12ª Sessão Ordinária - 02/03/2011
A SRA. DEPUTADA DIRCE HEIDERSCHEIDT - (Passa a ler.)
"Sr. deputado Moacir Sopelsa, presidente em exercício, sras. deputados, srs. deputados, quero aqui saudá-los e estender também meus cumprimentos a todos os funcionários desta Casa, os que nos acompanham pela TVAL, pela Rádio Alesc Digital, principalmente às mulheres e aos homens que estão aqui reivindicando os seus direitos.
Faço uso da palavra para dividir com a sociedade catarinense a questão da mobilidade urbana, algo que assola a Grande Florianópolis, trazendo como tema o transporte marítimo.
Na semana passada, recebi a visita do prefeito de Palhoça, Ronério Heiderscheidt, que me pediu para que encaminhasse na reforma administrativa do governo estadual a criação de uma gerência de transporte marítimo no Deter. Essa reivindicação é uma necessidade identificada pelo próprio Deter e agora também do presidente do Fórum Parlamentar de Mobilidade Urbana, representado pelo vereador Ricardo Vieira, que fez questão de visitar o prefeito em Palhoça para oficializar o apoio da Câmara de Vereadores da capital.
O primeiro fórum aconteceu nesta segunda-feira, na Câmara de Vereadores de Florianópolis. O assunto discutido naquele encontro foi considerado por todos nós como um grande desafio, que é a implantação do transporte marítimo na região metropolitana, que é uma das principais soluções para a falta de mobilidade urbana.
Falar em mobilidade urbana na atualidade é uma questão de necessidade, pois não podemos ser coniventes com os inúmeros congestionamentos de nossas avenidas e rodovias, e temos como exemplo a Via Expressa, a avenida Ivo Silveira, entre outras, formando verdadeiros gargalos viários.
Entendemos que uma das soluções seria o sistema de transporte marítimo regional por termos condições viáveis para esse tipo de transporte, por ser Florianópolis uma cidade premiada no turismo, que é, aliás, o melhor destino turístico do país e considerada a capital do Mercosul.
Fatores que contribuem para a implantação do transporte marítimo:
Explosão do crescimento populacional e do uso constante do automóvel como meio de transporte. Antigamente um carro atendia a todos os seus familiares, hoje todos os membros da família possuem carro;
Integração facilitada do transporte marítimo ao sistema de transporte coletivo sem qualquer impacto financeiro significativo, podendo atingir quatro principais municípios da Grande Florianópolis - Palhoça, São José, Biguaçu e Florianópolis;
Excelente opção como alternativa de ligação ilha/continente livre de todo o entroncamento e congestionamento da malha viária da região central da Grande Florianópolis;
Capacidade de oferecer acomodações confortáveis com ar condicionado e sistema de TV aos passageiros, conforme teste já realizado com a embarcação catamarã, que é o modelo ideal para a nossa corrente marítima, sendo que a partir de 15 de março teremos um catamarã à disposição na Grande Florianópolis para demonstração e para ser avaliado por toda a sociedade (em breve virá o convite ao sr. governador e aos srs. deputados para que façam a primeira viagem);
Opção do Sistema de Comunicação e uso de internet nas Embarcações Marítimas (embarcação Catamarã);
Serviços de atendente para pequenas refeições durante o percurso;
Oferece estrutura capaz de atender confortavelmente a passageiros com necessidades especiais;
Transporte de bicicletas nas embarcações e bicicletários nas estações de integração;
Salas de espera com TV, quiosques e sanitários nas estações de integração: sanitários masculino e feminino nas embarcações.
Em Palhoça foi criado o Projeto de Lei n. 3.371, de 2010, que institui o transporte marítimo no referido município, que poderá se estender às demais cidades que compreendem a região metropolitana de Florianópolis, sendo que já há apoio da Marinha, da Superintendência de Patrimônio da União (SPU), dependendo agora da anuência dos prefeitos de São José, Florianópolis e de Biguaçu para a implantação na Grande Florianópolis.
Áreas mapeadas/adesão dos municípios: em Palhoça já existem oito áreas mapeadas para implantação das áreas de embarque e desembarque, sendo que naquele município o sistema será autosustentável, conforme estudos.
Precisamos, no total, de apenas mais quatro pontos interligando Palhoça, Florianópolis, São José e Biguaçu, absorvendo assim a grande massa populacional da Grande Florianópolis.
Convém salientar que temos, hoje, recursos do governo federal (em torno de R$ 90 milhões) para o estudo do potencial hidroviário do estado de Santa Catarina.
Enfim, a implantação do sistema de transporte marítimo não ultrapassará a R$ 10 milhões para toda a região metropolitana, conforme estudos já realizados.
A viabilização financeira, portanto, é baixa, pois além do baixo custo de implementação, a pesquisa de referência declarada (projeção da demanda), tememos que exista hoje um público alvo diário de 18.387, que poderá usufruir do transporte marítimo, do total de 43.556 que necessitam do precário transporte coletivo diário na região metropolitana, dando, portanto, autossustentabilidade e rendimentos aos interessados.
Por isso esse sistema propõe ser o primeiro sistema integrado de transporte urbano da região metropolitana de Florianópolis, com plena viabilidade técnica e financeira em todos os sentidos.
Enfim, no mar já existem grandes avenidas, nelas não há congestionamentos nem gargalos viários, as quais já estão prontas para navegar, e sem pedágio."
Então, srs. deputados e sras. deputadas, esse é um desafio para implementarmos o transporte marítimo na Grande Florianópolis.
Muito obrigada!
(SEM REVISÃO DA ORADORA)