82ª Sessão Ordinária - 09/10/2007
O SR. DEPUTADO SARGENTO AMAURI SOARES - Sr. presidente, srs. deputados, sras. deputadas, telespectadores da TVAL, servidores deste Poder Legislativo, trabalhadores e trabalhadoras do Deinfra e demais pessoas que nos acompanham nesta sessão, eu queria usar este tempo destinado ao nosso Partido Democrata Trabalhista para falar de mais uma situação deplorável, conhecida hoje no nosso estado, que foi a prisão em flagrante do soldado Vanderlei Tertuliano dos Santos, na cidade de Joinville.
Tertuliano é um soldado que trabalha bem, vai para a rua e trabalha, mas ele tem uma característica talvez diferente dos outros, que sempre quando está com vontade de dizer algo, ele diz. Isso tem inviabilizado, inclusive, a sua permanência na instituição Polícia Militar.
Então, é lamentável que nós tenhamos uma instituição onde as pessoas pensam, mas não podem falar até coisas que são verdadeiras, mas que não podem ser ditas.
Este parlamentar também, quando estava na ativa da Polícia Militar, respondeu a algumas dezenas de processos administrativos e penais justamente por falar. Mesmo sendo verdade, mesmo havendo uma irregularidade, uma ilegalidade no interior da instituição, é proibido falar sobre isso.
Eu não sei se é exatamente o caso do Tertuliano, mas o fato é que nenhuma das acusações contra esse policial militar são por trabalhar mal, são por atender mal à população, por deixar de fazer o seu serviço. São todas por responder de forma inadequada aos superiores hierárquicos.
O Tertuliano fez uma cirurgia no estômago no dia 1º de outubro; estava afastado, portanto, pelo médico. Foi chamado e induziram-no a assinar um documento. Como ele se recusou a assinar, o oficial, o tenente que o cobrava, começou a usar palavras que ele julgou ofensivas. Ele disse: "Tenente, eu vou gravar isso que o senhor está falando", e puxou o celular para gravar. O tenente lhe deu voz de prisão em flagrante por desrespeito. Ele está preso, internado, depois de uma cirurgia recente no estômago, no Hospital da Unimed, em Joinville. E o mais interessante é que há outros dois policiais militares que estão lá fazendo a custódia do policial militar, do soldado Tertuliano.
Então, é preciso que essa instituição se modifique, abra-se para o mundo. Uma instituição forte não é aquela que aplica a mordaça, é aquela que usa a inteligência e o potencial das pessoas, dos servidores, e essa é a nossa grande luta. Nós não queremos rasgar nenhum regulamento, nenhum regimento, queremos democratizar, abrir, fortalecer a instituição através do processo de democratização.
Quero terminar a minha fala fazendo uma homenagem a um cidadão latino-americano, que há 40 anos, uma hora e mais um pouco, Ernesto Che Guevara, foi assassinado na Bolívia por determinação da CIA. Mas a história da luta dos povos não morre, não se cristaliza, não pode ser esquecida, não pode ser colocada em um baú, não pode ser estampada em uma camiseta. A história da luta de um povo precisa ser refletida todos os dias, porque essa história não terminou, ela continua e nós fazemos parte dela.
Muito obrigado!
(SEM REVISÃO DO ORADOR)