Sessões Plenárias

Pronunciamento

Deputado Antônio Carlos Vieira

105ª Sessão Ordinária - 25/11/2010

O SR. DEPUTADO ANTÔNIO CARLOS VIEIRA - Sr. presidente, srs. deputados, srs. telespectadores, hoje abordaria o assunto referente aos famosos excessos cometidos por Santa Catarina quando concede incentivos, o que já está repercutindo em nível nacional com ações na Justiça cujos resultado criarão um vácuo na arrecadação estadual. Entretanto, vou deixar esse tema para outro dia.

Hoje vou falar sobre a saúde. Há pouco se falou aqui do problema da segurança. Acho mesmo que estes são os dois mais graves problemas catarinenses: segurança e saúde. Eu não sei qual é o primeiro, acho que os dois estão na mesma ordem.

Recebi um texto de um cidadão, por isso é que vou me dedicar a esse assunto que não tem absolutamente nada a ver com denúncia. Quero, na verdade, fazer um apelo ao atual e ao futuro governo.

Permito-me ler o texto e vou até citar o nome do seu autor: Gilberto Lopes Teixeira.

(Passa a ler.)

"Escrevo, na madrugada, ao lado do leito hospitalar de meu sobrinho/afilhado, em recuperação. Após cinco longos dias, desabo em palavras antes que a loucura, indignação, lágrimas e o cansaço me consumam por completo. Falta de leitos, quase todos incompletos e sucateados, falta de estrutura médico-hospitalar, falta de medicamentos, escassez de médicos, enfermeiros, psicólogos e assistentes sociais em número suficiente para suprir o fluxo diário. Ironicamente, a abundância de técnicas e auxiliares camufla a imensa carência de pessoal experiente para atender à demanda dos enfermos anjos da terra e seus pais.

Vejo vigilantes terceirizados despreparados para lidar com o público, familiares e visitantes. Pacientes juvenis, meras crianças, são lançados ao descaso contínuo das autoridades públicas. Pais sofridos multiplicam as súplicas pelos seus entes adoecidos. A vida efêmera vale um sopro, a morte vagueia pelos corredores do que um dia foi um hospital de referência, formado por profissionais com dignos salários e condições de exercer a profissão plena.

Viro a noite acordado ao lado do leito sem dormir, pois, por duas vezes, trocaram as medicações das crianças agrupadas em um quarto apertado, desumano, sem as mínimas condições. São informações perdidas, desencontradas - pasmem - falta de identificação das crianças nos leitos. Protocolo na ouvidoria da casa de saúde minha indignação, mais uma talvez.

Do que adianta o pagamento de impostos e planos médicos particulares, se o único Hospital Infantil do estado, Joana de Gusmão, beira o caos, não sendo pior ante a presença de alguns bravos profissionais que ainda encontram força e coragem para doarem-se nesta luta diária.

Clamo providências do Ministério Público, OAB, Conselhos Regionais de Medicina e Enfermagem e das autoridades omissas. Vergonha para Santa Catarina. Por agora, durma em paz, sobrinho amado, ao teu lado estarei: 'Oh meu bom Jesus, que a todos conduz, olhai as crianças do nosso Brasil'."

Essa foi a correspondência que recebi e acredito, inclusive, que vários deputados tenham recebido, mas muitos talvez não tenham coragem ou interesse em trazer esse assunto para a tribuna. Mas o assunto é sério! Assunto de saúde, assunto de segurança é de uma gravidade muito grande, e eu faço um apelo, deputado Altair Guidi, a fim de que o atual governante, antes da sua despedida, faça alguma coisa, busque algum consolo aos necessitados na área da saúde, às crianças de Santa Catarina que adoecem e procuram os nossos hospitais, oferecendo-lhes pelo menos um pouco mais de cuidado, um pouco mais de atenção, um pouco mais de segurança.

Solicito ao futuro secretário, ao governador eleito Raimundo Colombo, que também tenham com a saúde a maior preocupação. Que o próximo governador coloque na pasta da Saúde um técnico, um médico realmente competente, capaz, para que, sem politicagem, implemente uma política voltada à saúde pública, à saúde do cidadão, à saúde do catarinense, à saúde das crianças, à saúde do povo que tanto anseia por melhores dias de vida.

Faço esse apelo nesta manhã de quinta-feira, dia 25 de novembro, dia consagrado a Santa Catarina, que em tempos outros foi cassada, mas que para nós é uma santa que merece ser homenageada, porque empresta seu nome a esta terra em que nascemos e vimos nossos filhos e netos crescerem.

Por isso, neste dia de Santa Catarina faço um apelo às autoridades da Saúde, atuais e futuras, para que olhem com muita devoção, com muito cuidado o que se passa na saúde pública. Realmente é um desrespeito a quem procura um médico, um hospital.

Eu já tive problema dessa ordem, deputado Altair Guidi. Eu perdi a minha mulher num hospital por falta de atendimento. Só não busquei outros caminhos porque o meu caminho seria a violência, e que eu não desejei empreendê-la.

Mas peço hoje, faço esse apelo, para que outros pais e outros avós não tenham uma reação violenta em defesa dos seus entes queridos, dos seus familiares.

Eu agradeço, sr. presidente, e fico satisfeito pela repercussão que quiserem dar no atual e no futuro governo às minhas palavras.

Muito obrigado!

(SEM REVISÃO DO ORADOR)