77ª Sessão Ordinária - 11/10/2001
O SR. DEPUTADO NELSON GOETTEN - Sr. Presidente e Srs. Deputados, inicialmente, quero fazer da tribuna o meu registro de apoio ao trabalho desenvolvido na CPI do Leite pelo seu Presidente e pelos seus membros.
Quem conhece o trabalho na Casa do Deputado Moacir Sopelsa sabe que é uma pessoa equilibrada, que não fala bobagens, que se cuida ao fazer suas manifestações e que assumiu o comando de uma CPI que é importante para o Brasil e para a sociedade catarinense.
É verdade o que o Deputado aqui disse. Alguém tem que explicar o que está acontecendo com o leite em nosso Estado. A atual situação é criminosa, vergonhosa.
O agricultor está vivendo momentos desesperadores. Não podemos continuar aceitar que o agricultor tenha que levar cinco litros de lei para buscar um litro de água. É uma barbaridade o que está acontecendo no Brasil e em Santa Catarina! Não se está respeitando a classe produtora e o pior é que esse sacrifício não vem em benefício da sociedade consumidora porque o consumidor estava pagando R$1.20 o litro de leite. Agora, o mercado começou a mudar os preços. É por isso que sou solidário com esta CPI e ela precisa ter todo o apoio não só desta Casa como também da imprensa e da sociedade.
Este problema é grave e atinge milhões de famílias produtoras em nosso Estado, mas acima de tudo atinge os mais de cinco milhões de consumidores desse produto.
Esta CPI está sendo comandada por um Parlamentar sério, competente. Não tenho dúvidas de que ele vai até as últimas conseqüências, para mostrar resultados porque seus membros conhecem o assunto e convivem com o problema na própria carne.
É preciso dar um basta e colocar o assunto em discussão porque se há alguém produzindo o leite a R$0,20 e o consumidor pagar o litro a R$1,20, é crime e precisa ser esclarecido para a sociedade.
Um outro assunto que está na mesma esteira é a greve do Besc. Isto só acontece em empresa pública. Cada vez mais fico enojado com essas instituições, porque têm o direito de fazer greve. As empresas privadas não têm o mesmo direito. Não vemos um banco privado fechar suas portas para atrapalhar a sociedade que já tem tantas dificuldades.
É só a empresa pública que pode ter esse direito. É necessário que isso acabe, em detrimento da maioria. A sociedade é um conjunto. Os direitos precisam ser iguais. Há necessidade de que a sociedade seja melhor respeitada.
Um cidadão que trabalha numa empresa privada e não está satisfeito, o que acontece? E o que acontece com aquele que trabalha num banco como o Besc, sendo competente ou não, tendo o banco problema ou não?
Na iniciativa privada o cidadão pede as contas e vai embora se não está satisfeito; se não é competente é mandado embora. Na empresa pública nós temos que engolir o mau humorado, o incompetente, o despreparado. Temos que ser tratados por pessoas que só pensam no salário. Se não está contente vá para casa. Sou um pai de família, lutamos, trabalhamos, pagamos impostos e não suportamos mais essa palhaçada, esse desrespeito contra o cidadão.
O que dizer de um pai de família que luta, que trabalha, que paga a pensão para o seu filho e vai vendo que vai passar um semestre e o filho vai perder esse semestre e que talvez nesse semestre sequer vamos ter aula na Universidade Federal.
Por que só a universidade federal e pública têm direito à greve? Por que as outras não fazem greve? Por que o resto desses cidadãos brasileiros não têm o direito de fazer greve? Por que é só na empresa pública, onde tem esse poço sem fundo, que tudo que se coloca não chega?
Está na hora da sociedade reagir e começar a apedrejar esse tipo de gente. Estão aí enganando, mentindo para a sociedade. Estão fazendo pedágio, esses enganadores, porque a escola pública tem que ser para todos. Que escola pública? Que qualidade que temos? O que está acontecendo, hoje, com essas instituições públicas, essa vergonha que patrocinamos nessas empresas públicas?!
Temos que aprender a respeitar mais o cidadão. Nós não temos culpa, o cidadão não tem culpa, ele não pode ser penalizado e desrespeitado desta forma. O cidadão também tem necessidades, problemas, sofrimentos, anseios e sonhos. Nós temos sonhos e direitos também e a sociedade precisa ser respeitada. Porque o coitado do cidadão, que tem que ir ao INSS, pois precisa desse serviço, não está recebendo atendimento porque está há mais de 90 dias com as portas fechadas!
Todos têm o direito de reivindicar, de lutar por melhores salários, de lutar pelos seus direitos, mas não a ponto de ofender, de agredir, de atrapalhar a vida do cidadão.
A sociedade está revoltada, não é mais parceira e é contra as empresas e as instituições públicas, porque elas estão fazendo e construindo o seu próprio buraco, onde serão enterrados por esse desrespeito que têm com a sociedade, por esse abuso que fazem com a sociedade, por não terem sensibilidade e não saberem a hora de começar e de parar.
A pessoa deveria saber a hora de parar, deveria saber o momento certo para fazer um movimento, mas não nesse momento em que toda a sociedade está sofrendo. Nós vivemos um momento de muita dificuldade e de muita preocupação e não podem alguns continuarem atrapalhando a maioria.
Ora, temos problemas neste País? Claro que temos, é um problema que vivemos dentro das instituições públicas. Mas se continuarmos agindo dessa forma nunca vamos encontrar parceiros, nunca vamos encontrar apoio para uma discussão mais profunda em relação a esses assuntos. Quem querem enganar?
Hoje, numa faculdade pública, estão só encostados os melhores e os mais caros automóveis, porque é só para filho de papai, é só para quem tem dinheiro! Para lá não vai pobre, a não ser que tenha um QI muito elevado. Lá não tem lugar para pobre.
A universidade pública tinha que ser exclusivamente para pobre, para quem não tem recursos, para o aluno poder sonhar com um curso profissionalizante ou com um curso universitário. Mas isso se transformou em uma instituição para rico, para milionário, para quem tem condições de cursar dois, três anos dos melhores cursos que existe no Brasil para depois, sim, vencer a condição de um vestibular para ingressar numa escola pública.
Que enganação se vive neste Brasil, que barbaridade patrocinamos, que covardia da sociedade brasileira que não reage a esses privilégios! A sociedade é covarde, se acovardou, não reage mais, aceita tudo! Isso é uma vergonha, porque não podemos continuar apoiando esses tipos de movimentos!
Claro que dão até apoio aos professores, porque a maioria não tem problema nenhum; não têm que esfolar o umbigo no balcão para trabalhar de dia para pagar o estudo à noite; não é filho de pai que sofre para dar a mesadinha para ele; não tem problema para colocar a gasolina no carro; não tem problema para pagar o aluguel da sua pensão, porque são donos do seu próprio apartamento, do melhor carro; não precisam de emprego, têm condições de dar movimento a essa palhaçada, a essa agressão contra a sociedade.
Se fossem filhos de pobre e tivessem que trabalhar de dia para pagar o aluguel à noite, para pagar a comida não estariam apoiando essa baixaria, esse desrespeito, essa vergonha que se está produzindo por esta universidade, por esses grevistas contra a sociedade.
Acabar com esse serviço gratuito, vergonhoso para o rico e, sim, ter escola para proteger o pobre...
(Discurso interrompido por término do horário regimental.)
(SEM REVISÃO DO ORADOR)