Sessões Plenárias

Pronunciamento

Deputada Ana Paula Lima

19ª Sessão Ordinária - 03/04/2003

A SRA. DEPUTADA ANA PAULA LIMA - Sr. Presidente, Deputado Volnei Morastoni, Sra. Deputada e Srs. Deputados, na tarde de ontem recebemos uma visita de um grupo da Terceira Idade da cidade de Blumenau, onde desenvolvemos um projeto muito interessante, chamado Movimento e Vida. Pela primeira vez, essas senhoras e senhores tiveram a oportunidade de visitar a Assembléia Legislativa e ficaram muito encantados com o recebimento que o Presidente prestou a eles e também com alguns Deputados da nossa Bancada do Partido dos Trabalhadores.

Não foi em vão que a CNBB escolheu este ano como tema: Vida, Dignidade e Esperança. Fraternidade às pessoas idosas.

Nós precisamos rever todo esse tratamento que damos às pessoas idosas.

(Passa a ler)

Nas sociedades primitivas, o idoso é o pilar da comunidade. Porque é naturalmente reconhecido como detentor do conhecimento e da sabedoria.

No seio dos povos indígenas, temos exemplos da importância que é dada ao papel dessas pessoas, na vida da coletividade. Sua palavra é ouvida quase como algo sagrado. São reverenciados com o mais profundo respeito.

Nas sociedades capitalistas modernas do Ocidente, com a expansão do conhecimento e facilitado seu acesso pela atividade editorial e, sobretudo, pela eclosão dos meios de comunicação de massa, privilegiou-se, distorcidamente, o consumismo mais voraz, perdendo-se de vista então os valores humanos fundamentais.

O que se sabe, porém, é que em sociedades mais antigas, que guardam seus valores tradicionais, como no Japão, China, Índia, e outras populações do Oriente, persiste ainda a prática salutar de respeito ao idoso, pessoas que representam para essas populações um simbolismo todo particular e especial, dado que encarna toda uma mística que figura a trajetória de sua herança.

Há uma admirável riqueza em torno do imaginário coletivo, passado e presente se fundem num só elo, quando religião, tradições, valores, cultura criam um liame que fortalece a identidade desses países que os projeta no mundo das nações.

Por certo deverá ser este um dos enigmas que temos a decifrar.

Precisamos repensar nosso País, a partir desses novos ares que o agitam, trazendo também esta questão à discussão pública, considerando-se o exemplo apontado nos países asiáticos, pois que destino teremos nós se acaso não soubermos ter em conta a contribuição dada pelo idoso e seu fundamental papel da construção do País. Este é um referencial que está na raiz do comportamento social e se reflete diretamente sobre nossa determinação de constituirmos ou não uma Nação forte, pujante, soberana.

O que querem os nossos jovens? O que fazem da vida? Quais seus objetivos? Que geração é esta? E assim estamos decidindo o nosso futuro, o nosso destino.

Na raiz de todo este questionamento está o respeito aos mais velhos, o que representam, o que podem passar para as gerações vindouras, a densidade do poder de decidirmos sobre nós próprios, os caminhos que escolhemos, o destino que traçamos, a meta que queremos, no dizer da grande questão que se coloca na filosofia.

E o desenvolvimento, a afirmação de um povo, sua transformação em nação é, sem dúvida, uma questão intrinsicamente de filosofia. A grande pergunta filosófica que se põe diante de um povo.

Fundamentados nestas indagações, criamos em Blumenau um programa no Governo popular de valorizarmos a figura dessas pessoas que configuram a geração dos pais e avós que precedem às presentes gerações, que está concretizado no Movimento é Vida.

Inicialmente tem como propósito promover o entrelaçamento de concidadãos, homens e mulheres da Terceira Idade, para que possam confraternizar, conviver e permutar alegrias e experiências individuais, de modo que possam fazer deste momento de sua existência uma travessia amena e feliz, realizando-se como seres humanos na culminância da existência.

Mas que não nos esqueçamos que na sua vida, no seu passado, nas suas agruras, no seu sofrimento, nas suas lutas, no seu conhecimento, na sua sabedoria, enfim, está inscrito e registrado, com letras garrafais, o nosso futuro, o futuro das gerações, de um povo, de um país."

E falando sobre a Campanha da Fraternidade e pessoas idosas, neste ano, Dom Raimundo Damasceno Assis diz o seguinte: "que a campanha da fraternidade deste ano nos ajude a sermos mensageiros da vida, da dignidade, da felicidade e da esperança para todas as pessoas idosas do nosso Brasil."

Muito obrigada!

(SEM REVISÃO DA ORADORA)