Sessões Plenárias

Pronunciamento

Deputado Mario Marcondes Nascimento

15ª Sessão Ordinária - 11/03/2015

O SR. DEPUTADO MARIO MARCONDES - Sr. presidente, sras. deputadas e srs. deputados, membros da imprensa, amigos e amigas presentes no plenário e pessoas que nos acompanham através da TVAL e da Rádio Alesc Digital.

(Passa a ler.)

"Hoje gostaria de externar algumas opiniões acerca do momento que nosso Brasil atravessa.

Estamos na iminência da realização de duas mobilizações de massa em nosso estado e no nosso Brasil.

Vários pontos de capitais brasileiras e outras cidades serão palco de milhares de pessoas nos próximos dias 13 e 15 de março.

Na próxima sexta-feira, dia 13 de março, as centrais sindicais, as entidades ligadas aos movimentos sindicais e populares estarão nas ruas com uma série de bandeiras de lutas que consideram justas.

Dentre essas, as defesas das Petrobras, da reforma política e a tentativa de impedir a redução de direitos dos trabalhadores.

Já no próximo dia 15 de março ocorrem em todo o Brasil mobilizações da população pela ética na política, por melhor gestão na coisa pública e pelo fim da corrupção. Além de alguns setores defendendo o impeachment da presidente Dilma.

A gênese dessas manifestações está no processo eleitoral de outubro do ano passado. As eleições que o Brasil atravessou dividiram frontalmente nossa nação em dois projetos: um de continuidade ao governo federal, que aí está colocado; e outro de ruptura com o atual modelo.

O acirramento das posições políticas na defesa destes projetos criou sequelas no relacionamento das forças políticas do país, e aqui é preciso salientar que ambas as partes estimularam um discurso agressivo eleitoral, fomentando um falso dilema entre Brasil dos ricos x pobres; vermelhos x azuis; norte x sul!

A presidenta Dilma, democraticamente eleita, vencedora do processo eleitoral, e legitimamente mandatária do governo federal durante a eleição, apresentou um quadro diferente do que foi imposto a partir do inicio de seu segundo governo.

Sob a alegação de acirramento da crise internacional, está sendo implementado um pacote de ações duras que atingem a população brasileira sobremaneira.

O aumento substancial do preço dos combustíveis em um momento em que o valor do barril do petróleo diminuiu houve como reflexo imediato a greve dos caminhoneiros, que trouxe, à luz de toda a sociedade a dificuldade e sofrimento que tem passado estes valorosos trabalhadores.

A tarifa da energia aumentando de 30% a 40%, principalmente nas regiões sul e sudeste, haja vista que no norte e nordeste o aumento será de 5% a 10%. Esse fato, com certeza, vai acarretar em aumento de preços e redução de empregos, além de ampliar a dificuldade das famílias de baixa renda no pagamento das suas contas de energia elétrica.

A taxa de juros elevada e o corte de investimentos na educação comprometem o funcionamento de várias instituições de ensino superior, tanto as federais pela tesourada em seus orçamentos quanto às privadas, pela modificação dos Fies e o atraso dos repasses do Pronatec.

Direitos trabalhistas ameaçados, como cobram as próprias centrais sindicais ligadas historicamente ao PT.

E além de tudo isto, esse escândalo de corrupção na Petrobras atinge cifras, valores que nunca imaginamos possíveis.

A CPI da Petrobras e a Operação Lava-Jato tornaram explícito aos brasileiros o funcionamento criminoso de um submundo de corrupção dentro da maior empresa pública brasileira.

Tanto desvio de recursos com envolvimento de parlamentares e autoridades públicas, macula a imagem de toda a classe política e incendeia na população o clamor por mudanças de comportamento e métodos na política.

Meu partido, o PR, faz parte da base do governo federal, dirige um ministério, mas isso não me obriga a aceitar todas as medidas tomadas pelo atual governo federal!

Sou radicalmente contra o impeachment da presidente Dilma, pois precisamos assegurar os valores republicanos e a tranquilidade institucional. Até o presente momento, nada existe que ligue diretamente a presidente da República ao esquema de corrupção da Petrobras.

Também não concordo com palavras de ordem grosseiras, com ofensas pessoais e palavreado chulo, que ofendam a mulher Dilma Rousseff, a instituição presidencial da República e a qualquer cidadão de nossa nação! Falta de educação e grosseria não colaboram com quaisquer movimentos!

Por outro lado, é preciso dizer que perante o cenário eleitoral dourado apresentado pela então candidata, a realidade tonou-se bem mais dura e quem está pagando a conta do ajuste é a população mais carente que sofre com o aumento de preços e com o desemprego.

Seria adequado como ação do governo federal, para também contribuir com sua parte nesse processo de enfrentamento da dita crise internacional, reduzir os ministérios e cargos comissionados federais para se somar à população no esforço concentrado.

Entendo que as manifestações políticas que irão ocorrer são absolutamente justas e necessárias. Na democracia, a consolidação da cidadania e o fortalecimento do estado de direito passa, obrigatoriamente, por um protagonismo ainda maior da população, não apenas na hora do voto, mas também posteriormente, acompanhando o trabalho dos eleitos e cobrando, seja através das ferramentas das redes sociais ou mesmo ocupando as ruas para pressionar por medidas que beneficiem a maioria dos brasileiros.

Gostaria, para encerrar o meu pronunciamento, parabenizar a classe dos professores pela medida tomada de não entrar em estado de greve, isso não contribui, não valoriza, e quem acaba pagando esse preço são os alunos e os próprios pais."

Quero parabenizar aqui a manifestação feita pelo jornalista Moacir Pereira, que traz o título: "Educação: prevaleceu o bom senso". Isso é importante.

Então, quero parabenizar a classe dos professores e dizer que certamente entre o governo e sindicato chegarão a um denominador comum.

Muito obrigado!

(SEM REVISÃO DO ORADOR)