18ª Sessão Ordinária - 05/04/2005
O SR. DEPUTADO FRANCISCO KÜSTER - Sr. Presidente, Sras. Deputadas e Srs. Deputados, o horário não era destinado a este Parlamentar, mas como o meu Colega está envolvido em outras atividades, eu farei uso dele até que ele compareça no Plenário.
Vou frustrar algumas expectativas, pois não vou falar do assunto que alguns gostariam que eu abordasse. Muito pelo contrário, este assunto nós vamos decidir no Fórum competente. Vou tratar, Sr. Presidente, de um problema que espero que não se confirme. Mas no ritmo que as coisas vão, vai se confirmar. É o processo de empobrecimento dos nossos trabalhadores, a perda do poder aquisitivo dos nossos trabalhadores.
A inflação, mesmo pequena, existe e é persistente. Ela persegue obstinadamente a bolsa popular e fere a economia frágil, a economia popular dos nossos trabalhadores. Os reajustes percebidos pelo conjunto da classe trabalhadora - e aí incluam-se os funcionários públicos federais, a quem foi acenado zero vírgula alguma coisa por cento de aumento no ano - são uma ofensa a quem construiu este País.
Pois bem, Sr. Presidente e Srs. Deputados, o Governo Federal adota as políticas de agrado do Fundo Monetário Internacional, da simpatia e da boa vivência com o Sistema Financeiro Nacional, que aufere lucros astronômicos e age maldosamente com quem vive de salário, com quem vive de contracheque: o funcionário público federal, o aposentado e por aí afora.
Isso - e aí retomo o início do meu pronunciamento - começa a ferir de morte o mercado interno, pois a capacidade de compra da nossa gente, do nosso povo, do nosso trabalhador está se esvaindo porque os preços dispararam; eles andam em alta velocidade, mas a manutenção do poder aquisitivo do nosso trabalhador está em ritmo de tartaruga. Esta é uma realidade cruel, mas muita gente faz de conta que não tem conhecimento ou não percebe esta realidade, Sr. Presidente e Srs. Deputados.
Vamos verificar o preço dos medicamentos, a forma com que acontece o reajuste dos medicamentos, a elevação das tarifas públicas, cujos valores são gerenciados pelo Governo Federal. Vamos verificar isso tudo e fazer uma acareação, Deputado Djalma Berger. Veremos que a realidade é uma só: o povo está empobrecendo, quem vive de contracheque está empobrecendo.
A bolha da geração de emprego começa a murchar, porque há também um devaneio na questão das exportações. E a culpa, daqui a pouco, será do câmbio. É uma moeda que começa a se desvalorizar no mundo e reflete aqui no País. Não vai demorar muito vamos ver empresários que apostaram tudo nas exportações enfrentando sérias dificuldades. Portanto, há muita fantasia nisso tudo. Eu só não ouso criticar duramente o Presidente Luiz Inácio Lula da Silva, mas no conjunto do seu Governo há muito descompasso, sim.
A ameaça de ajuste e de acerto com a Reforma Ministerial que acaba não acontecendo, daqui a pouco vai acontecer. É um Governo de faz-de-conta! Aí nos deparamos com os problemas do cotidiano da nossa gente - as calamidades, a estiagem, a burocracia e as promessas. Dinheiro contingenciado da infra-estrutura para fazer o agrado ao Fundo Monetário Internacional e outros interesses de donos do capital no mundo todo. É assim que acontece no Brasil.
A Cide, contribuição que incide sobre os combustíveis, que era para aportar recursos para a restauração das nossas rodovias, o que está acontecendo com esse dinheiro? Aí seria necessário também uma CPI para saber o que é feito com esse dinheiro, o seu montante.
Srs. Deputados, nem tudo que reluz é ouro. Há muito equívoco no reino da fantasia. Muita gente não quer ver, só quer ficar na futrica, na intriga pessoal, nas questões pessoais e menores. E o nosso País? Andando, nas condições das rodovias que temos neste País.
Daqui a pouco, se não nos apercebermos do ritmo das coisas, será tarde para travar um debate para encontrar o caminho para a solução dos graves problemas. O Governo Federal abocanha 65% de todo o dinheiro arrecadado neste País. E o que faz com ele? Faz um agrado, para alegria do Fundo Monetário Internacional e para o grande especulador nacional e internacional. É isso que faz. E ficam os Estados gerenciando suas dificuldades e pobreza com seus míseros 22%, e ficam os Municípios mendigando, indo a Brasília para tentar buscar recursos. E as reformas não acontecem, não saem. Porque é aquele faz de conta. O Congresso tem culpa, o Congresso não aprova. E aí o Congresso retribui a gentileza ao Governo Federal. Faz de conta que o Governo não quer que as coisas aconteçam. Até quando, Deputado João Henrique Blasi, vai esse faz de conta? Até parece um cachorro quando resolve pegar o seu próprio rabo e não consegue.
Sr. Presidente e Srs. Deputados, eu comecei falando sobre o empobrecimento de quem vive de contracheque, e não quero ser o poeta do caos, um poeta cassandrista, do quanto pior melhor. Mas a persistir essa caminhada, essa indiferença do Governo Federal, nós teremos logo, muito logo, um povo empobrecido, que vai comprometer o tal de mercado interno, e nós vamos ter sérias dificuldades, sim! E aí eu não sei o que vai acontecer!
É chegada a hora de deixar de lado o faz de conta! Nem tudo está tão bom quanto parece a não ser a arrecadação do Governo Federal, a não ser o lucro do sistema financeiro, a não ser o lucro dos grandes conglomerados e de algumas multinacionais, que aqui vêm e sugam a nossa riqueza!
Agora, as pessoas estão simplesmente sobrevivendo. Esta é uma realidade que precisa ser dita! É a verdade nua e crua! Esta é a realidade que nós enfrentamos hoje!
Tivemos, eu reconheço, uma bolha de crescimento, com o surgimento de novas oportunidades de trabalho, mas não foi além disso! E aí ficam pondo a culpa na polícia porque a violência aumenta! É claro, nosso jovem não encontra oportunidade de trabalho, de emprego! Onde está o Primeiro Emprego? Onde está a oportunidade de trabalho do nosso jovem? Ah! porque nós temos o Fome Zero! Onde está o Fome Zero?!
É preciso dizer muitas verdades a tudo e a todos, encarar de frente essa realidade e não dizer apenas que é culpa do FHC. Mas, meu Deus, será que não há Governo há dois anos e tanto?! Será que não há Governo neste País há mais de dois anos?! É, Deputado Pedro Baldissera, dizer que é culpa do ex-Presidente Fernando Henrique Cardoso é fácil!
Por isso, Sr. Presidente e Srs. Deputados, o discurso é fácil. Eu também sei fazer discurso, sim! Também sei, às vezes, achar culpado onde não existe! Mas acontece que aqui não há ninguém que tenha nascido ontem, não há ninguém que tenha chegado por acaso. Aqui todos chegaram conduzidos pelo voto popular, aqui todos chegaram, num determinado momento de suas vidas, porque conseguiram fazer o convencimento do eleitorado!
Portanto, temos que debater, sim, os grandes problemas que afligem o nosso povo no dia a dia, as reformas que não acontecem, a mediocridade de alguns, a hipocrisia de outros, uns que querem tudo, mas que nos bastidores não querem nada, e outros que até desejam as coisas, mas que não têm competência para fazê-las.
É preciso dizer isto a todos em alto e bom som e não ficarmos apenas e tão-somente querendo pinçar alguém como bode expiatório e com isso aguardar, ver o tempo passar, pensando: não, o tempo vai passar e eu tiro de letra essa aí, porque há ali uma CPI que querem fulminar...
(Discurso interrompido pelo término do horário regimental.)
(SEM REVISÃO DO ORADOR)