93ª Sessão Ordinária - 15/10/2009
O SR. DEPUTADO PROFESSOR GRANDO - Sr. presidente, sras. deputadas, companheiros deputados, hoje não poderia deixar de homenagear, de forma humilde, mas com muita firmeza, uma história que ajudamos a construir. Refiro-me aos professores de todo o nosso estado, porque hoje é o seu dia.
É claro que precisamos continuar a nossa luta, mas de cabeça erguida, com princípios, com metas, com a responsabilidade de formar as gerações futuras, com a responsabilidade da transmissão do conhecimento, o que muito nos enaltece e que torna essa profissão uma das profissões mais nobres.
Já na antiga Grécia dizia-se que o bom professor é aquele que faz com que seus alunos saibam mais do que ele. E eu sempre digo que só dou aula para quem sabe mais do que eu. Por quê? Porque transmitimos conhecimentos de geração para geração. Portanto, cada geração que vem sabe mais do que a anterior, pois acumula conhecimentos da humanidade. Portanto, os nossos alunos irão saber mais do que nós, assim também como os nossos filhos irão saber mais do que nós. E isso significa que a humanidade passa a ter aquilo que sempre chamamos de responsabilidade de saber que na vida temos prioridades: a luta pela paz e a transmissão da cultura, do conhecimento, de uma melhor qualidade de vida.
Portanto, é uma alegria saber que esses alunos, desde pequeninos até a sua fase adulta, quando estiverem na pós-graduação, irão saber mais do que nós que estamos ensinando. E isso nos orgulha.
Muitos poderão dizer que não temos sequer boas condições de vida, porque os nossos salários não são justos. É verdade. E quero aqui dizer que somos merecedores em todos os níveis. Nós somos merecedores. Mas os salários não são justos, seja no primário, no ensino básico, seja no 2º ou 3º grau.
Realmente, essa vocação de ser professor é mais apaixonante do que qualquer outra profissão. São 38 anos dando aula, sempre lutando, sempre ao lado das lutas dos professores, muitas vezes tendo que recuar, sofrendo punições, mas construindo uma história. Uma história que temos que lembrar, porque a história faz parte das pessoas, das entidades, de um município, de um estado, de um país e principalmente de um povo. A história é a força motriz de um povo.
Quando comecei a dar aulas, nos idos de 1971, deputado Sargento Amauri Soares, o professor sequer ganhava no mês de janeiro ou fevereiro. Era o famoso professor designado. Não havia concursos, porque vínhamos de uma dita revolução, que para nós foi um golpe de estado contra as liberdades e o avanço da população em suas reivindicações. Não havia concursos estaduais, era um suspense, porque os professores eram escolhidos.
Naquela época sequer podíamos ter sindicato. Aliás, os servidores públicos, em função do AI-5, não podiam ter sindicatos. Mas tínhamos, para termos a nossa luta, a Associação dos Professores Licenciados de Santa Catarina, a Alisc. Inclusive, éramos professores licenciados, e era sofrido, sim.
Então, observem que tínhamos que lutar mesmo sem ter representação, sem ter disponibilidade. Lutávamos aos sábados, domingos e feriados. Era de ônibus, sim, era reunindo, dormindo na casa dos professores no interior pedindo o quê? Pedindo aumento salarial, pedindo que houvesse concurso, que houvesse carga horária, pedindo que pudéssemos ter um quadro de carreira.
Tudo isso foi conquistado ao longo de muitos e muitos anos. Aconteceu somente em 1980. Olhem quantos anos passamos organizando a luta por todo o estado. Inclusive, fizemos, na história de Santa Catarina, a primeira greve estadual. Parou o estado. Foi a única categoria que conseguiu paralisar o estado. E estávamos em uma fase ainda de muito tumulto político, a abertura não havia acontecido, o pluripartidarismo estava começando. Não tínhamos eleições diretas para o governo de estado e sequer havia sido apresentada a Emenda Dante de Oliveira para termos eleição direta à Presidência da República. Muitos professores foram punidos, deixaram de dar aula e não trabalharam mais no estado, mas a luta, realmente, fez-se presente. Aqueles, sim, eram tempos difíceis.
Hoje, as reivindicações e a luta salarial continuam, mas temos aí uma conquista que Santa Catarina e esta Casa aprovaram, com muita honra, porque é o início de uma nova caminhada, com a experiência antiga, que é o piso básico. Então, já estamos partindo do princípio de que todos os professores vão ter um salário básico em todo o estado, não importando o seu nível de atuação. Com isso fica fácil. E aí nós, na Assembleia - e como é bom ter um professor como deputado -, vamos lutar para que venha o novo quadro de carreira para que possamos flexibilizar e melhorar o atual.
No passado essas foram conquistas, no seu avanço diagonal, na questão das promoções internas. Mas precisamos melhorá-las ainda mais para que o teto não seja pressionado e para que o professor tenha o que chamamos de paridade de aumento salarial e das conquistas dos abonos. E agora, com o piso básico, todos vão ganhar acima desse piso básico.
Sabemos que são 20 mil professores aposentados, mas aqueles que ainda estão na ativa, que têm graduação, têm que ter um salário maior do que aqueles que se formaram no Curso Normal, vamos supor, ou até no antigo Ginásio e que também podiam dar aula nas escolas básicas no interior do estado. Que tenham esse piso básico e depois, com o curso de graduação, um salário maior; com o curso de pós-graduação, um salário percentualmente maior ainda. E tudo isso sendo negociado com a categoria, com o estado criando uma política de promoções, chegando ao doutorado.
Gostaria de dizer que, neste dia 15 de outubro, devemos lembrar de todos os nossos professores, desde o mais humilde professor e professora lá do interior, lá da escola isolada, como chamávamos aquela escola na qual eu estudei, em que o professor ficava na frente dos seus alunos e dava aula para todas as classes: para a 1ª, 2ª, 3ª, 4ª e 5ª séries, tudo de uma vez, no antigo primário da escola lá do interior. Nós estudamos assim. Muitos poderão dizer, hoje: "Mas como era possível dar aula para todas as séries ao mesmo tempo"? Era possível, sim, os professores faziam esse esforço!
Quero dizer àqueles professores do ginásio, do 2º grau e da universidade que merecem muito mais do que o carinho e o reconhecimento. A história da humanidade os coloca em destaque, e eles são responsáveis por uma vida, por um mundo melhor. A nossa homenagem a todos os professores!
Muito obrigado!
(SEM REVISÃO DO ORADOR)