93ª Sessão Ordinária - 25/11/2003
O SR. DEPUTADO SÉRGIO GODINHO - (Passa a ler)
"Sr. Presidente, Sras. Deputadas e Srs. Deputados, quinta-feira passada, com muita honra, Deputado Joares Ponticelli, assistimos à inauguração do laboratório de Biotecnologia da Estação Experimental da Epagri, na cidade de Lages. Laboratório este que conta com um quadro funcional da mais alta qualificação, compondo uma competente equipe capaz de desenvolver os trabalhos para os quais o laboratório foi criado.
É muito importante lembrar, Deputado Pedro Baldissera, que esta obra foi viabilizada pelo Governo do Estado, com recursos provenientes do Fundo de Estímulo à Pesquisa Agropecuária do Estado de Santa Catarina, o Fepa.
O laboratório compreende quatro setores diferentes de pesquisa: limpeza clonal, micropropagação de plantas, microbiologia de solo, mapeamento genético e diagnose de doenças de plantas e animais. Este último credenciado pelo Ministério da Agricultura para a realização de testes de virose em plantas.
É importante ressaltar, também, Srs. Deputados, Sr. Presidente, que além de produzir 50 mil doses de inoculantes, quantidade suficiente para inocular uma tonelada de sementes de forrageiras, a capacidade anual deste laboratório de biotecnologia que foi implantado na quinta-feira é de multiplicar em torno de 500 mil mudas de plantas."
Por fim, ressalto alguns trabalhos do laboratório que já se encontram em andamento, como a multiplicação de pereiras livres de viroses, trabalho iniciado em 2002; limpeza de viroses em alho, em parceria com a estação experimental de Caçador; multiplicação de portas-enxertos de macieira, em parceria com a Embrapa, e também a seleção e multiplicação de estirpes de risóbio e produção de inoculantes e definição de protocolos para trabalhos na área do DNA.
Parabéns a todos aqueles, no Governo passado e neste Governo, que viabilizaram a criação deste laboratório de biotecnologia.
Naquele momento que foi inaugurado o laboratório de biotecnologia, também foi iniciado um programa de melhoramento de campos naturais do Estado de Santa Catarina, o melhoramento de campo nativo.
A utilização racional das pastagens naturais de Santa Catarina constitui-se numa das principais alternativas para o desenvolvimento sustentável do Estado.
A produtividade da bovinocultura tem condições de ser pelo menos duplicada com o uso de diversificado estoque de tecnologia disponível, de baixo custo e com chances de serem adotadas pelos produtores da região Serrana. Isso representa, além da preservação de um patrimônio genético de valor incalculável, a opção por alternativas que consideram a vocação e a formação histórica cultural dos produtores que habitam as áreas de campos e a capacidade de utilização dos recursos regionais e locais.
Também possibilitará o aumento da renda e a permanência dos produtores em suas atividades, com menor dano ao ambiente. O programa que está sendo implantado começou pela Epagri, em Lages, em parceria com diversas entidades que atuam no meio rural de Santa Catarina, tem os seguintes objetivos:
1 - zerar o déficit de produção de carne em Santa Catarina, explorar de maneira sustentável o recurso de campos naturais, melhorar os indicadores técnicos da bovinocultura de Santa Catarina, estimular a produção de carne de auto valor biológico, aumentar a rentabilidade da pecuária na região de sal abrangência, ampliar a demanda da mão-de-obra e com isso estimular a permanência e até o retorno dos agricultores ao campo.
Com esse melhoramento do campo nativo, nós podemos ter um ganho real para a nossa criação de gado na região Serrana, que a região Serrana tem a vocação para a criação do gado. Apenas com melhor cuidado com o campo nativo, nós podemos ter por exemplo: ganho de peso - hoje temos, na situação atual, de 40 a 50 kg/ano pelo boi no campo normal.
Com o melhoramento do campo nativo, nós teremos um ganho de peso de 350kg/ano por hectare.
Hoje, temos 40 a 50 kg/ano por hectare. Com a melhoria do campo nativo, com o custo relativamente barato, teremos um aumento para 356kg/ano por hectare.
A natalidade em termos de percentuais de 50 a 60, passaremos de 75 a 80%. A idade do abate é muito importante. Por exemplo, hoje, na situação atual, 42 meses é a idade ideal para o abate do animal. Passaremos apenas para 28 meses, com melhoramento do campo nativo.
A mortalidade que hoje está em 2%, com melhoramento do campo nativo, passaria para 0,5%.
A rentabilidade, através desse melhoramento do campo nativo e o ICMS gerado por ano - 12%, daria, hoje, em temos de reais, R$6.412 milhões. Com o melhoramento do campo nativo, terão um retorno de R$25 milhões.
Então, este melhoramento do campo nativo era uma necessidade, esse programa que a Epagri está implementando na cidade de Lages, na região Serrana, era uma necessidade para voltar a ser esta região a maior produtora de gado que já foi outrora. E isso não vai ser um benefício só para os criadores de gado, será também um benefício para todo o Estado de Santa Catarina. Agregará valor ao Estado e agregará valor também ao País e ao mundo, porque será cuidado de todo o campo nativo, de todas as florestas nativas da região Serrana.
Naquela oportunidade, ao inaugurar o Laboratório de Biotecnologia, que é o único do Estado de Santa Catarina com valor fundamental para a pecuária e para a agricultura, também foi lançado o Programa de Biotecnologia, e numa proposição deste Deputado, foi dado o início e a aprovação do Governo do Estado para a criação de um centro de pesquisas de florestas de clima temperado e de clima subtropical. Esse centro de pesquisas é uma necessidade, para que possamos garantir a produção de pinos que é hoje a rentabilidade para toda a região Serrana e também para o Estado de Santa Catarina.
Mas também temos que, através desse laboratório, desenvolver outros tipos de florestas para que não fiquemos somente nessa monocultura, pois, como todo mundo sabe, ela está suscetível, do dia para noite, a ser extirpada, a sair do nosso contexto econômico por um ataque de alguma praga.
Eu queria, Srs. Deputados, apenas dizer o valor do pinus para Santa Catarina, hoje. A demanda para a utilização do pinus no Estado de Santa Catarina hoje é de 70%, para o eucalipto é de 15% de eucalipto e para a araucária é cerca de 25%.
Então, 70% da madeira explorada no Estado de Santa Catarina hoje advém do pinus. Portanto, está aí importância do Centro de Pesquisa para organizar o plantio do pinus, não para tirar ou criticar ou atrapalhar esse plantio, que é a rentabilidade que sustenta toda a Região Serrana e também o Estado de Santa Catarina.
Hoje, 1/3 dos trabalhadores do Estado de Santa Catarina trabalham no setor florestal, através da madeira, através do mobiliário e através do papel e celulose.
No Estado de Santa Catarina hoje, cerca de 40% da arrecadação de ICMS advém do setor florestal, através da madeira, do mobiliário, papel e celulose - fonte da Secretaria do Estado de 1999.
Os tipos de indústrias. Hoje cerca de 30% das indústrias do Estado de Santa Catarina estão ligadas ao setor florestal. A madeira tem centenas de utilidades e é uma necessidade para todos, através dos seus subprodutos, os quais, direta ou indiretamente, todos nós precisamos. Por exemplo: filmes para fotografia, frutos, sementes, gomas, açúcares, xarope, cola, carvão, corante, combustível, remédios, papel, imitação de couro, doces, álcool, plásticos, lápis, produtos químicos, oxigênio, sabores, vernizes, graxas, dormentes, assoalhos, o próprio mobiliário...
(Discurso interrompido por término do horário regimental.)
(SEM REVISÃO DO ORADOR)