80ª Sessão Ordinária - 06/11/2002
O SR. DEPUTADO AFRÂNIO BOPPRÉ - Sr. Presidente e Srs. Deputados, ocupo a tribuna no dia de hoje para chamar a atenção de Santa Catarina a respeito de um aspecto importantíssimo que ocorreu durante o processo eleitoral, em âmbito nacional, que foi tratado de maneira marginal pela imprensa.
Estou me referindo quando o Tribunal Superior Eleitoral antes de iniciar as apurações, antes mesmo de contar o primeiro voto da eleição de 2002, do primeiro turno, reuniu em Brasília em seu auditório toda a imprensa nacional e internacional que estava fazendo a cobertura do processo eleitoral no Brasil.
Neste momento em que o Brasil aguardava, em que estava na expectativa do início da computação dos votos, por um incidente, aconteceu que no telão do auditório do Tribunal Superior Eleitoral apareceu uma primeira apresentação da matriz dos dados para a eleição presidencial.
Nesta oportunidade, a imprensa ali reunida observou que no telão tínhamos informações já computadas, mesmo antes de o Tribunal Superior Eleitoral começar a abrir as urnas. Já tinham números.
O curioso é que todas as candidaturas estavam zeradas, não tinham sequer um único voto, com exceção da candidatura do PT e do PL, do Luiz Inácio Lula da Silva, que apareceu no telão com números negativos, com mais de 43 mil votos.
Vejam só a gravidade do problema: ainda não havia iniciado a apuração dos votos. Nenhuma urna havia sido aberta e computada no computador do Tribunal Superior Eleitoral. Mas já tinham votos negativos na candidatura do Lula. Isto aconteceu, Deputado Jaime Mantelli, no primeiro turno.
Quem deu a primeira informação pública foi o articulista, de renome nacional, da Folha de S.Paulo, o Sr. Jânio de Freitas, que escreveu na sua coluna, relatando pari passu, o que aconteceu. E inclusive já colocou deduções na sua própria coluna. O jornalista Carlos Chagas, também na sua coluna, trouxe essas mesmas informações.
Imediatamente, a Unicamp, a Universidade de Campinas do Estado de São Paulo, se dispôs a aproximar-se do problema para ver o que estava acontecendo.
O que temos como informação é que a fórmula, a metodologia de cálculo do soft do Tribunal Superior Eleitoral, desta urna eletrônica de duvidosa credibilidade, foi alterado, de forma a que de tantas em tantas informações de votos que entrassem seriam diminuídas da candidatura do PT para viabilizar um segundo turno.
O importante constatar é que aquele clima da eleição do primeiro turno, o clima da mudança que o Brasil pleiteava, fez com que as candidaturas do PT no Brasil inteiro para Deputado Estadual, Federal, para o Senado, para o Governo do Estado, na última semana do primeiro turno, crescessem substancialmente. Quem quiser um exemplo veja o que aconteceu em Santa Catarina, onde o PT tinha dois Deputados Federais e fez cinco, tinha cinco Deputados Estaduais e fez nove, mais o Partido Liberal, nossa coligação, então, fez dez Deputados Federais.
Conseguimos, fato inédito, eleger a Deputada Ideli Salvatti Senadora da República; o companheiro José Fritsch fez 27.3% dos votos. E esse fenômeno de crescimento do PT na última eleição aconteceu no Brasil inteiro de Norte a Sul.
O que acontece é que toda essa onda de crescimento de todas essas candidaturas na reta final da eleição não teve a mesma força na candidatura do Lula. Quando todas as pesquisas diziam que o Lula tinha 49%, 48% e 50%, o que aconteceu na última semana foi o revés, acabou fazendo 46%.
Portanto, já demonstrado na imagem do Superior Tribunal Eleitoral, em Brasília, já constatado pela Unicamp e pelos articulistas Jânio de Freitas e Carlos Chagas, foi organizada uma subtração dos votos do Lula no primeiro turno.
E dizemos mais: não obstante isso - e não estamos aqui chorando pelo resultado das urnas, pelo contrário, nós, do PT, só temos a comemorar e estamos bastante contentes -, queremos chamar a atenção da sociedade catarinense do quão frágil é essa metodologia do voto eletrônico, que deve ser evidentemente questionada.
Também queremos dizer que não só tiraram o Lula da vitória do primeiro turno, como também orquestraram, organizaram a participação do José Serra no segundo turno, porque também todas as pesquisas do Brasil mostravam uma vertiginosa curva de ascensão da candidatura do Garotinho, que provavelmente chegaria no segundo turno.
Então, subtraíram, tiraram a eleição que poderia ter sido encerrada no primeiro turno e ainda assim escolheram um adversário no segundo turno.
O que importa é que pudemos novamente participar do segundo turno. E mesmo com a tentativa de manipulação, de orquestração que ocorreu nesse primeiro turno da eleição no Brasil, o povo não arredou pé um único centímetro. Ele estava firme e disposto a dizer, em primeiro lugar, que era hora de parar essa gente.
O que estão fazendo com o desmonte da máquina pública, com a desnacionalização da nossa economia, com a situação da violência urbana generalizada e com a agricultura não pode mais continuar!
Então, o povo foi às urnas e, na sua decisão sábia, disse no primeiro turno "não" a essa gente, e no segundo turno também disse "não".
Portanto, vimos aqui neste momento não para fazer uma análise política do resultado eleitoral, mas, sobretudo, para chamar a atenção de V.Exas. O Parlamento catarinense não poderia ficar desavisado e pelo menos um Deputado tinha que vir à tribuna trazer a público o que aconteceu com a chamada fraude de Brasília no Tribunal Superior Eleitoral, que ficou constatada, inclusive, pela própria manifestação da Unicamp.
Então, Sra. Presidente, foi com essa vontade de registrar aqui... E vi muitas coisas estampadas nas capas de jornais, mas essa informação a população brasileira não teve. Foi tratada de maneira secundária e periférica por aqueles jornalistas articulistas que têm uma tradição de enfrentar todos os problemas, de botar o dedo na ferida, doa a quem doer.
Portanto, ao finalizar, quero parabenizar desta tribuna os jornalistas Jânio de Freitas e Carlos Chagas por terem a coragem de trazer a público essa situação.
Muito obrigado!
(SEM REVISÃO DO ORADOR)