Sessões Plenárias

Pronunciamento

Deputado Nelson Goetten

48ª Sessão Ordinária - 29/06/2005

O SR. DEPUTADO NELSON GOETTEN - Sr. Presidente e Srs. Deputados, quando a Deputada Ana Paula de Lima chegou ao Plenário, este Parlamentar estava preparado para se pronunciar com revistas e outras manchetes. Mas, para fazer-lhe uma homenagem, já que é uma Parlamentar sempre muito elegante no tratamento das pessoas, eu não vou usar deste expediente. Vou fazer coro àquilo que o Companheiro Francisco Küster disse aqui e aproveitar este momento para me dirigir àqueles amigos e ex-Companheiros partidários.

Eu também concordo com ele - e quem sou eu para colocar palavras na boca de alguém - e quero dizer aqui de um sentimento meu que me deixa triste também, como disse o Deputado Altair Guidi. Penso que a primeira grande injustiça do PP foi desrespeitar o Deputado Altair Guidi, um cidadão com a qualidade, com o valor e com a história que tem para a política catarinense, baseado numa decisão dele, já que votou em favor dos catarinenses.

Por que injustiça? Porque testemunhei nesta Casa - e o Deputado Joares Ponticelli também - um momento importante para os catarinenses. Estava nesta Casa para ser votado um projeto de lei, que dava oportunidade a Santa Catarina ter 500 quilômetros de novas rodovias e 800 quilômetros de rodovias recuperadas e na ocasião precisávamos constituir 21 votos e não conseguimos. O PMDB, na oportunidade, Deputado Manoel Mota, fechava questão contra a votação a favor daquele projeto. Mas um cidadão catarinense da sua Bancada, Deputado Romildo Titon, desobedeceu à determinação partidária e emprestou aquele voto.

Obrigado, Deputado Romildo Titon! V.Exa. emprestou o voto para os catarinenses e hoje as obras acontecem, e para isso não precisou mudar de Partido, de cara, nem de valor. Seria injusto se naquela oportunidade tivéssemos visto o PMDB tirá-lo ou expulsá-lo do seu Partido.

Tivemos ainda uma outra prova de fogo em Santa Catarina. Estávamos para perder o Besc; a intervenção era iminente e certa, o que faria com que os funcionários perdessem o emprego, como também perderiam os acionistas o seu patrimônio porque a intervenção seria o fim. Aí de novo passamos por mais uma prova de fogo, porque precisássemos constituir mais um voto para ter os 21 votos necessários para federalizar aquela instituição e mantê-la como catarinense, como está hoje. E o ex-Deputado Ivo Konell, desobedecendo ao seu Partido, emprestou aquele voto para os catarinenses.

Obrigado, Ivo Konell! O senhor não está aqui por injustiça da Justiça, infelizmente. Por tão pouco o senhor não está aqui, mas pela sua qualidade aqui merecia estar. Por isso é justa esta homenagem.

Quem sou eu para criticar um Partido que me ensinou a fazer política, como o PP, mas ele cometeu uma injustiça contra o Deputado Altair Guidi, porque S.Exa. votou a favor dos catarinenses.

Ontem eu me emocionei no Alto Vale do Itajaí, na minha valorosa Rio do Sul, quando chegou lá o Governo dos catarinenses munido do respaldo que vinha do Fundo Social e assinou o maior convênio da história do Alto Vale do Itajaí, o maior de Rio do Sul, no valor de R$ 28 milhões, sendo R$ 16 milhões para a pavimentação, que é o sonho daquele povo, da estrada que interliga Agronômica a Lontras, de Rio do Sul, e para mais 600 casas populares, para um Prefeito, sabe de que Partido, Deputado Manoel Mota? Um Prefeito do PP. E sabe quantas pessoas nós colocamos dentro de uma sala? Mil pessoas. Sabe a que Partidos pertenciam essas pessoas? Oitocentas pessoas, das mil, eram do PP. E o Prefeito, um grande líder do PP, provavelmente neste momento está concedendo entrevista coletiva para a imprensa catarinense, dizendo do repúdio contra o seu Partido, da revolta contra o seu Partido. E por certo, nas notícias de hoje, veremos aquelas 800 pessoas, a maioria empresários e lideranças, manifestando-se tristes com o Partido, porque são pessoas de bem, que ajudaram a fazer uma bela história, mas hoje estão azedos. O fel e a raiva são colocados acima das questões de Santa Catarina, das questões político-partidárias.

Estou triste porque conheço o valor desses companheiros do PP. Eu aprendi a fazer política com o PP, mas neste momento eu me sinto um pouco aliviado por não estar sob o comando desses que não conseguem entender que as mudanças aconteceram e acontecem.

O político tem que ter percepção. Muitas vezes não basta apenas ter razão. Muitas vezes só a racionalidade não manda, às vezes tem que ter a percepção do sentimento da sociedade. E o sentimento que a sociedade tem é de desespero - ela precisa de amparo. O sentimento que nós temos é que no interior não chegam mais recursos para obras, e é lá que moramos e queremos ficar. Não queremos vir para as grandes cidades. A ação já era predatória contra a gente do interior, quando nós, naquela oportunidade, perdíamos 48% do Fundo para atender às grandes cidades.

Portanto, eu quero, neste momento, agradecer ao Governador Luiz Henrique da Silveira por ter a grandeza de ficar com aquilo que é certo. E para isso não precisamos mudar de Partido, não precisamos mudar a cara. Nós precisamos ter a grandeza do reconhecimento, e quando uma obra dessa importância é assinada, é viabilizada, nós todos temos que dizer muito obrigado!

Sr. Presidente Herneus de Nadal, muito obrigado, é o que podemos dizer ao nosso Governador, ao Governador dos catarinenses, porque deu oportunidade para assinarmos esses dois importantes convênios, que não foram assinados para os peemedebistas, mas sim para a gente do Alto Vale, onde tem gente do PMDB, do PP, do PFL, do PPB. Lá mora gente que trabalha, gente que constrói, gente que tem sonho, gente que tem o melhor; gente que faz o melhor por Santa Catarina e quer apenas oportunidade.

Só queria dizer isso. Não tenho o direito de dizer outra coisa a não ser dizer da tristeza, a não ser me juntar aos sentimentos de revolta, pois hoje se tem uma posição contínua na busca de se viabilizar a administração ou prejudicá-la.

Eu transfiro o resto do tempo destinado ao nosso Partido ao Deputado José Carlos Vieira, que vem engrandecer ao trazer seus conhecimentos a esta Casa Legislativa. S.Exa. um grande Parlamentar, é um grande cidadão da vida pública, e vai fazer uma homenagem a um ex-Parlamentar, Livadário de Nóbrega, de 90 anos de idade.

Muito obrigado!

(SEM REVISÃO DO ORADOR)