Sessões Plenárias

Pronunciamento

Deputado Lício Mauro da Silveira

93ª Sessão Ordinária - 15/10/2009

O SR. DEPUTADO LÍCIO MAURO DA SILVEIRA - Sr. presidente e srs. deputados, na esteira do que falou o deputado Professor Grando, irei falar, mais uma vez, sobre o Dia do Professor. Ontem já deixei uma mensagem pelo Dia do Professor, mas, como estou tendo a possibilidade de estar na tribuna, neste momento, no Dia do Professor, volto a falar do assunto.

Quando o deputado Professor Grando estava falando das memórias de onde ele estudou, eu também me lembrei muito bem de onde estudei em Joinville, na Escola Rui Barbosa, apelidada, porque antigamente havia os apelidos, Rouba Banana. E havia outra escola na cidade chamada Conselheiro Mafra e que foi apelida de Cachorro Magro. Às vezes os alunos da Rouba Banana brigavam com os alunos da Cachorro Magro e vice-versa. E a briga, deputado Sargento Amauri Soares, era feia para disputar o espaço de melhor escola.

Na minha família alguns estudaram na Cachorro Magro, na Conselheiro Mafra, e eu, como as minhas duas irmãs eram professoras na Escola Rui Barbosa, estudei na Rouba Banana.

Mas eu me lembrei também de diversas professoras e daquela figura que era o professor, mas o emérito professor que tinha o nome de inspetor, que visitava as escolas mensalmente e verificava a qualidade do ensino que estava sendo ministrado. E aquele inspetor, como professor, tinha responsabilidade não só por aquela escola, mas por toda a rede escolar de Joinville.

Lembrei-me também de diversos professores: a dona Adir, a dona Maria, as minhas irmãs Leda e Liz. Eu sempre procurei espelhar-me na vida de professor, porque é uma vida com muita responsabilidade. E tanto é assim que eu comecei a dar as minhas primeiras aulas aos 15 anos de idade. Nessa idade eu já entendia bem de Matemática e como alguns amigos meus, aos 18 anos, queriam fazer o concurso do Banco do Brasil, eu me esmerei e ajudei dois deles a passar no concurso e a galgar grandes postos naquela instituição financeira.

Ser professor no passado era diferente do que é hoje. No passado, quer queiram ou não, o professor era mais valorizado, mais respeitado e havia uma disciplina férrea que era comandada pela própria escola.

E assim nós andamos. Passamos os quatro anos do primário e depois fomos para Blumenau. Mais tarde voltamos para Joinville e lá terminamos o curso técnico numa outra escola com exímios professores, e o meu sogro era um deles, como professor de Química, de Matemática e de Física. E lá os professores Sílvio, Jordão e Rezende davam aulas de extrema qualidade.

Existia um respeito muito grande pelos professores. Hoje isso se inverteu. Atualmente praticamente não há uma disciplina adequada dentro das escolas. Hoje há um professor totalmente desmotivado, apesar, por incrível que pareça, de o Brasil ser o segundo país que mais gasta com educação. O nosso país está abaixo do México, ocupando o 52º lugar em péssima qualidade de ensino com relação ao sistema Pisa - Programa de Internacional de Avaliação de Alunos.

Como disse, hoje temos um professor desmotivado, mas, em compensação, quando ele adentra na sala de aula, esquece os seus problemas e dedica-se ferreamente, independentemente do problema de disciplina, independentemente de problema salarial, independentemente dos problemas emocionais, independentemente da situação interna da escola, à causa mais nobre: dar aula.

Por isso eu peço, por gentileza, que seja feita a projeção de alguns slides feitos por uma jovem que trabalha no meu gabinete, a Luciana, que é apaixonada pela causa.

(Procede-se à projeção de slides.)

Eu quero parabenizar a Luciana pela sua capacidade, pela sua inteligência, haja vista que ela fez tudo isso em duas horas. E realmente expressa o sentimento que temos por essa categoria.

O deputado Professor Grando, assim como eu e vários deputados aqui, foi e é professor. E é bom ser professor, adentrar numa sala de aula, expressar os conhecimentos, trocar experiências, porque hoje em dia o professor é diferente. Hoje, o professor tem que se impor pelo seu conhecimento; antigamente ele se impunha mais para manter a sua disciplina, mas hoje o diálogo tem que existir entre professor e aluno dentro de uma sala de aula, porque senão o professor não terá condições de se aproximar do aluno. E essa simbiose faz com que professor e aluno fiquem juntos para um processo de educação que venha ao encontro do aprendizado do professor e, logicamente, do aluno.

Mas a verdade é a seguinte: na medida em que, hoje, as aulas são dadas para essa juventude diferente que aí está, que é muito mais inteirada dos assuntos do cotidiano, os professores também aprendem.

Por isso, neste dia, que eu considero um dos dias mais importantes dos profissionais de carreira, o Dia do Professor, gostaria de parabenizar todos os professores, e não só em meu nome, mas em nome de todos os srs. deputados que aqui estão.

Muito obrigado!

(SEM REVISÃO DO ORADOR)