Sessões Plenárias

Pronunciamento

Deputado Ronaldo Benedet

46ª Sessão Ordinária - 17/06/2003

O SR. DEPUTADO RONALDO BENEDET - Sr. Presidente e Srs. Deputados, quero parabenizar o Deputado Altair Guidi pelo seu pronunciamento.

Sou apaixonado por esse assunto e vejo que o nobre Deputado, pela sua sensibilidade política e de arquiteto também entende que a saída é nesse sentido. Preciso, pois, conservar a natureza para que se transforme em renda, em recursos. Só assim nós vamos ter a natureza preservada. As nossas encostas da serra são exatamente um ponto de riqueza para o turismo; já que existe a proibição de derrubar as matas, de explorar a natureza inadequadamente, devemos aproveitar para explorar o turismo de observação de pássaros, as belezas das nossas encostas, etc.

Parabéns, Deputado, pelo seu trabalho que achei muito profundo e consistente e dá mostras de que conhece o tema.

Venho à tribuna da Casa para, também, mostrar ao povo de Santa Catarina que nós estamos preocupados com temas sérios e importantes, como a geração de empregos, a conservação da natureza. Todas essas são questões modernas de geração de riquezas, de diminuição do desemprego, explorando a natureza no bom sentido.

Uma questão importante que o Deputado Altair Guidi colocou aqui é muito pertinente ao livro que estou lendo, intitulado "Capitalismo Natural", que prevê a utilização da natureza, fazendo com que ela se transforme no seu capital, para você poder obter renda através dela, sem destruí-la.

Mas o que eu trago a esta Casa acaba tendo consonância com esta questão. Nós estamos vivendo a era do conhecimento e temos um número de desempregados muito grande. Há 20 anos, quando não havia a obrigação constitucional de aplicar 25% dos recursos da arrecadação, a educação não era prioridade. Com esta obrigação, os Governos passaram a investir e uma geração passou a receber mais informação. Crianças que à época tinham oito anos, hoje estão na casa dos 20 anos e formam uma geração que tem trabalho, porque recebeu conhecimento. Trabalha com computadores, cria riqueza através de softwares; são pessoas preparadas, que acreditaram e viram na natureza a possibilidade da exploração da agroindústria, dos projetos de agroecologia, de agroturismo.

Neste final de semana, em Criciúma, fiquei abismado e satisfeito em ver o Projeto Chão de Fábrica funcionando num edifício no centro da cidade, onde estavam 40 jovens produzindo softwares, que iriam ser espalhados pelo Brasil inteiro. Uma indústria limpa, de alto valor agregado.

Mas nós temos um problema no mundo, no nosso Estado e na nossa cidade, Deputado Altair Guidi, que já foi Prefeito, que são as pessoas na faixa etária de 35 a 40 anos desempregadas, porque a sua profissão não existe mais, pois a tecnologia tomou conta.

O que essas pessoas, que estão fora da era do conhecimento e que com o aumento da expectativa de vida vão chegar aos 80 anos, vão fazer? Elas estão sem profissão, fizeram somente o 1º grau, alguns fizeram o 2º grau e outros, ainda, cursaram a universidade, mas não se reciclaram!

O que dizer, então, das pessoas que não estudaram, que estão com 40 anos de idade! Vão ficar mais 40 anos sem fazer nada? E o pior de tudo é ver essas pessoas em depressão, angustiados porque não estão se sentindo úteis no mundo.

Precisamos nos unir nesta Casa para fazer uma revolução neste Estado em termos de ensino, como foi feito em Singapura, que investiu mais de 60% do seu orçamento em educação, relegando outras questões, até mesmo obras e estradas, a um segundo plano.

Precisamos elevar o nível de ensino das pessoas, daquelas condenadas ao ostracismo do trabalho, da convivência, que têm hoje 35 ou 40 anos e que não sabem ainda operar um computador, que não se renovaram na sua profissão, no seu trabalho, até porque algumas profissões foram extintas.

Em Criciúma, temos mais de 20 mil funcionários na área da cerâmica, e muitos eram controladores de prensa, controladores de qualidade, que tinham de bater no piso cerâmico. Hoje isso não existe mais porque é tudo automatizado, computadorizado, e com melhor qualidade, e agora essas pessoas não têm mais trabalho! E não há crime maior do que o Governo ou nós, que somos responsáveis, não dar trabalho e com isso a dignidade.

O Deputado Wilson Vieira, que é líder sindical, há 15 ou 20 anos lutava por melhores salários, pelos direitos dos trabalhadores; hoje, muitos desses trabalhadores pedem apenas o direito ao trabalho. E hoje, ao invés de evoluir no direito do trabalho - sou professor de Direito do Trabalho e preguei, defendi os direitos dos trabalhadores e a ampliação desses direitos -, vemos os trabalhadores pedindo trabalho.

O que temos de fazer? A grande solução é investir maciçamente na reeducação, colocar novamente na sala de aula para terem uma nova primavera, uma nova esperança aqueles que pensam que sua vida já acabou, que pensam que são inúteis e que não podem produzir. Podem, sim! A grande maioria aqui tem mais de 40 anos de idade, próximo dos 50, com exceção das mulheres, claro, que sempre têm menos de 40 anos, e querem dar uma nova primavera às pessoas e a reeducação escolar é uma proposta que temos de pensar.

O Estado deve dar gratuitamente escola profissionalizante a essas pessoas para que se sintam úteis e possam retornar ao mercado de trabalho, pois experiência eles têm. Muitas vezes pessoas com experiências de vida, madura, requalificada, vai servir muito mais ao seu País, à sua cidade, a uma empresa.

Esse é o desafio do mundo em que vivemos, do novo mundo, do mundo da informática. Eu posso dizer que sou semi-analfabeto porque muito pouco sei usar o computador, porque se diz que na era do conhecimento não saber usar o computador assim como joga futebol o Ronaldinho, terá muitas dificuldades. Imaginem, então, o cidadão que está precisando de emprego!

O Sr. Deputado Antônio Carlos Vieira - V.Exa. me concede um aparte?

O SR. DEPUTADO RONALDO BENEDET - Pois não!

O Sr. Deputado Antônio Carlos Vieira - Deputado Ronaldo Benedet, o assunto que V.Exa. traz hoje é realmente muito importante. Creio que esta Casa, independentemente de sigla, de posição partidária, tem de levar em conta que como o País é muito grande e jovem precisa criar empregos para colocar esses milhões de novos brasileiros prontos para o trabalho.

Mas não se pode esquecer daqueles que já passaram dos 40, daqueles que chegaram aos 50, daqueles que ultrapassaram os 60, como eu.

Eu me coloco inteiramente a sua disposição, porque V.Exa. se declarou um ignorante em termos de informática e eu também o sou. Eu, quando muito, posso acessar uma página, mas eu me complico muito quando o computador me faz alguma pergunta. Daí eu me embaralho todo. É a mesma coisa que falar outra língua, além do português. Muitas vezes sabemos fazer a pergunta, mas não sabemos a resposta.

Então, nós nos colocamos à disposição de V.Exa. para entrarmos nessa grande missão!

O SR. DEPUTADO RONALDO BENEDET - Muito obrigado, Sr. Presidente e Srs. Deputados!

(SEM REVISÃO DO ORADOR)