82ª Sessão Ordinária - 21/10/2003
A SRA. DEPUTADA ODETE DE JESUS - Sr. Presidente e Srs. Deputados, platéia, alunos, professores, o que nos traz à tribuna no dia de hoje é para falar de um assunto, Deputado Djalma Berger, que está assustando toda a população catarinense e, por que não dizer, a população da Grande Florianópolis.
Como nós podemos ler nos jornais, assustamo-nos com tanta violência. E como vencer a violência que ronda as cidades? Até quando o povo vai ser vítima do pânico e do medo?
Em Santa Catarina, a cada dia, crescem os índices de violência. Aqui mesmo na Capital, na bela cidade de Florianópolis, as manchetes dos jornais registram três assassinatos na Capital, num período de 24 horas. Conforme dados oficiais, em 2000, foram assassinados 71 pessoas e nos primeiros meses de 2003 já foram registrados cerca de 300 homicídios.
E o mais absurdo e alarmante nesses dados é saber que 80% dessas vítimas eram jovens entre 16 e 25 anos de idade, na grande maioria envolvidos com drogas. São jovens sem profissão e estudo que caem na fantasia do ganho fácil, trágico. São aliciados e usados impunemente, pelo crime cujo preço a pagar é a própria vida.
Essa onda de violência está nas ruas, na cidade, invadindo até nossas casas, escolas e praças. Estive conversando com uma professora esses dias, e ela é uma pessoa que precisa ganhar o pão de cada dia. Essa professora abandonou a escola. Simplesmente teve que abandonar, porque ficou com mede de morrer com balas perdidas.
No Diário Catarinense, de ontem: "PM acusado de matar após briga. Cinco pessoas perderam a vida neste final de semana, vítimas de homicídio em Santa Catarina, na Capital".
Foram registrados três assassinatos e assim por diante. Um Sargento está detido no 4° Batalhão da Polícia Militar.
Em frente ao Instituto Estadual de Educação, em pleno Sábado, tendo aula, o Sargento, apenas por uma discussão banal, perdeu o controle, perdeu o seu domínio e matou pessoas a sangue frio.
Nós não podemos mais admitir tanta violência. As pessoas andam muito nervosas, raivosas, sem amor pelo próximo. Só pensam em matar, em destruir. É demais. Nós não podemos admitir tanta violência.
Srs. Deputados, diante de tanto medo por que passa a população, ela se sente ameaçada em sua integridade. Urge que sejam adotadas políticas de prevenção à violência, e o nosso papel nesta Casa é muito importante. Somos três Deputados, num total somos 40, e temos que tomar algumas atitudes.
Não podemos mais sair nas ruas com medo de uma bala perdida. Nossos filhos não podem mais transitar livremente aqui na Capital, que era uma cidade de paz.
Deputada Ana Paula de Lima, não temos mais nem sossego. Nossos filhos saem de casa e não sabemos se vão voltar vivos ou não. Nós temos que tomar uma medida mais imediata e enérgica contra esta violência que assola a nossa cidade, enfim, o nosso Estado.
Hoje os bandidos arrombam as casas e fica por isso mesmo. Entram nos supermercados, nos restaurantes e fica por isso mesmo. Não podemos admitir isso. Esta Deputada está revoltada com essa situação agravante aqui no nosso Estado.
Srs. Deputados, isso é triste; e pior ainda: não podemos confiar nos policiais que deveriam nos dar o aparato de proteção. Então, em quem podemos confiar? Quando víamos um militar fardado, sentíamo-nos contentes por estar protegidos, mas hoje não podemos mais nem confiar.
É muito sério o que está acontecendo. Tínhamos que tomar atitudes sérias, enérgicas e drásticas. É uma tristeza que recai sobre a nossa cidade.
Muito obrigado!
(SEM REVISÃO DO ORADOR)