóveis parados no acostamento e os motoristas fazendo troca de pneus!
Não podemos culpar o DNIT, porque essa é uma obra de trinta e poucos anos, e com essa loucura de tráfego pesado. E agora, com o problema da duplicação, o DNIT, sem recursos, pouco pode fazer e ainda aguarda o tempo melhorar para poder tapar os buracos. É um desconforto total trafegar por essa estrada, além de estarmos correndo risco de vida a cada instante.
Então, quero pedir que as pessoas que têm amor por Santa Catarina trabalhem, ajudem o nosso Estado. E em Brasília, o Senado e a Câmara Federal que não atrapalhem, que ajudem! Tem gente que não participou de nenhum movimento e depois veio para cá fazer críticas, inclusive pedindo o afastamento do Ministro.
Então, faço esse balanço do que aconteceu nas eleições, que levou a sociedade a fazer uma reflexão profunda e fez com que o vento da mudança também acontecesse em Santa Catarina. Ninguém consegue enganar uma, duas vezes ou para sempre. Chega um momento em que a verdade vem à tona.
A verdade é que os ventos mudaram o Brasil com a eleição de Lula e Santa Catarina com a eleição de Luiz Henrique da Silveira. Dois homens preparados para administrar, um o Brasil e o outro o nosso Estado. Esperamos ter um novo momento de luz, de esperança.
Falando em esperança, estamos vendo professores e alunos que visitam a Assembléia Legislativa. Com certeza esperam dias melhores para este Estado e para este País, com geração de emprego, de renda, trazendo desenvolvimento para melhorar a vida do povo catarinense.
É nessa linha que faço meu pronunciamento. Com a certeza de que trabalhei muito para a duplicação da BR-101...
(Discurso interrompido por término do horário regimental.)
(SEM REVISÃO DO ORADOR)