55ª Sessão Ordinária - 13/06/2000
O SR. DEPUTADO NELSON GOETTEN - Sr. Presidente e Srs. Deputados, quero dizer da alegria de estar ocupando esta tribuna num momento e num dia tão festivo para Santa Catarina e para o catarinense. Hoje, Florianópolis recebeu o seu mais ilustre filho de braços abertos.
O Sr. Deputado Onofre Santo Agostini - V.Exa. me concede um aparte?
O SR. DEPUTADO NELSON GOETTEN - Pois não!
O Sr. Deputado Onofre Santo Agostini - Eu também quero me associar ao pronunciamento de V.Exa. e fazer, já que V.Exa. me concedeu um aparte, um registro, com muita alegria, da presença de um filho ilustre de Santa Catarina, meu prezado e querido amigo Prefeito do Painel, que está aqui no Plenário, ele e seu Secretário, fazendo uma visita a esta Assembléia.
E eu faço este registro aproveitando o entusiasmo de V.Exa. ao saudar aquele ilustre filho que honrou Santa Catarina e o Brasil. Uma coisa que eu não sabia, Deputado Nelson Goetten, é que a Bandeira do Brasil vai tremular para sempre na França graças ao nosso atleta Guga.
Mas se V.Exa. assim me permitir, eu gostaria de pedir que fosse registrada a presença no seu pronunciamento, do Prefeito de Painel, Tadeu Waltrick, por sinal um excelente Prefeito, que está honrando não o meu Partido, mais Santa Catarina.
Muito obrigado!
O SR. DEPUTADO NELSON GOETTEN - Fica registrada, então, no meu pronunciamento, a presença do Sr. Prefeito daquela querida terra de Painel.
Mas o Guga é o nosso herói, é o herói catarinense, é o herói também brasileiro, é o nosso embaixador catarinense. E o Guga se transforma, então, num catarinense que todos nós respeitamos e admiramos; o Guga é bem o jeito do povo de Santa Catarina, com garra, com luta, com persistência, não desanimando nunca, acreditando sempre e conseguindo chegar ao topo: Guga n°1, orgulho de Santa Catarina.
Depois deste momento alegre, festivo, de poder transmitir e registrar esta notícia importante para Santa Catarina, também queremos, desta tribuna, usando o tempo do nosso Partido, com muita responsabilidade, que fique registrado nos Anais desta Casa alguns comentários que entendo ser fundamentais.
Custa acreditar o povo catarinense, custo acreditar, como Parlamentar e como cidadão também catarinense, que hoje se estampava nos jornais de Santa Catarina o seguinte: Casan entra em greve.
Parece-nos que não estamos vivendo em Santa Catarina nem no Brasil. Parece-nos que alguns segmentos da sociedade brasileira afrontam e abusam do cidadão. Parece-nos que alguns segmentos do serviço público afrontam a inteligência do cidadão.
Depois de uma cansativa, difícil e desgastante greve dos senhores professores catarinenses, uma greve meritória, uma greve de alguém que luta festejando 500 anos do abandono, de alguém que depois de 500 anos da Nação brasileira ainda não conseguiu ser reconhecido como um profissional que deve ser bem valorizado, que é o nosso professor.
Depois desse desgastante período que não só prejudicou a classe dos professores, o Governo, como também a família catarinense, depois disso tudo ser mostrado à sociedade catarinense, que não havia alternativa e solução para resolver, agora, de imediato, o problema do nosso professor, pois não tínhamos recursos necessários para resolver aquele anseio dos nossos queridos professores catarinenses, eles voltam às salas de aula sem poder levar consigo aquela conquista de um aumento de salário. Não por insensibilidade do Governo, mas pela falta de condições financeiras de um Governo que busca restabelecer e reorganizar as finanças do Estado de Santa Catarina.
O Governo Esperidião Amin, de uma forma explícita, clara, responsável e séria, enfrentou o problema de frente, colocou e abriu os números para que não só os servidores como também a sociedade soubessem que não havia alternativa, neste momento, para poder aumentar o salário do nosso querido professor catarinense. Mas ficou o compromisso - e nós testemunhamos isso -, da luta do Governo para fazer com que a justiça se faça principalmente com o nosso professor catarinense.
Depois de tudo isso, funcionários da Casan determinam, entram e tomam a decisão de entrar em greve num momento em que a sociedade está vivendo a sua pior situação. Talvez em nenhum momento, em nenhuma época a sociedade brasileira viveu uma situação de angústia e de desespero como esta.
E isso nos revolta muito porque está partindo de pessoas que têm o privilégio de ter um emprego muito bom, um emprego com todos os benefícios que poucos cidadãos públicos têm, pois recebem um excelente salário, chegando ao ponto de alguns receberem um salário abusivo.
Essa gente se sente no direito de afrontar o pobre miserável cidadão brasileiro, o agricultor brasileiro, aquele que não tem uma casinha para morar, um idoso que recebe R$151,00 de salário, aquele pai de família desesperado que não encontra sequer uma oportunidade de buscar, através do seu trabalho, o pão para sustentar os seus filhos.
Esse cidadão que trabalha numa instituição, numa empresa pública como a Casan, ter a coragem, num momento de angústia e de desespero da sociedade catarinense brasileira, de sair em greve nos enoja, nos revolta muito e faz com que os Governos e nós também caminhemos para as privatizações. Por que esta não é a falência do sistema mas, sim, a falta de moral e respeito de quem trabalha dentro desse sistema e tem coragem de aderir a uma greve num momento como o que a sociedade está vivendo agora.
Custa-me acreditar que isso está acontecendo em Santa Catarina, que o povo catarinense tenha que testemunhar leviandades dessa natureza, afrontas desse tipo.
Essa empresa prioriza, e muito bem, os salários dos seus funcionários, os quais têm a felicidade não só da certeza do sustento para os seus filhos como também a felicidade da garantia de uma boa aposentadoria, de uma boa casa para morar, têm felicidade de poder estacionar o seu carro no pátio da empresa, e geralmente são os melhores carros, senão, um carro do ano. E esse tipo de gente ainda se sente no direito de fazer uma greve.
Fico me perguntando: e aquele pai de família que bate de porta em porta, que corre mês a mês e não consegue encontrar sequer um local para trabalhar e assim poder levar o pão para os seus filhos? O que pensa esse pai, esse catarinense? E aquele idoso, que depois de uma vida inteira de luta e trabalho restou-lhe uma mísera aposentadoria de apenas R$151,99, que mal dá para comprar remédio? O que pensar esse cidadão? E o nosso agricultor, que está abandonando a sua propriedade, a propriedade rural, por não ter dela rendimentos suficientes sequer para manter dignamente a sua família?
Nobres Pares, diante de tudo isso, o que se espera do País? Estão jogando nas valas o cidadão brasileiro. Estamos desesperados, estamos angustiados. Não suportamos mais ver pessoas que têm privilégios, que se não estão ganhando tudo que imaginavam mas estão ganhando muito perante a miséria em que se atolou a grande maioria do cidadão brasileiro, sentindo-se no direito de prejudicar ainda o pobre, o miserável cidadão catarinense.
Então, não sei por que vamos acreditar no País. Eles mesmo admitem, o presidente do sindicato admite, que se normalmente o atendimento já é um caos, imaginem se agora paramos, se ficamos greve, no que vai se transformar a Casan!
Eles mesmos sabem o dano que estão causando aos usuários da Casan. Eles sabem o dano porque eles mesmos estão dizendo que falta gente na Casan. Se falta gente, e eles param, portanto, sabem que vão prejudicar e estão tomando uma atitude fria, bem planejada, bem pensada e que vai prejudicar mais uma vez aquele que já está sendo penalizado no dia-a-dia, eis que para ele não sobra o direito da greve, não sobra o caminho da Justiça. Mas os grevistas já estão recorrendo aos caminhos da Justiça, já querem ficar com os próximos dez anos de arrecadação da Casan, com o prédio, porque dizem que tiveram perdas salariais.
Onde está a reposição das suas perdas? Nós não estamos só perdendo salário. O cidadão está perdendo esperança, fé, a condição de alimentar com dignidade seu filho; o cidadão brasileiro e catarinense está perdendo o emprego. O cidadão não tem mais onde buscar a condição digna de tratar, de alimentar e de oferecer uma condição melhor à sua família.
E esta gente que tinha mil motivos para reconhecer, para agradecer, afronta-nos nesta hora difícil, com uma greve que com absoluta certeza vai atingir mais uma vez o pequeno cidadão e todos os cidadãos catarinenses, porque a água vai em cada um dos lares de Santa Catarina. E aquele que mais pode, até de outras maneiras, buscar água, ele vai conseguir se abastecer, mas o nosso mais pobre cidadão depende da água que chega pelo cano da Casan.
É necessário solidariedade e respeito com aqueles que pagam os salários dos funcionários da Casan! Queremos respeitar aqueles que estão trabalhando, mas os que têm coragem de fazer uma greve, enfrentando a população, o cidadão catarinense, que vive todo tipo de dificuldade, perde não só a nossa consideração como também recebe o nosso repúdio.
Vamos em qualquer lugar de Santa Catarina, em qualquer microfone, em qualquer veículo de comunicação dizer que isso é uma afronta ao cidadão. É esse tipo de coisa que temos que repudiar dentro do serviço público! Por isso, sentimo-nos enojados com certos segmentos do serviço público, porque eles não sabem a hora de iniciar nem de parar uma greve.
Este não é um momento para a greve! Este momento que vivemos é um momento de solidariedade...
(Discurso interrompido por término do horário regimental.)
O SR. PRESIDENTE (Deputado Heitor Sché)(Faz soar a campainha) - V.Exa. tem mais trinta segundos para concluir o seu pronunciamento.
O SR. DEPUTADO NELSON GOETTEN - Então, ao encerrar a minha participação, faço um veemente apelo para que os que já estão em greve repensem. Os nossos professores já voltaram para a sala de aula sem receber o benefício, porque não havia condições!
Será que o Governo vai ficar encurralado, agora, por aqueles que ganham muito mais do que um professor? Não é possível uma afronta tão grande com a sociedade catarinense, que não merece. Vamos ser solidários, porque o povo precisa de cada um dos seus servidores.
Muito obrigado!
(SEM REVISÃO DO ORADOR)