Sessões Plenárias

Pronunciamento

Deputado Sargento Amauri Soares

93ª Sessão Ordinária - 18/10/2011

O SR. DEPUTADO SARGENTO AMAURI SOARES - Sr. presidente, sra. deputada, srs. deputados, público que nos acompanha nesta terça-feira pela TVAL e pela Rádio Alesc Digital.

Não tenho conseguido dar conta de ler o que a nossa assessoria tem organizado em termos de material impresso relativo à corrupção. Ninguém mais sabe, nas próximas horas, de onde virá a próxima novidade.

Vimos aqui no hall da Assembleia Legislativa diversos baldes e escovas, mas estive olhando e não tem água e sabão dentro. Infelizmente não veio vassoura, porque aí já nos lembraríamos de Jânio Quadros, outra horrorosa memória da sociedade brasileira.

Houve problemas em vários ministérios - Transporte, Turismo, Agricultura -, e agora também no ministério dos Esportes. Temos a questão das aposentadorias aqui nesta Assembleia, dos supersalários. O engraçado sobre essa questão - assisti ao Fantástico no domingo - é que as pessoas afirmam que foram procuradas no local de trabalho e lhes ofereceram a oportunidade de se aposentar. E os nomes que vemos na imprensa são de pessoas aparentemente desconhecidas da grande massa.

Naturalmente, essas ações não foram tomadas sem o conhecimento dos gestores deste Poder naquele período. Não aconteceriam pela vontade de dois ou três funcionários tão somente. E esse é um elemento sobre o qual precisamos refletir, e não podemos ficar apenas achando alguns culpados, num processo que é muito mais amplo, infelizmente.

Tenho falado e quero repetir que a corrupção no Brasil é sistêmica, ela faz parte da engrenagem da nossa chamada democracia, que considero de fachada. A corrupção está e começa, na minha avaliação, no marco zero do financiamento privado de campanha. Hoje em dia, não se fala em entrar num processo eleitoral, pelo menos para cargos do Executivo, sem falar em milhões a serem gastos. É óbvio que esses milhões vêm de algum lugar e que dificilmente é do bolso do candidato, até seria impossível ser do bolso do candidato, ele não teria de onde tirar grande volume de recursos, então vêm de grupos empresariais que arrecadam dinheiro para financiar o candidato, evidentemente, com o objetivo de obterem favorecimentos, no plural, posteriores na administração.

Ou então, vem dessa forma que estamos vendo aí: dinheiro daqui, dinheiro dali, obra que é para sair e não sai. E esqueci-me de citar um caso estranho da Imprensa Oficial. O Diário Eletrônico de Santa Catarina, que se anuncia há quase oito anos neste estado, ainda não existe, a não ser a fotocópia do Diário impresso que é disponibilizada no site. E foram gastos quase R$ 2 milhões para isso.

Então a nossa democracia de fachada é financiada por essas formas tortas, quando não vis. Esta é uma observação que, inclusive, desestimula a participação na política institucional do nosso país.

Muito obrigado!

(SEM REVISÃO DO ORADOR)