96ª Sessão Ordinária - 31/10/2000
O SR. DEPUTADO ADELOR VIEIRA - Sr. Presidente e Srs. Deputados, vou fazer uso do horário do meu Partido, o PMDB, no primeiro momento, reservando espaço de tempo ao meu Companheiro de Bancada que vai fazer também o seu pronunciamento.
Trago a esta Casa a preocupação de todo cidadão que reside em Joinville. Preocupação esta, também dos meus Colegas Deputados com assento nesta Casa, Deputado Jaime Duarte, Deputado Nilson Gonçalves, Deputado João Rosa e Deputado Francisco de Assis, sobre o problema da insegurança que estamos vivendo.
Jamais se podia imaginar que a existência de um problema que está levando pânico à sociedade joinvilense pudesse tomar tamanha dimensão. Já são 10, ou quase 10, o número de vítimas de um maníaco, ou mais de um maníaco, que está agindo na maior cidade do Estado de Santa Catarina, a nossa querida Joinville. E esse maníaco é um estuprador. E as autoridades, em que pese estarem a agir, têm-se mostrado impotentes, Deputado Onofre Santo Agostini, para solucionar esse problema. E quando se vai a fundo, se vê que o problema de segurança é mais sério do que se possa imaginar.
Ontem, visitei o Coronel Dalbosco, que é o Comandante do 8º BPM em Joinville, para falar com ele e conversei também demoradamente com a Dra. Marilise, Delegada Regional de Polícia, e eles nos relataram as deficiências não só de pessoal como a insuficiência no quadro. Mas me dizia o Coronel Dalbosco que há muitos anos não se faz reposição do quadro de policiais naquele batalhão e que mensalmente existem baixas, quer por aposentadoria, quer por insatisfação, em função da baixa remuneração ou por outros motivos quaisquer.
A população vai crescendo, a marginalidade vai aumentando e hoje, para ao menos amenizar a situação, teríamos que dobrar os investimentos, dobrar o quadro de pessoal, o número de viaturas, os equipamentos e substituir aqueles já arcaicos e sem condições de uso, como muitos que se apresentam hoje.
O que mais nos deixa triste, o que mais lamentamos, Deputado Francisco de Assis, e V.Exa. tem acompanhado isso de perto, é que as autoridades constituídas daquele Município, os Vereadores, inclusive este Deputado e os demais, têm insistido para que o Sr. Governador receba uma comitiva para ouvir os reclamos da população, mas não há espaço na agenda do Sr. Governador, meu caro Presidente, para receber uma comitiva de representantes da comunidade para fazer um relato da triste situação em que se encontra a população da maior cidade do Estado de Santa Catarina!
Ontem, o Governador viajou, ficando o seu interino para substituí-lo, o Dr. Paulo Roberto Bauer. E nós procuramos manter um contato com ele na Câmara de Vereadores. Lá estava o Presidente, outros Vereadores, a imprensa, em que pese a boa vontade do Governador em exercício, mas continuamos insistindo que ele deveria tomar algumas providências de imediato. Ele nos pediu 24 horas para dar uma resposta: se recebia a delegação de representantes da comunidade de Joinville ou se decidia ele mesmo ir a Joinville para verificar in loco a situação.
Ora, Srs. Deputados, a situação é grave! É grave porque maníacos estão agindo em plena luz do dia e a polícia tem sido impotente para resolver tal situação. Não dispõe do mínimo equipamento nem para conferir uma impressão digital, porque isso nós não temos em Joinville!
Não há como prosseguir uma investigação pela deficiência de equipamentos, de estrutura, de veículos e de pessoal. Dizia-me o comandante e a Delegada: vamos vestindo um santo e despindo o outro. Não podemos remover o pessoal de um lado para cobrir o outro, pois ficamos com dificuldades! E a população continua nessa incerteza.
As nossas adolescentes, as nossas jovens, as nossas senhoras estão com medo de sair às ruas. Já houve manifestações públicas, inclusive de alunos, de protestos contra esta situação.
E eu quero, neste momento - não vou me alongar porque tenho um compromisso com o meu colega Deputado Rogério Mendonça, que irá utilizar o resto do tempo do nosso Partido -, deixar registrado nos Anais desta Casa que esperaria que o Governador em exercício (e disse ontem a ele que iria fazer este registro aqui na tribuna), usando de bom senso, tomasse as providências urgentes e necessárias para coibir, para dar um basta nesta situação de intranqüilidade e de insegurança. Porque é grande o número de vítimas dessa figura que podemos chamar de monstro, pois em poucos dias estuprou quase uma dezenas de jovens, não medindo as conseqüências, sem dó, sem piedade e sem misericórdia. Quem vai reparar esse dano? Quem vai reconstituir psicologicamente essas vidas?
Muito obrigado!
(SEM REVISÃO DO ORADOR)