4ª Sessão Ordinária - 23/02/2006
O SR. DEPUTADO SÉRGIO GODINHO - Sr. presidente, sras. deputadas, srs. deputados, funcionários da Assembléia Legislativa e telespectadores da TVAL, nós nos inscrevemos no horário das Breves Comunicações para falar um pouco da união dos partidos de esquerda nesta Casa, onde a convivência e a troca de informação têm sido altamente benéficas para o nosso objetivo final, que é lutar pela comunidade catarinense, pelos menos favorecidos e contra a exclusão social.
No Brasil, os partidos socialistas são: PSB, PDT, PT, PSTU, PCB, PCdoB, PMN e o Partido Popular Socialista. Esses partidos - e temos muitos representantes aqui no estado - se uniram para a criação desse Frentão. E com essa união, temos certeza de que poderemos contribuir muito com o estado de Santa Catarina, com a democracia, com aquilo que se propõe o socialismo, com aquilo que apregoavam aqueles que criaram o comunismo. E depois, com a queda do comunismo, criou-se uma alternativa muito viável, que seria um socialismo democrata e com liberdade.
(Passa a ler)
"Do ponto de vista político e econômico, o comunismo, um socialismo utópico, seria a etapa final de sistema que visa à igualdade social e à passagem de poder político e econômico para as mãos da classe trabalhadora. Para atingir esse estágio, dever-se-ia passar pelo socialismo, uma fase de transição onde o poder estaria nas mãos de uma burocracia que organizaria a sociedade rumo à igualdade plena, uma igualdade utópica, onde os trabalhadores seriam os dirigentes, até num certo radicalismo.
Diferentemente do que ocorre no capitalismo, onde as desigualdades sociais são imensas, o socialismo é um modo de organização social no qual existe uma distribuição equilibrada de riquezas e de propriedades, com a finalidade de proporcionar a todos um modo de vida mais justo.
Sabe-se que as desigualdades sociais já faziam com que os filósofos pensassem num meio de vida em que as pessoas tivessem situações de igualdade tanto em seus direitos como em seus deveres; porém, não é possível fixarmos uma data certa para o início do comunismo ou do socialismo na história da humanidade. Podemos, contudo, afirmar que ele adquiriu maior evidência na Europa, mais precisamente em algumas sociedades de Paris, após o ano de 1840 (Comuna de Paris).
Na visão do pensador e idealizador do socialismo, Karl Marx, este sistema visa à queda da classe burguesa, que lucra com o proletariado desde o momento em que o contrata para trabalhar em suas empresas até a hora de receber o retorno do dinheiro que lhe pagou por seu trabalho. Segundo ele, é somente com a queda da burguesia que será possível a ascensão dos trabalhadores."
Como prioridade única, na visão à qual se propõe o nosso Frentão, a nossa união dos partidos de esquerda, está o fortalecimento desse pensamento socialista, não um socialismo utópico, mas um socialismo moderno, um socialismo com democracia, para que possamos diminuir a exclusão social e permitir a ascensão daqueles mais idealistas, daqueles que buscam resolver os problemas da sociedade; não somente criar coisas novas, mas, sim, estabelecer critérios para resolução de problemas, estabelecer critérios para diminuir as desigualdades sociais como um ponto forte.
Eu, o deputado Narcizo Parisotto e a deputada Odete de Jesus temo-nos reunido para fazer isso. Ontem fizemos uma manifestação aqui parabenizando o trabalho do PT nesta Casa e também o trabalho de reconquista da preferência popular do presidente Lula. Isso mostra que defendemos a ideologia de diminuir a exclusão social para que os menores e os mais fracos possam ter oportunidade e vez.
Dentro dessa ótica, entendemos que a conquista da presidência por um trabalhador foi algo que mereceu aplauso. Sabemos das dificuldades de implementar um governo novo, um governo popular; sabemos das dificuldades devido à corrupção em nosso país, que é uma chaga que talvez vá demorar muitos anos para acabar; sabemos que a corrupção e o roubo não existiram somente neste governo; sabemos que nos governos passados a prática da corrupção se tornou um vício e quase uma cultura política.
Nós, do Frentão aqui na Assembléia, aproveitando essa oportunidade da ascensão de um trabalhador ao poder, temos buscado essa união que se está tornando cada vez mais forte. Temos realizado reuniões no sentido de ter uma frente forte, unida e coesa. Essa união vai proporcionar, talvez, até o lançamento de um candidato a governador para que possamos ter espaço na mídia para divulgar os nossos pensamentos, os nossos desejos e para que possamos participar, talvez, até de uma união com outros partidos, mostrando essa idéia socialista, essa idéia sem utopia, essa idéia que poderá trazer à comunidade uma discussão e assim fincarmos, em cada cidade, uma bandeira do socialismo, uma bandeira que busque essa pontualidade sem radicalismo, sem ser um comunismo, sem ser um socialismo utópico e sim um socialismo que venha diminuir as desigualdades sociais.
Srs. deputados, esta preocupação do PSB, do PL, do PDT, do PV, do PMN, do PCdoB e talvez de outros partidos que venham a se agregar a nossa sigla tem por objetivo unir ideais, ideologias, pensamentos e fazer com que os semelhantes se unam nos seus pensamentos para que possamos ter força.
O momento é oportuno. Há países que conseguiram um desenvolvimento econômico muito grande a partir do socialismo, como, por exemplo, China, Finlândia, Dinamarca, Moçambique, África do Sul, Grécia e Portugal. Esses países implementaram um socialismo com democracia e não um socialismo radical; um socialismo que visa à discussão e ao diálogo para conseguirmos diminuir a exclusão social, passando diretamente pelo posicionamento econômico, pela busca de entendimento na criação das leis, no atendimento à sociedade mais carente, na prioridade da diminuição das pessoas excluídas e na preocupação da melhoria do capital social delas.
Quando se tem essa atenção, quando as comunidades buscam atender essas categorias menos privilegiadas, elas conseguem, de certa forma, fazer com que toda a sociedade ganhe e não somente aqueles excluídos. Primeiramente, os excluídos é que serão atingidos pelo atendimento, sendo resgatado esse pensamento de pertencimento, buscando fazer com que as pessoas pertençam à comunidade e participem de uma rede de solidariedade. E todos nós ganharemos com isso, todos ganharão com a diminuição da pobreza e da exclusão social.
A sociedade não pode ser dividida, não pode haver a continuidade do que existe hoje. A cada dia que passa há este paradoxo: uma evolução tecnológica fantástica, um crescimento industrial e tecnológico muito grande, mas, ao mesmo tempo, uma criminalidade elevada, que é resultado da exclusão social. Então, a criminalidade, a divergência, o conflito, a criação de bolsões de pobreza resultam dessa exclusão social.
É por isso que dizemos que no momento em que diminuirmos a exclusão social, todos seremos beneficiados. Primeiro, por ideologias...
(Discurso interrompido por término do horário regimental.)
(SEM REVISÃO DO ORADOR)