Sessões Plenárias

Pronunciamento

Deputada Professora Odete de Jesus

86ª Sessão Ordinária - 09/11/2005

A SRA. DEPUTADA ODETE DE JESUS - Sr. presidente, sra. deputada, srs. deputados, imprensa falada, escrita e televisada, amigos que nos assistem, ontem ocorreu um episódio muito triste dentro desta Casa Legislativa, que eu, como parlamentar, como ser humano, como educadora, não aprovo. Eu não aprovo e ontem pudemos ver uma manifestação triste, lamentável, quando as pessoas invadiram o nosso recinto de trabalho. Se alguém estivesse armado, nós poderíamos ter sido mortos aqui, porque essa parede de vidro não protege.

Hoje, nós temos no Diário Catarinense, em sua primeira página, o episódio ocorrido aqui ontem. Que bom que hoje os policiais estão de prontidão.

O Sr. Deputado Afrânio Boppré - V.Exa. me concede um aparte?

A SRA. DEPUTADA ODETE DE JESUS - Daqui a pouco eu concederei um aparte a v.exa.

Mas ontem eu pude ver a bravura de uma policial, a soldado Andressa, que trouxe orgulho para as mulheres catarinenses. A soldado Andressa, com toda a sua delicadeza, com todo o seu treinamento, com toda a sua determinação, é claro que os outros policiais também, com toda a sua bravura, mostrou equilíbrio e trouxe orgulho para as mulheres do estado de Santa Catarina.

Ela conseguiu barrar os manifestantes e isso chamou a atenção, porque os demais colegas parlamentares comentaram sobre a sua bravura e hoje ela aparece na primeira página do Diário Catarinense. Uma mulher policial que não teve medo, que mostrou a sua bravura e mostrou que o comando da Polícia Militar é um comando que dá um bom treinamento. Ela está de parabéns!

E eu inclusive estarei mandando uma indicação para o comando da Polícia Militar para que essa soldado seja promovida, porque as mulheres também precisam ter esse reconhecimento. As mulheres têm que ter o seu reconhecimento. Não vou desmerecer os demais policiais, mas ela mostrou muita coragem. Com toda a sua classe e delicadeza, ela conseguiu controlar o tumulto.

Nós tínhamos votação ontem aqui, mas não conseguimos dar continuidade aos trabalhos legislativos devido ao tumulto que ocorreu nesta Casa Legislativa.

Quero também parabenizar o presidente desta Casa, que suspendeu a sessão para que os ânimos voltassem ao normal, e dizer que queremos trabalhar tranqüilos aqui dentro.

Eu lecionei por longos anos em diversos municípios de Santa Catarina e em nosso ambiente de trabalho queremos tranqüilidade. Aqui é o nosso cantinho, o recinto onde trabalhamos e queremos trabalhar tranqüilos.

Existem as galerias para que as pessoas façam as suas manifestações. Não sou contra a manifestação. Eu, como professora, fui grevista e participei de muitas greves em outros anos, juntamente com os meus colegas professores. Eu, como professora, participei das greves, mas dentro dos seus devidos limites. Não sou contra a manifestação, acho que as pessoas devem manifestar-se, por isso elas têm voz.

O Sr. Deputado Afrânio Boppré - V.Exa. me concede um aparte?

A SRA. DEPUTADA ODETE DE JESUS - Já lhe concederei um aparte, deputado Afrânio Boppré, senão não conseguirei concluir a minha idéia.

Mas não sou contra a greve! As pessoas devem fazer as suas manifestações, mas nós, parlamentares, não podemos correr risco! Estamos aqui representando a sociedade catarinense; estamos aqui como porta-voz dos trabalhadores. Por isso temos de ter, e merecemos ter, segurança.

Então, parabenizo os srs. policiais que estão nas portas, daqui vejo alguns, e parabenizo principalmente o presidente desta Casa, que tomou as devidas providências.

Ouço v.exa., deputado Afrânio Boppré, líder do P-Sol, com muito prazer.

O Sr. Deputado Afrânio Boppré - Muito obrigado, deputada Odete de Jesus. Quero fazer um reparo.

A meu juízo, v.exa. tem todo o direito de fazer crítica, de discordar do tipo de manifestação. No entanto, acho que há certo exagero de sua parte e isso é preocupante do ponto de vista político, porque as pessoas que manifestaram ontem e que estão hoje novamente aqui com um grupo bem maior para manifestar também no dia de hoje contra o processo de privatização que o governador Luiz Henrique quer imputar à Celesc, não são pessoas que andam armadas, não são bandidos que entraram no plenário para ameaçar a vida dos deputados. São companheiros de luta, são companheiros do movimento social que tiveram uma atitude para protestar contra uma questão que eles consideram importante.

Então, querer interpretar que a nossa vida esteve ameaçada é um exagero de sua parte. Queria apenas divergir na medida em que são pessoas conhecidas por todos os deputados. Afinal de contas, são interlocutores das negociações dos projetos de lei, dos projetos que tramitam nesta Casa, participam das reuniões. São lideranças sindicais, pais de família, trabalhadores, têm nome e endereço e vieram aqui para protestar!

A SRA. DEPUTADA ODETE DE JESUS - Mas aqui dentro não!

O Sr. Deputado Afrânio Boppré - Não são pessoas que colocaram as nossas vidas em ameaça.

A SRA. DEPUTADA ODETE DE JESUS - Aqui dentro não! Eles podem manifestar-se lá fora!

O Sr. Deputado Afrânio Boppré - Deputada, eles não colocaram as nossas vidas sob ameaça. O que acontece...

A SRA. DEPUTADA ODETE DE JESUS - Com licença, que o horário é meu, deputado!

O Sr. Deputado Afrânio Boppré - Era isso o que eu queria dizer: a criminalização do movimento social que v.exa. está colocando...

A SRA. DEPUTADA ODETE DE JESUS - O horário é meu, deputado!

O Sr. Deputado Afrânio Boppré - ...divergindo da sua interpretação.

A SRA. DEPUTADA ODETE DE JESUS - O horário é meu, deputado!

O Sr. Deputado Afrânio Boppré - V.Exa. me concedeu um aparte.

A SRA. DEPUTADA ODETE DE JESUS - Eu lhe concedi um aparte breve! Eu não disse que alguém entrou armado aqui! V.Exa. não coloque palavras na boca desta deputada! Eu não disse que alguém entrou aqui armado!

Eu falei que o tumulto foi demais e realmente foi demais. O tumulto foi demais! Nós tivemos que parar com os nossos trabalhos, com votações importantes que teríamos e perdemos tempo! Ficamos prorrogando, prorrogando... As pessoas ficaram aqui deitadinhas, deputados. Eles invadiram o nosso recinto de trabalho. Eles poderiam fazer as suas manifestações, mas não aqui dentro do nosso recinto de trabalho. Isso é demais!

Amanhã ou depois entram aqui, assumem o lugar do presidente, e como é que nós vamos ficar?!

(Vaias das galerias)

Vocês, com o seu gesto, não demonstraram que são pais de família, como o deputado salientou. Eu gostaria que o meu horário fosse respeitado!

Sr. presidente, gostaria de parabenizar uma pessoa, mas vou deixar para fazer isso às 15h, no horário dos Partidos Políticos, horário em que terei mais tempo.

Muito obrigado!

(SEM REVISÃO DO ORADOR)