Sessões Plenárias

Pronunciamento

Deputado Antônio Ceron

43ª Sessão Ordinária - 15/05/2002

O SR. DEPUTADO ANTÔNIO CERON - Sr. Presidente e Srs. Deputados, é com muita satisfação que voltamos hoje a assomar a tribuna desta Casa, caro Líder, Deputado Julio Garcia, neste retorno à Assembléia Legislativa, procurando marcar aqui, como das outras vezes, a nossa participação com coerência, com espírito público e contribuindo, dentro do possível, para que o Parlamento de Santa Catarina continue a prestar o trabalho e o serviço que presta a nossa sociedade.

Eu estava acompanhando, Deputado João Macagnan, com muita atenção a colocação da nobre Deputada Ideli Salvatti e, posteriormente, do Deputado Afrânio Boppré, e vou me permitir, dentro da linha de discussão do tema de sucessão nacional, a fazer também algumas colocações.

A Deputada Ideli Salvatti procurou colocar a nova figura do candidato Luís Inácio Lula da Silva à Presidência da República, e teve o cuidado de enumerar autoridades e posturas que fazem o diferencial da candidatura atual e das demais candidaturas dessa mesma pessoa.

O Deputado Afrânio Boppré, fugindo um pouco da linha mais moderada, moderna e atual da Deputada Ideli Salvatti, procurou trazer insinuações de que os demais Partidos tradicionais do País não se prepararam para esse pleito, como se a eleição, em função das pesquisas de ontem, já estivesse definida.

Portanto, eu queria fazer a colocação, Deputado Afrânio Boppré, de que já houve outras eleições em que o candidato Lula apareceu com 42, com 43 e com 44% nas pesquisas e isso não apareceu no resultado final.

Mas fazemos essas colocações para dizer que é muito importante que a candidatura que hoje lidera as pesquisas tenha mudado a sua maneira de se comunicar com a sociedade, exatamente porque dias atrás ouvimos as repercussões de temor de organismos internacionais a respeito do que pode acontecer com o País no caso de ser governado pelo Presidente Lula.

Queremos dizer que, pessoalmente, Deputado Afrânio Boppré, não temos nenhum receio, tanto é que já fomos eleitor, naquela eleição do Collor, no candidato, na época, Lula, porque entendemos que ele, como cidadão, e pelo seu passado, pelo seu compromisso e pelo seu plano de Governo, não tem nada a amedrontar e nem nós, brasileiros, temos nada a temer se ele for eleito democraticamente, como é o caso do nosso sistema eleitoral.

O que me preocupa - e aí vou dizer - é que na manhã de hoje estava acompanhando o Bom-dia Brasil e vi que a Rede Globo começou, a partir de hoje, a ouvir os assessores, aquelas pessoas que estão montando o plano de Governo na parte econômica do País, e fiquei, sinceramente, preocupado com as colocações do cidadão, se não me engano, do ex-Prefeito de Ribeirão Preto, que conduz a parte econômica, porque elas diferem, principalmente na objetividade, das colocações que o candidato Lula tem apresentado à sociedade brasileira de maneira agradável, de maneira afável, mas, acima de tudo, com conhecimento de causa.

A cada pergunta, Deputado Ivo Konell, que se colocou, o candidato Lula respondeu de maneira satisfatória. E, no entanto, aquela pessoa que está montando o plano econômico acabou enrolando, fazendo discurso de que tem que incluir os excluídos, que tem que melhorar o padrão de vida social. Mas não respondeu a nenhuma pergunta de maneira objetiva.

Por isso, gostaríamos, nessa discussão, que o PT, seguindo a linha do seu candidato, procurasse colocar pessoas mais preparadas para falar em nome do seu plano e que não venham colocar algum temor, que por muitas vezes, Deputado Afrânio Boppré, o temor não é do mundo internacional, mas é, até, de segmentos da imprensa, que começam a colocar coisas na opinião pública que não condizem com a realidade.

Então, quero dizer, Deputado Afrânio Boppré, que há uma eleição e que hoje, considerando-se como está indo o quadro, com as divergências internas dos demais Partidos, o PT só perde essa eleição se não conduzi-la bem.

Há necessidade, e a sociedade brasileira está clamando por isso, de mudanças. E neste momento, se houver serenidade e não houver também tantas contradições... Por exemplo, na Lei de Responsabilidade Fiscal, o PT votou contra e hoje é favorável; com relação à CPMF, que o PT sempre foi contrário, hoje é favorável. Portanto, há um discurso que daqui a pouco vai acabar trazendo problemas internos ao próprio PT.

Então, a sociedade brasileira precisa que o Lula e o PT mostrem exatamente o que querem. O PT uma hora é a favor da dívida externa e em outra hora não paga; uma hora é a favor da reforma agrária e em outra hora não é; uma hora a CPMF é somente para a Saúde e hoje já aceita que seja permanente e para entrar no caixa do Tesouro.

Portanto, como cidadão, o que precisamos é que todos os candidatos e, particularmente, o candidato Lula, digam exatamente quem fala a verdade: se são eles ou os demais representantes que têm utilizado esse espaço para discutir.

O Sr. Deputado Júlio Garcia - V.Exa. nos concede um aparte?

O SR. DEPUTADO ANTÔNIO CERON - Pois não!

O Sr. Deputado Júlio Garcia - Nobre Deputado Antônio Ceron, evidentemente que a razão maior do nosso aparte é saudar V.Exa., que nos dá alegria de retornar a esta Casa.

Já tivemos oportunidade de cumprir aqui um mandato juntos e, sem dúvida nenhuma, a participação de V.Exa. serviu de exemplo e deixou marcada a sua passagem por esta Casa.

Tenho certeza de que não vai ser diferente neste período, que haverá de se confundir com o próximo que se iniciará no dia 15 de fevereiro do ano que vem, por 04 anos ininterruptos, tenho certeza disso.

Mas o assunto que V.Exa. aborda é tão apaixonante, que não consigo lhe apartear sem dizer alguma coisa também sobre o tema.

Há pouco li uma declaração do sempre sábio Deputado Federal Delfim Neto, que dizia o seguinte: “Com Lula ou sem Lula, é preciso que não nos assustemos. Os rumos da economia, com ele ou sem ele, são sombrios”.

Então, achamos que todos nós, independentemente de quem ganhe a eleição, de quem seja o favorito, temos que estar, evidentemente, preocupados com o nosso futuro.

O SR. DEPUTADO ANTÔNIO CERON - Agradeço a V.Exa. pelo seu aparte, Deputado Júlio Garcia.

Aproveito a oportunidade para dizer ao Líder do meu Partido e, por extensão, ao Partido, que o meu retorno à Assembléia Legislativa é uma maneira, que o PFL procurou fazer ao longo desses quase 04 anos, de valorização partidária, fazendo com que não só eu, mas também o terceiro e o quarto suplentes tivéssemos tido a oportunidade de ter assento aqui neste Poder.

Então, queria, por extensão, cumprimentar o Partido da Frente Liberal exatamente por ter dito uma postura de coletividade de valorizar não só aqueles que tiveram o mandato direto, mas também aqueles que contribuíram para que o Partido tivesse o sucesso eleitoral que teve.

E com certeza, Deputado Heitor Sché, essa postura que o Partido teve nesta Legislatura faz com que tenhamos uma chapa de candidaturas ainda mais fortes para termos uma eleição ainda melhor no próximo pleito.

Muito obrigado!

(SEM REVISÃO DO ORADOR)