90ª Sessão Ordinária - 22/11/2005
O SR. DEPUTADO AFRÂNIO BOPPRÉ - Sr. presidente, srs. deputados, eu também não poderia deixar passar o dia de hoje sem dar aqui a minha opinião a respeito da famosa reunião que ocorreu no norte da Ilha de Santa Catarina, no Costão do Santinho.
Estamos praticamente a uma semana, deputado Nelson Goetten, de relembrarmos o episódio da novembrada, de triste memória, aquele episódio que ocorreu em 30 de novembro de 1979, em função de uma ação truculenta da ditadura militar, no centro da capital catarinense, quando, com coturno, baionetas e cavalaria, o governo estadual, à época, reprimiu a manifestação de populares.
O governador, à época, era o hoje senador Jorge Bornhausen. E ontem medalhões da política catarinense se reuniram para fazer um desagravo. E a capa do jornal Diário Catarinense diz: "Desagravo provoca encontro histórico entre Luiz Henrique da Silveira, Esperidião Amin e Jorge Bornhausen."
Confesso, deputado Manoel Mota, que a foto, deputado Onofre Santo Agostini, estampada, hoje, em todos os jornais do ex-governador Esperidião Amin dirigindo-se de mãos entendidas ao governador Luiz Henrique da Silveira, ao lado do senador Jorge Bornhausen, é algo muito estranho. O sorriso de prazer, deputado Antônio Ceron, estampado no rosto do senador Esperidião Amin, vendo o governador Luiz Henrique da Silveira, num ambiente avesso, num ambiente que o governador sempre hostilizou e criticou, é muito interessante.
Sua Excelência chamava Jorge Bornhausen de chefe da oligarquia e dizia que o Paulinho Bornhausen era filhinho do papai, que Santa Catarina não podia ter, na mesma família, dois senadores, o pai e o filho. E agora está ao lado do senador Jorge Bornhausen! É de se estranhar! Vejam a cara de satisfação, de alegria de Esperidião Amin, vendo um estranho no ninho, deputado Manoel Mota! O problema é que agora ele se esforça feito aquele pássaro na Amazônia, que vai ocupar o ninho do outro. Ele está aqui buscando um espaço e vimos o esforço enlouquecido, tresloucado do governador Luiz Henrique da Silveira em fazê-lo.
Então, gostaria de deixar registrada aqui minha opinião. Acho que é preciso fazer crítica ao Judiciário, é verdade! Mas o fato inusitado não foi a presença do presidente do Tribunal de Justiça, pois politicamente o que mereceu capa de jornal, foi essa fusão que ocorreu onde o governador Luiz Henrique da Silveira se apresenta com essa faceta.
O Sr. Deputado Joares Ponticelli - V.Exa. me concede um aparte?
O SR. DEPUTADO AFRÂNIO BOPPRÉ - Pois não!
O Sr. Deputado Joares Ponticelli - Deputado, quero cumprimentar v.exa. pela manifestação que faz. Também fiquei perplexo ao ver, ontem, aquele que chamava Jorge Bornhausen de chefe das oligarquias comparecer a um evento de solidariedade.
Sempre fomos solidários ao senador Jorge Bornhausen; inclusive, quando o atual governador o agredia, atacava, chamava de chefe da oligarquia, nós o defendíamos. E ele, para nossa surpresa, lá compareceu ontem, como se nada tivesse acontecido. Mas essa é uma prática sua. Ele já traiu a sua companheira Rita Camata; portanto, é capaz de fazer coisas de que até Deus duvida.
O SR. DEPUTADO AFRÂNIO BOPPRÉ - Sr. presidente, queria registrar exatamente essa situação volúvel do governador, porque na eleição passada ele acariciou uma outra candidatura, mas trocou, inverteu. E hoje está aqui um namoro que não sabemos exatamente no que vai dar. Mas não poderia deixar passar em branco; por isso, registro este momento histórico.
Muito obrigado!
(SEM REVISÃO DO ORADOR)