Sessões Plenárias

Pronunciamento

Deputada Ana Paula Lima

3ª Sessão Ordinária - 13/02/2007

A SRA. DEPUTADA ANA PAULA LIMA - (Passa a ler)

"Sr. presidente e srs. deputados, é com muita alegria que ocupo esta tribuna para, mais uma vez, agradecer pelo carinho e pela confiança do povo de Santa Catarina, que me concedeu mais um mandato para representá-lo como deputada estadual na Assembléia Legislativa deste estado.

Renovamos aqui o nosso compromisso de defender os interesses da nossa gente, construindo um mandato vinculado às lutas sociais, na defesa dos que mais necessitam, e, principalmente, de valorizar a participação das mulheres na política.

Queremos também agradecer aos nossos companheiros da bancada do Partido dos Trabalhadores pela confiança, uma vez que nos deram a honra de compor a Mesa Diretora desta Casa no cargo de segunda-vice-presidente. Certamente não mediremos esforços no sentido de bem representar não só a bancada do Partido dos Trabalhadores, como também as sras. deputadas e os srs. deputados, possibilitando ainda mais a participação da sociedade organizada nas decisões de interesse do povo do estado de Santa Catarina.

Neste primeiro discurso do ano, sr. presidente, quero abordar um tema que mexe com os sentimentos e a vida da região de Blumenau, onde que tenho orgulho de morar: o trabalho na indústria têxtil."

Blumenau é conhecida como um pólo industrial têxtil. Tivemos várias crises na indústria têxtil, principalmente no ano de 1989, quando houve uma grande greve em que os trabalhadores de diversas empresas da cidade de Blumenau saíram às ruas para reivindicar melhores salários e melhores condições de trabalho nas indústrias onde trabalhavam.

(Continua lendo)

"Primeiramente, uma boa notícia: Vivian Bertoldi assumiu, na última quinta-feira, dia 8 de fevereiro, a presidência do Sindicato dos Trabalhadores nas Indústrias Têxteis de Blumenau e região, o maior sindicato têxtil da América Latina. É a primeira vez, sr. presidente e srs. deputados, que uma mulher vai dirigir aquela entidade sindical que tem mais de 22 mil sócios, dos quais cerca de 70% são mulheres trabalhadoras.

Vivian Bertoldi conta com o apoio significativo de entidades e lideranças sindicais de todo o estado de Santa Catarina, entre elas a Fetiesc, e defendeu na sua campanha o slogan: 'Essa é diferente, tem mulher para presidente'.

É trabalhadora da Sulfabril e, na categoria desde 1990, integra a direção do sindicato têxtil desde o ano de 2002. Entre as propostas de luta do mandato estão:

- a luta contra o assédio moral que, infelizmente, tem avassalado não só as indústrias têxteis, mas também diversos segmentos;

- uma campanha pela saúde dos trabalhadores para a prevenção da LER (Lesão por Esforço Repetitivo) e dos DORT (Distúrbios Osteomusculares Relacionados ao Trabalho);

- a preparação da categoria para as lutas tradicionalmente trabalhistas, como as questões salariais, aumentando o piso salarial da categoria e a participação dos lucros nas empresas;

- combate - e eu também sou contra - ao rodízio, que é um sistema de jornada de trabalho que atinge a vida familiar dos trabalhadores, que são obrigados a trabalhar aos sábados e aos domingos sem ter um descanso preparado, provisionado com a sua família.

Além disso, a nova presidente propõe a criação de Grupo de Jovens, um trabalho voltado à qualificação profissional; a implantação de biblioteca na sede; a criação de um site do sindicato e de uma ouvidoria; e a publicação de uma revista trimestral para que todos os trabalhares têxteis e também toda a comunidade possam ter acesso às informações.

Nas questões de gênero, srs. deputados, a proposta é a de ampliar o grupo de mulheres do Sintrafit, formando grupos nas subsedes, e lutar para acabar com todas as formas de violência contra as mulheres. As subsedes são nos municípios de Gaspar e de Indaial e deverão receber melhorias significativas no atendimento.

O mandato pretende ainda valorizar a participação dos aposentados, criando um departamento específico para atendimento e promovendo atividades recreativas e culturais.

Como todos podem ver, são inúmeros os desafios que se apresentam a essa valorosa companheira Vivian Bertoldi e a toda a sua diretoria. Mas tenho certeza de que sua gestão participativa vai ser coroada de muito êxito.

Quero aqui parabenizar os trabalhadores e as trabalhadoras têxteis de Blumenau e região pela sabedoria em conduzir uma mulher à presidência de sua entidade sindical. Esta ação tem uma repercussão extremamente positiva, srs. deputados, porque fortalece a luta das mulheres e prova que unidas somos fortes.

Vivian Bertoldi é uma nova liderança emergente em nossa cidade e tem compromisso com as lutas dos trabalhadores e das mulheres na busca de uma sociedade mais justa.

Queremos parabenizar a diretoria do sindicato dos têxteis, desejando-lhe sorte, e dizer que estaremos a sua disposição aqui na Assembléia Legislativa com relação às lutas da categoria.

Esta nova diretoria, srs. parlamentares, assume o sindicato num momento de grande desafio da categoria. Na semana passada, infelizmente, a Teka, uma empresa grande na cidade de Blumenau, demitiu de uma só vez 499 funcionários, ignorando o argumento e as tentativas do sindicato em manter o emprego desses trabalhadores.

Para piorar mais a situação, a empresa, srs. parlamentares, se recusa a pagar o Fundo de Garantia por Tempo de Serviço aos trabalhadores demitidos. São 499 trabalhadores que têm direito a esse fundo e a empresa não está querendo pagá-lo a esses trabalhadores demitidos. Ela quer parcelar! A entidade sindical tem informações de que o depósito do FGTS dos trabalhadores da Teka está atrasado há 40 meses. Há 40 meses não é depositado esse direito! Não é benefício, é um direito desses trabalhadores!

Sr. presidente, esses trabalhadores demitidos foram os mesmos que contribuíram por mais de quatro anos tentando garantir a sobrevivência da empresa Teka. Aturaram atraso de salário, de férias, de 13º e abriram mão de vários direitos para manter a indústria Teka funcionando. Agora eles receberam, na semana passada, como prêmio, a demissão sem a garantia dos seus direitos.

A preocupação do Sintrafit é de que a empresa esteja realizando uma artimanha para diminuir os salários dos seus funcionários: demite os trabalhadores com mais tempo de serviço e contrata outros pela metade do salário, diminuindo, assim, o salário da categoria que há muito tempo vem lutando.

Diante dessa lamentável situação, os trabalhadores iniciarem um movimento, srs. deputados, que tem paralisado a fábrica e buscado apoio da sociedade civil organizada, bem como os seus direitos na Justiça. Já foram organizadas várias assembléias, várias manifestações, inclusive na Câmara de Vereadores da cidade de Blumenau, onde eles conseguiram constituir uma comissão de negociação entre a Câmara de Vereadores, o Sindicato e a indústria Teka. As assembléias têm sido organizadas através de uma comissão de trabalhadores da indústria Teka, com o intuito de, junto ao Poder Judiciário, garantir o direito ao trabalho e prevenir novas demissões.

Sr. presidente, na última sexta-feira, felizmente, acompanhei pessoalmente a comissão de trabalhadores que se reuniu no Ministério Público Federal do Trabalho, ocasião em que protocolamos uma solicitação pedindo uma investigação acerca da demissão dos funcionários, bem como o pagamento integral aos demitidos."

Desta forma, sr. presidente, srs. deputados e público que nos acompanha através da TVAL, nós...

(Discurso interrompido por término do horário regimental.)

(SEM REVISÃO DA ORADORA)