Sessões Plenárias

Pronunciamento

Deputado Sargento Amauri Soares

23ª Sessão Ordinária - 02/04/2008

O SR. DEPUTADO SARGENTO AMAURI SOARES - Sr. presidente, sras. deputadas, srs. deputados, telespectadores da TVAL, ouvintes da Rádio Digital Alesc, demais pessoas que nos acompanham nesta sessão e servidores públicos em geral, trago vários assuntos para tratar nestes cinco minutos, de forma que terei de ser breve.

Eu assinei a emenda substitutiva global à medida provisória que concede o abono piorado apenas aos professores que estão em sala de aula, porque não considero justo que nós concordemos com tamanha crueldade aqui neste Parlamento.

Tenho lido desta tribuna cartas emocionadas de professores do estado inteiro; tenho visto professoras e professores chorando nos corredores desta Assembléia Legislativa, especialmente os aposentados. É possível mudar a MP para contemplar todo mundo, os professores concordam!

E aí também me emociona a generosidade da classe trabalhadora ao dizer: "Não! Peguem esse dinheiro que vão gastar com o abono apenas para os que estão em sala de aula e dividam numa proporção igual para todos". Então, o que custa para nós, Parlamento catarinense, ou para o próprio governo do estado, tomar essa iniciativa e garantir que essa história termine de forma razoável, e não com tanta amargura?

Nós temos ainda uma semana para refletir sobre isso, ou deixar a coisa como está. E eu continuo acreditando, srs. deputados, que é possível mudar a MP e contemplar todos com o mesmo recurso, porque senão fica parecendo uma queda-de-braço. Se o dinheiro não é mais problema, é uma queda-de-braço do governo querendo derrotar o sindicato ou mostrar que o derrotou. E isso cria mágoas que, com certeza, jamais serão superadas.

Outra notícia que me chamou a atenção na imprensa de ontem para hoje saiu publicada na página 17 do jornal O Dia, da Grande Florianópolis, e diz o seguinte: "Cepon sem plantão diurno". O que significa isso? Não há médico no Cepon! O Hospital do Cepon é onde as pessoas tratam de câncer aqui na Grande Florianópolis, é onde as pessoas tentam se curar do câncer, é onde as pessoas tentam prolongar a sua vida e é onde as pessoas morrem de câncer. E por que não há médicos no hospital do Cepon? Porque o Cepon, assim como o Hemosc, foi transferido para uma fundação privada; porque os diaristas que trabalhavam lá - apenas dois durante o dia e de forma irregular, inclusive - agora estão trabalhando no Hospital Celso Ramos.

E o gerente do Cepon diz nessa matéria que houve uma recomendação para não internar pacientes graves nesse período. Se os doentes graves não podem ser internados, os que ainda não estão em estado grave também não vão ser porque não é grave. Esperam ficar grave, mas aí não pode internar. Quando vai internar? Nunca! Será possível que a saúde pública possa ser tratada dessa forma no nosso estado, em nome de favorecer grupos privados que atuam na segurança?

E o último assunto, e não há como não falar dele, é sobre a matéria de capa do jornal Diário Catarinense de hoje, que traz escrito com letras garrafais: "Tráfico lidera causas dos 254 crimes no trimestre". Nos primeiros três meses de 2008, 254 pessoas foram assassinadas no estado de Santa Catarina.

Aliás, é uma dolorosa coincidência, ou seja, 254 pessoas foram assassinadas em três meses e a lei de ajuste salarial dos servidores da segurança é justamente o n. 254. Gostaria de dizer que essa história ainda não terminou por aqui, pois o índice de homicídios tem tudo a ver com o descaso com os servidores da segurança. E muito em breve, deputado Joares Ponticelli, os praças estarão de novo nas ruas.

Muito obrigado!

(SEM REVISÃO DO ORADOR)