93ª Sessão Ordinária - 27/10/2010
O SR. DEPUTADO FLAVIO RAGAGNIN - Sr. presidente, srs. deputados, telespectadores da TVAL, quero dar sequência ao assunto que o deputado Dirceu Dresch comentou há pouco. Agora pela manhã, li uma reportagem do presidente da Associação Comercial e Industrial de Chapecó, se não me falha a memória, retratando justamente o assunto rodovias e ferrovias da região oeste.
Quero acompanhar e descrever, deputados Reno Caramori e Moacir Sopelsa que conhecem muito bem a situação das nossas rodovias e das necessidades que existem lá no oeste de Santa Catarina, os problemas da SC-463 e vou insistir na questão de Jaborá a Concórdia, que é aquele trecho que está recebendo um trabalho de tapa buraco. Não é essa a solução, sem dúvida nenhuma, porque dentro de 60 a 90 dias vamos ter problemas novamente nessa rodovia devido ao excesso de carga pesada que trafega naquele trecho. Mas de qualquer forma, fazendo esse trabalho de recuperação de tapa buraco nessa rodovia, damos uma melhorada por um determinado tempo, mas daqui a pouco voltam os problemas e as críticas.
Prestei bem atenção no discurso do novo governador, Raimundo Colombo, que diz que vai pensar muito no ser humano. E eu agora fico pensando na questão do motorista de caminhão, no proprietário da carreta e repito que o motorista de caminhão, hoje, tem que trabalhar diuturnamente, fora de hora; sabemos que ele não consegue cumprir o que está na legislação porque tem que pagar a prestação do veículo para sustentar a sua família.
Deputado Genésio Goulart, qual é a perspectiva hoje de um proprietário de carreta, de caminhão a não ser trabalhar um bom tempo, sustentar a família e depois pensar na aposentadoria? Agora vão dizer a ele, depois de um determinado tempo de trabalho, de 25 a 30 anos, quando está com a vida mais ou menos segura, tranquila, que fez seu pé de meia, que está enganado? Não dá! Acho que o ser humano deve ser respeitado, e temos que pensar muito sobre o assunto.
Volto a falar da SC-463 e vou até Itá, deputado Reno Caramori, onde existe um trevinho que não tem nenhuma possibilidade de ser chamado de trevo, é um descanso para o pessoal que atravessa a BR-283. E nós ontem fizemos uma indicação para que haja um estudo sobre esse trevo que dá acesso a Itá.
Ao sair do trevo de Itá, de Concórdia a Seara, chega-se a uma empresa que tem aproximadamente 200 a 300 funcionários, e há necessidade também de trevo naquele trecho para proteção dos pedestres e dos motoristas, por isso esse assunto é importante.
Mas falando da BR-283, de Seara a Concórdia e vice-versa, ela foi construída em 1976, à época do governador Antônio Carlos Konder Reis, e de lá até agora essa rodovia não recebeu nenhum tipo de reparo ou revitalização, e o acostamento está lá que é uma vergonha de se ver. Imaginem o volume de trânsito que passa por Chapecó, Seara e Concórdia. O trecho que o pessoal de Xanxerê usa para chegar a Seara é a menor distância para ir ao Rio Grande do Sul. Esse trecho, durante 34 anos, nunca sofreu nenhum tipo de revitalização. Quando chegamos a Seara não existe contorno viário da 283 para atravessar o município. Assim, para ir a Chapecó, Xanxerê e ao Rio Grande do Sul, temos que passar por dentro da cidade, o deputado Dirceu Dresch conhece.
Estamos pedindo o anel viário de Seara, que liga Rio Grande do Sul, Itá, Seara, Xavantina, Xanxerê e Paraná. A rodovia da morte com acesso a Seara já causou inúmeros acidentes.
Essa é a razão da apresentação do pedido de informação para que, mais uma vez, se pense na elaboração desse contorno viário.
O Sr. Deputado Dirceu Dresch - V.Exa. me concede um aparte?
O SR. DEPUTADO FLAVIO RAGAGNIN - Pois não!
O Sr. Deputado Dirceu Dresch - Quero cumprimentá-lo e dizer que é a primeira vez que estou aqui ouvindo o seu pronunciamento. Quero parabenizá-lo e dizer que pode contar com este deputado na parceria desta luta.
Nós andamos muito nestas rodovias de Seara, Concórdia e de toda região. Precisamos pensar seriamente, deputado Flavio Ragagnin, na estruturação das rodovias estaduais, e está havendo isso nas rodovias federais também.
Há poucos dias terminamos o trevo do distrito de Juvêncio, agora já temos Palmitos, Maravilha, as perimetrais, preparando o crescimento e a duplicação no futuro.
É necessário fazer pista dupla em vários lugares, por exemplo, de Chapecó a São Lourenço, porque cada vez mais há caminhões nas estradas e os carros pequenos ficam atrás e, por isso, às vezes acontecem os acidentes. Então, há necessidade de elaborarmos um grande projeto, principalmente de terceira pista nas principais subidas, porque os acidentes aumentam e o trânsito fica mais pesado.
Quero cumprimentá-lo, deputado Flavio Ragagnin, e dizer que somos companheiro nesta caminhada, nesta luta, para levantar uma grande bandeira no oeste, porque é preciso ter investimentos para a região poder crescer. O oeste precisa crescer, pois é onde há uma demanda muito grande de transporte dos produtos agrícolas.
O SR. DEPUTADO FLAVIO RAGAGNIN - Continuando, com relação ao trecho de Seara a Chapecó, é aquilo que o deputado acabou de dizer. Quando saímos de Seara, se encontrarmos caminhões carregados numa subida ou em qualquer trecho da estrada, o veículo menor tem que perseguir o caminhão por cinco a dez quilômetros para fazer ultrapassagem, atrasando todo o transporte. Sem falar fora na insegurança, pois não há acostamento. Se formos analisar, vamos ver que é uma vergonha a rodovia de Seara a Chapecó não ter nem acostamento. Não pode, é preciso que se faça a revitalização.
Deputado Genésio Goulart, o discurso de Raimundo Colombo foi sobre o ser humano, mas agora o perigo, na minha maneira de entender, são as grandes indústrias como a Seara Alimentos, a Cooperalfa, a Chapecó, a Sadia, de Concórdia, enfim, todas as empresas que fizeram grandes investimentos, daqui a pouco mudarem-se para o centro do país porque lá há mais facilidades. E o que será do nosso oeste sem essas agroindústrias? O perigo é muito grande!
Eu acho que temos que fazer essa análise, pensar muito sobre o assunto. Só em Seara existem três mil funcionários que trabalham com frangos e suínos. Imaginem se essa empresa se transferir para outro local, o que vai acontecer com o município? O que vai acontecer com aquelas pessoas que hoje recebem um salário digno para colocar comida na mesa, pelo menos, para sustentar a sua família.
Então, é um assunto para ser pensado, não vou permanecer nesta Casa por muito tempo. Por isso, solicito a todos os deputados que pensem seriamente sobre esse problema do nosso oeste.
Muito obrigado!
(SEM REVISÃO DO ORADOR)