74ª Sessão Ordinária - 13/10/2004
O SR. DEPUTADO NELSON GOETTEN - Sr. Presidente, Sras. Deputadas e Srs. Deputados, quero dizer da alegria de estar aqui novamente e de que me sinto estreante no microfone desta Casa. Mas assomo à tribuna por uma razão muito especial: saímos das eleições com um grande aprendizado. O cidadão livre, democraticamente, se manifesta, algumas vezes surpreendendo, outras decepcionando.
Quero cumprimentar cada Deputado que participou desta eleição, que fez a sua parte dentro deste processo democrático.
Desejo falar um pouco sobre o nosso Partido, especialmente de uma eleição que surpreendeu a todos nós, e esta eleição tem um pouco de particularidade com este Deputado, porque era candidato o filho de um amigo que queria muito bem, um grande estadista, e quando fui Prefeito de Taió o saudoso Governador Vilson Kleinübing foi decisivo no sucesso da nossa administração.
Foi uma pessoa que me deixou uma marca muito importante na minha vida como homem público pela sua maneira de ser. E hoje, ao saber que o seu filho, Deputado João Paulo Kleinübing, foi eleito Prefeito de Blumenau, sinto uma satisfação muito grande e desejo a ele muito sucesso e muita alegria.
Daquela eleição tirei uma outra lição importante. No dia da abertura da Oktoberfest estava João Paulo Kleinübing estampado na primeira página do jornal e, ao seu lado, estavam a Deputada Ana Paula Lima e o Prefeito Décio Lima, numa demonstração de um gesto democrático que marcou para todos os catarinenses, um gesto bonito, importante, e de grandeza que contribui com a política catarinense.
Isto faz bem para todos nós, um ganha, outro perde, mas perde mesmo é quem não participa da política ou deste movimento democrático.
Também queria falar de uma eleição importante da qual participamos enfrentando um leal adversário, um Prefeito competente, um Prefeito dinâmico, um Prefeito que fez uma bonita história de trabalho em Rio do Sul. Falo de um jovem empresário que nunca tinha participado da política, mas a sociedade, o povo se mobilizou, foi às urnas e o elegeu, tirando a eleição do PT. Isso demonstra que não são apenas as obras que interessam ao povo, porque se obra desse voto, com certeza Rio do Sul teria encontrado no seu Prefeito atual o melhor tocador de obras da história da cidade.
O povo está dando uma lição a cada um de nós de ele que precisa mais do que obras, precisa ser respeitado, ele quer carinho, quer atenção. Não só as obras bastam, porque se assim fosse não teríamos explicação para o PT ter perdido a eleição em Rio do Sul e nós termos ganhado a eleição na composição que fizemos. Foi uma campanha bonita, uma campanha feita dentro da democracia, e nós queremos reconhecer o trabalho dos dois candidatos. Ficamos muito felizes por Milton Hobus, um homem de valor, um grande empreendedor, um homem de sucesso, um homem que cresceu na vida sem precisar pisar em ninguém, uma pessoa extremamente preparada para conduzir bem os destinos do povo de Rio do Sul e influenciar toda a política do Alto Vale do Itajaí.
Em Lages, encontramos o Presidente do PFL, Partido do qual faço parte hoje, e encontramos também um Prefeito que fez um grande sucesso, que fez uma votação extraordinária nas urnas, o que confirma, mais uma vez, que tínhamos em Raimundo Colombo uma expectativa muito forte de uma nova liderança para Santa Catarina, um homem da Serra, com o jeito da gente da Serra, um jeito amigo, um jeito companheiro, um jeito bonachão, mas competente, porque fez uma administração baseada no dinamismo e conquistou o respeito não só do povo lageano, como o respeito do povo serrano e do povo catarinense.
Em Chapecó também um jovem estreante na política saiu daqui da Assembléia Legislativa e lá, mesmo não sendo sua terra natal, encontrou amigos, fez uma bela campanha e ganhou a eleição consolidando-se como uma forte liderança naquela importante região de Santa Catarina, o Oeste, que tanto contribui com os catarinenses e que precisa que surjam lideranças importantes na política catarinense para ajudar ainda mais aquela região.
Com certeza cada um dos Srs. Parlamentares tem a sua história para contar aqui, com suas alegrias e tristezas. Eu também poderia falar aqui de algumas decepções que tivemos na eleição, isso faz parte. O Deputado Paulo Eccel, por exemplo, que correu por toda a parte e não ganhou a eleição, sentiu muito porque o seu propósito de ganhar a eleição. Já o Deputado Volnei Morastoni acabou se tornando Prefeito de uma grande e importante cidade de Santa Catarina, que é Itajaí. É claro que nós, do PFL, gostaríamos de ter ganhado a eleição, assim é que funciona a política, mas o importante é que estamos crescendo dentro desse processo político, todos nós estamos nos respeitando mais, pois estamos debatendo com mais grandeza as questões políticas.
Eu tenho certeza de que lá em Tubarão foi a mesma coisa, Deputado Genésio Goulart. V.Exa. gostaria de ter ganhado a eleição. Claro que ninguém conseguiu ganhar como o Deputado Romildo Titon, que com esse bigode deve ter intimidado o povo. Ele só olhava e o eleitor dizia: "Sim, senhor, eu vou votar!"
Em Joinville, uma grande figura se reelegeu, e tenho certeza absoluta de que aquela cidade dá uma grande contribuição para Santa Catarina. É importante que nós encontremos o sucesso através da administração do Prefeito de Joinville.
Quero desejar, em nome do meu Partido, em nome do PFL, a cada um que se elegeu, independentemente de Partido, que faça o melhor pelo povo, porque o patrimônio mais importante que nós temos em Santa Catarina é a gente catarinense; que cada um encontre o caminho do sucesso e, acima de tudo, aprenda com a lição das urnas que o povo quer ser ouvido, quer ser respeitado, quer atenção, o povo quer um Prefeito amigo.
Nós também não podemos esquecer do trabalho dos Vereadores que se elegeram e todos eles têm uma importante missão de contribuir para o processo democrático. Eu acho que ali está a base porque são o Prefeito e os Vereadores que fazem acontecer todo o resto. A eleição de um Deputado, de um Governador ou de um Senador é a conseqüência do resultado de uma eleição municipal. Nós desejamos sucesso a cada um e que nós continuemos aqui sempre desenvolvendo o nosso trabalho, independente de ideais e de Partidos, sempre voltados para construir o melhor em favor dos catarinenses, o melhor para Santa Catarina e o melhor para o Brasil.
Logicamente muito nos entristeceu o debate sobre a segurança. Eu concordo plenamente com algumas coisas que foram ditas aqui pelo Deputado Joares Ponticelli e pelo Deputado Francisco Küster. Claro que nem o super-homem resolveria os problemas da segurança em Santa Catarina num passe de mágica, mas também é verdade que nós não poderíamos imaginar que um Secretário pudesse encontrar alguns motivos para comemorar. Eu entendo que o Secretário tem que lamentar a situação calamitosa que estamos vivendo na segurança em Santa Catarina.
Nós poderíamos falar de muitos Estados do Brasil, mas vamos nos preocupar com o nosso Estado, com a nossa Capital. De fato o Secretário tem que repensar a questão da segurança; tem que admitir que, muitas vezes, errou; tem que admitir que precisa de ajuda. E o Governo tem que admitir também que precisa repensar sobre a segurança no Estado de Santa Catarina.
Mas nós temos que reconhecer, sem dúvida alguma, de que nós só estamos colhendo aquilo que plantamos. No decorrer dos anos nós fomos jogando as pessoas na miséria, nós fomos deixando as pessoas pela sarjeta, nós fomos abandonando as nossas crianças e hoje estamos colhendo o que plantamos. Quando a pessoa é jogada na marginalidade ela não tem mais nada a perder. O índice de pobreza em nosso País, o índice de miseráveis que nós criamos, os desmandos que nós vimos acontecer, muitas vezes acaba fazendo com que as pessoas sejam conduzidas facilmente à marginalidade.
Mas o que nos surpreende é que, infelizmente, a marginalidade não está centrada apenas na pobreza, a pobreza talvez não seja o fator que mais preocupe, mas sim o crescimento do crime organizado, da droga e assim por diante. Nós não conseguimos avançar no controle da droga e no crime organizado porque alguém sempre transforma isso numa grande empresa, faz os seus negócios e alimenta o crime. Na verdade, aí se concentra um dos graves problemas.
Eu faço torcida, como catarinense que sou, para que o Governo encontre uma solução para amenizar um pouco o sofrimento das famílias, a angústia das famílias, e que o nosso Secretário repense sobre a questão da segurança. Nós estamos vivendo um caos, e isto é verdade, isso tem que ser admitido, e é uma preocupação que temos.
Mas eu não assomei esta tribuna apenas para criticar, eu quero chamar a atenção de todos sobre este assunto. Chegou o momento de o Governo sentar e assumir que aí está centrada a maior preocupação dos catarinenses hoje, que é a questão da segurança. O Governo tem que admitir isso, pois é um gesto de grandeza reconhecer que os catarinenses precisam ser respeitados, atendidos e protegidos.
Todos nós sabemos das dificuldades, mas tudo é mais fácil quando se vai para o debate, quando se aceita as limitações que temos e quando se aceita a realidade em que vivemos, e a realidade, neste momento, é assustadora.
Muito obrigado!
(SEM REVISÃO DO ORADOR)