73ª Sessão Ordinária - 04/09/2008
O SR. DEPUTADO JOSÉ NATAL - Sr. presidente, srs. deputados, catarinenses que nos prestigiam através da TVAL e da Rádio Alesc Digital, pessoas que nos prestigiam na sessão de hoje.
Eu quero trazer um tema aqui que julgo importante e ao qual tive acesso. O jornal Folha de S.Paulo, através do Datafolha, numa pesquisa intitulada "Quem é o brasileiro entre 16 e 25 anos", considerada a maior pesquisa do século XXI, traz números que chocam em todos os níveis.
(Passa a ler.)
"Foram entrevistadas em nosso país, entre 16 e 25 anos, 1.621 pessoas, com 120 perguntas, em 168 cidades do país. Destas 120 perguntas, 90 eram sobre tema livre, mas 30 perguntas foram feitas individualmente e entregues para o pesquisador em um envelope lacrado. Essas 30 perguntas foram sobre sexo e droga em nosso país, o que pensa a juventude brasileira."
Começando já pela área da educação, os jovens responderam o seguinte:
(Continua lendo.)
"Cinqüenta e quatro por cento já repetiram o ano letivo, nas classes A e B; 42% destes são moças que já fizeram ou querem fazer cirurgias plásticas, e 43% dos pais sabem que suas filhas já fizeram ou pretendem fazer essas cirurgias. Também 77% destes jovens pesquisados ganham entre R$ 700,00 e R$ 1.400,00, 14% ganham de R$ 761,00 a R$ 1.140,00, 6% entre R$ 1.140,00 e R$ 1.410,00, e 1% ganham R$ 1.900,00.
O percentual de jovens que têm renda até R$ 760,00 é de 30% dos entrevistados. No Brasil, apenas 1% dessas famílias têm renda de R$ 19 mil. Destes, 84% ganham uma mesada; 16% deles ganham R$ 50,00, 4%, entre R$ 5l,00 e R$ 100,00 e apenas 2% ganham entre R$ 201,00 e R$ 215,00 de mesada."
Mas essa juventude, segundo a pesquisa, tem como sonho conseguir um emprego para satisfazer as suas necessidades básicas, para se manter e, se possível, ter casa própria. A maioria das mães de classe média entrevistadas tem como sonho para seus filhos que eles sejam médicos ou advogados para terem independência.
O maior medo dessa juventude, ainda bem, é a morte, eles realmente têm medo da morte. As pessoas que mais confiam são, em primeiro lugar, as mães, depois os avós e os irmãos e por último o pai. Olhem só, o pai fica realmente atrás na questão da confiabilidade.
A repetência deixou de ser exceção, porque 54% dos jovens já repetiram o ano.
Mas o que mais me chamou a atenção, srs. parlamentares e catarinenses, é o número de abortos provocados por jovens entre 16 e 18 anos de idade. Trata-se de um percentual extremamente alto: 21% dos jovens entrevistados dizem que já fizeram ou souberam de amigas que já praticaram aborto.Então, são questões sobre as quais devemos refletir.
Quanto à gastança, o que percebemos é que o jovem trabalha, mas não tem medo de gastar. Ele gasta tudo o que ganha e não se prepara para os imprevistos que podem acontecer no futuro.
No que se refere à televisão, eles têm um percentual altíssimo de rejeição ao veículo e preferem a internet.
Temos dados extremamente interessantes, mas se formos abordar todos, ficaremos aqui o dia todo.
Entretanto, é importante salientar que 43% dos pais sabem que seus filhos usam drogas, inclusive alguns desses pais consumiram drogas junto com seus filhos.
Outra coisa, os jovens de hoje não estão querendo saber de política, não estão querendo saber, deputado Sargento Amauri Soares, de organização estudantil. As uniões de estudantes, que eram tão fortes e que modificaram o perfil dos jovens brasileiros, agora não os atraem mais, eles não estão nem ligando para isso. Ao mesmo tempo, eles ainda estão, no meu entendimento, no caminho da salvação, porque quando podem se reúnem em igrejas para "n" situações. Quarenta e nove por cento dos entrevistados dizem que praticam a religião católica e o restante pratica diversas religiões ou seitas. Mas eles ainda acham que o melhor sistema para estarem juntos, organizados é realmente através das religiões.
A grande maioria já foi assaltada - na pesquisa o número é realmente enorme - e tem medo de sair de casa por causa da violência.
Parabéns ao instituto Datafolha, que fez esta pesquisa que foi publicada no dia 27 de julho deste ano, que traz o perfil do jovem brasileiro do século XXI. Nós devemos procurar inserir mais o jovem na sociedade, principalmente na política, porque a política norteia nossas vidas, norteia a vida dessa juventude e ela tem que participar tendo em vista o seu futuro e o dos seus filhos.
Sr. presidente e srs. deputados, esmiuçarei mais detalhadamente a questão dessa pesquisa numa outra oportunidade.
Muito obrigado!
(SEM REVISÃO DO ORADOR)