Sessões Plenárias

Pronunciamento

Deputado Antônio Carlos Vieira

85ª Sessão Ordinária - 19/10/2006

O SR. DEPUTADO ANTÔNIO CARLOS VIEIRA - Sr. presidente, srs. deputados, povo de Santa Catarina, nesta eleição transcorrem situações interessantes. Eu fui massacrado, ou estou sendo massacrado duplamente. Um pela eleição, pela minha derrota, mas o povo é sábio, o eleitor é sábio, não quis me reconduzir para esta Assembléia e talvez seja pela minha falta de competência. O outro é pelo atual governo do estado, através do candidato à reeleição, que resolve fazer o massacre moral.

Nessa história, trouxe um assunto de 2001 que é a história, deputado Joares Ponticelli, do Agripino, que nós tivemos a competência, como secretário da Fazenda, de abrir inquérito e botar na rua por desvios financeiros, desvio tributário, inclusive de anular todos os créditos fiscais. Portanto, o estado não teve prejuízo, ao contrário do que afirma o atual governo. Hoje esse Agripino faz campanha para o atual mandatário, Luiz Henrique da Silveira, na sua campanha à reeleição. Então era nosso, mas hoje é deles, e hoje ele também serve como argumento contra esse deputado.

Mas o assunto principal é com relação ao suicídio no meu gabinete. Primeiramente, até insisto em dizer suicídio porque, parece-me, não há dúvida. Deputado Duduco, se no momento da ocorrência eu estivesse no meu gabinete, acho que hoje iriam achar que tinha havido assassinato, porque tudo o que ocorre, este deputado é o responsável!

Nós sabemos pelos jornais que as empresas de revendas de veículos, só porque ele se dizia (parece que se dizia) assessor do deputado Vieirão, abriam as portas, chegando ao ponto de receber 40, 50, 60, 70, 100 veículos. Ninguém sabe quantos são! Sem que nenhum...(retirado da ata de acordo com o art. 92 do Regimento Interno) ligasse para o meu telefone para saber se havia alguma razão ou alguma verdade no que se dizia, no que se falava.

A situação é tão grave, deputado Duduco, que a declaração de um gerente de vendas de uma concessionária, dizia que ele não pagava, mas tinha crédito e esse crédito era por ser assessor do Vieirão. Assessor do Vieirão! E é interessante, eu sempre que comprei carro paguei a vista. Eu acho que daqui para frente eu compro carro e não vou pagar mais, porque se uma pessoa, dizendo-se meu assessor, compra 50, 100 carros e não paga, dizendo que é meu amigo e tem crédito, então o próprio pode ser que tenha mais crédito.

Eu não tenho dívida nenhuma neste estado de Santa Catarina, nem em banco, nem...(retirado da ata de acordo com o art. 92 do Regimento Interno) nenhum! Eu não devo para ninguém! Não devo para ninguém! Graças a Deus nem a minha eleição eu devo mais ao povo, porque o povo não me quis mais. Então, não tenho mais obrigação. Não tenho mais obrigação com quem quer que seja. Tenho obrigação com a minha moral, obrigação com a minha família!

E isso, deputado Herneus de Nadal, eu não vou perdoar o Luiz Henrique da Silveira, que é meu amigo de infância! Nós vivemos juntos, quando crianças, na Frei Caneca, aqui na Frei Evaristo, na rua Itajaí, na Mauro Ramos, na rua Irmão Joaquim. Ele sabe disso! Eu não o perdôo nunca mais! Isso pode ficar registrado na sua mente. O deputado Antônio Carlos Vieira, filho de seu Francisco Vieira, que ele admira muito, admirava muito, pode dizer que hoje ele não me tem mais como amigo. Nunca mais, Luiz Henrique da Silveira, se atreva a me dirigir a palavra!

No dia 30 de agosto esse...(retirado da ata de acordo com o art. 92 do Regimento Interno) ligou para o meu telefone cumprimentando-me pelo aniversário. Isso é um Judas! Luiz Henrique da Silveira é um Judas! Porque fazer isso com o Vieira, colocando-me nesse lamaçal, esse delegado de polícia, esse diretor da polícia, sem apontar os fatos, sem buscar informação no próprio processo?

Deputado Herneus de Nadal, há um depoimento que esse delegado, esse diretor, Ilson da Silva, esqueceu de ler:

(Passa a ler)

"Que, o declarante informa que acompanhou em meados do mês de maio Márcio até a concessionária DIMAS, pois Márcio estava querendo adquirir um veículo particular e o declarante informou a Márcio que conhecia um vendedor do DIMAS; Que, o declarante apresentou Márcio a Betinho, que é seu cunhado, e a Rodrigo, gerente de vendas, que na ocasião estava junto com Betinho; Que, o declarante informa que foi convidado por Márcio a ir novamente, dois ou três dias após este primeiro contato, a revendedora Dimas para adquirir veículos para a campanha eleitoral; Que, o declarante acompanhou Márcio até a revendedora onde ouviu Márcio falar para Rodrigo, gerente de vendas, que queria adquirir veículos para a campanha eleitoral do PP; Que, o declarante informa que não quis se envolver na transação, motivo pelo qual não comunicou ninguém do partido sobre o fato que havia presenciado no Dimas; Que, o declarante desconfiou da conduta de Márcio pois viu este entregar alguns veículos a terceiros desconhecidos, nas proximidades da ALESC, que não estavam trabalhando na campanha; Que, o declarante então telefonou para seu cunhado Betinho, vendedor do Dimas, assim como foi pessoalmente conversar com ele, para alertar que estava desconfiado de que os veículos adquiridos não eram para a campanha eleitoral, mas sim para transações particulares de Márcio."[sic]

Isso aqui o delegado não leu! Porque não interessava a ele. Agora, sinceramente, deputado Herneus de Nadal, tudo acontecia e todo mundo tinha um melindre em me comunicar o que estava acontecendo. Essa pessoa resolveu não comunicar para o partido e nem para o deputado Vieirão o que estava ocorrendo por suas costas. Mas o atual governo decidiu liberar as informações até como um crime eleitoral! Eu acho, sim, crime eleitoral de quem denunciou. Agora, a arma do crime... A arma do crime, aquela arma que dizem que é da Polícia Federal, mas ninguém encontra onde, onde está? Com quem estava essa arma? O que fez, durante três horas, o meu ex-funcionário Márcio no gabinete de trabalho durante três horas para depois se suicidar?! O que aconteceu? Quais foram as ligações telefônicas recebidas, quais foram os telefonemas dados, com quem falou e qual foi o motivo de tudo isso?

Sr. presidente desta mesa, eu dei um conselho ao deputado Julio Garcia e vou transmitir a v.exa.: acabe, aqui nesta Casa, com esses telefones privados. As pessoas não sabem com quem estão falando, porque no seu dial diz: privado. Você não sabe, deputado Dionei da Silva, qual é o telefone que está ligando, nem a outra pessoa sabe de que telefone está fazendo a ligação. Acabem com esse telefone privado, isso não é da transparência deste Parlamento e da vida de ninguém.

Deputado Herneus de Nadal, o senhor é presidente desta mesa, vice-presidente desta Casa: se v.exa. desejar, as minhas contas bancárias estão a sua disposição e de quem quer que seja, a qualquer momento, para que seja apurado se na minha conta - e eu tenho três contas - entrou um centavo de quem quer que seja que eu não tenha a origem desse recurso. Está aberto e não precisa pedir judicialmente; é só pedir para mim, que eu tranqüilamente libero a agência bancária para fornecer.

Mas eu quero voltar a insistir: no dia 31 de agosto eu fiz uma solicitação ao presidente para a abertura de uma sindicância para apurar esse negócio de veículos. Eu recebi uma correspondência do delegado Vanderley Redondo. Os que estão aqui na Casa sabem que ele é delegado de polícia, que está à disposição da Casa junto à chefia-de- gabinete da Presidência, e mandou a seguinte correspondência no dia 1º de setembro.

(Passa a ler)

"Florianópolis (SC), 01 de setembro de 2006.

Ilustríssimo Senhor

Deputado Antônio Carlos Vieira

Nesta

Senhor Deputado,

É com constrangimento que me dirijo a Vossa Excelência para humildemente me desculpar pelo inoportuno e desproposital comentário que fiz em data de ontem a respeito de venda de veículos através de seu gabinete.

Ressalto que não tenho conhecimento de fatos ou evidências que possam envolver o nome de Vossa Excelência ou de qualquer pessoa que estejam a seus serviços, nesta ou fora desta Casa, quer na venda de veículos ou de outro fato que possa desaboná-lo."[sic]

Essa correspondência me foi encaminhada no dia 1º de setembro, 18 dias antes do suicídio. Provocado por que esta correspondência? Para eu abrir a guarda, para eu não voltar ao deputado Julio Garcia para insistir na sindicância? Quem está por trás dessa carta? Eu peço, exijo à polícia que apure.

Entreguei o original dessa carta para a Polícia Civil e qual foi o destaque que houve, deputado Joares Ponticelli? Nada! Porque um diretor de Polícia Civil, um tal de Ilson, resolve pegar uma carta do suicida e buscar uma frase: "...o partido me abandonou, me deixou...", sei lá.

Mas que partido? O que fazer para ele mesmo? De uma forma covarde saiu deste mundo e deixou toda essa infâmia para a sua família, para os seus colegas, para os seus companheiros e principalmente para o seu chefe.

Sinceramente, estou hoje constrangido, deputado Herneus de Nadal, pelo que acontece. Hoje, srs. deputados, nós temos uma ditadura da imprensa; não é ditadura de jornalistas, porque eles cumprem o seu papel, mas é ditadura dos meios de imprensa, que colocam na imprensa o que eles querem para destruir quem eles querem.

Muito obrigado!

(SEM REVISÃO DO ORADOR)