89ª Sessão Ordinária - 23/11/2004
O SR. DEPUTADO AFRÂNIO BOPPRÉ - Sr. Presidente, Sras. Deputadas e Srs. Deputados, sei que todos aqueles que se dispõem a escrever um livro deparam-se sempre com a dificuldade, com a saga de buscar, de encontrar poucas palavras para definir o título do livro.
Da mesma forma acontece quando se escreve um artigo, um conto. Se eu tivesse que dar um título ao discurso que quero fazer hoje aqui, na tribuna, daria o seguinte título ou plagiaria Fernando Gabeira: "O que é isso, companheiro?" Ou: "O que é isso, companheiro Lula?"
O que é isso? quando nós estamos numa semana em que o Governador Luiz Henrique da Silveira vai para a imprensa e diz (o que sabemos que não vamos cumpri) que o PMDB não vai cumprir, porque conhecemos o PMDB; que o PMDB tem que ter candidatura própria a Presidente; que o PMDB tem que largar todos os cargos, todos os Ministérios, todas as empresas estatais; que o PMDB tem que largar tudo em Santa Catarina, mas tem que ir para o Congresso Nacional e votar junto com o Governo.
Nós sabemos que isso não acontece, porque o PMDB, agarrado nos cargos, já não vota! Quem dera se o PMDB fosse acometido de uma síndrome de purificação política e dissesse: "Não, só vou apoiar agora o Governo e não tenho mais interesses.
Não tenho mais interesse nos repasses orçamentários dos Deputados do PMDB no Brasil afora, de norte a sul. Não tenho mais interesse nos cargos, vou lá somente para apoiar o Governo Lula."
Da experiência do Governador Luiz Henrique, um homem público, Deputado Estadual, Deputado Federal, Ministro de Estado, Governador, vir com essa balela em uma situação dessa, eu tenho que perguntar o que é isso companheiro? É companheiro Presidente Lula. Por que eu digo isso? Porque o Governador disse no jornal A Notícia do dia 19:
(Passa a ler)
"No ano passado, eu assinei um documento junto com os Governadores Requião e Rigotto, em que o PMDB devia, como deve, apoiar o governo Lula, mas sem participar dos cargos da administração. Essa posição eu mantenho. Só desejo que, se o PMDB tomar um rumo diferente, não vá para uma aliança com a direita."
Quando o PMDB esteve no Governo recentemente, o Governador era Paulo Afonso, foi um Governo de coalizão com o PFL. O PMDB governou Santa Catarina com o PFL, com a direita, e tinha, inclusive, a filha do Senador Jorge Bornhausen como secretária.
E hoje o PMDB volta para o Governo e diz: "Ah! Não! Mas isso foi lá atrás!" Mas não ficou no passado, não ficou lá para trás! Hoje o PMDB voltou ao Governo aliado com um outro Partido que faz oposição ferrenha, pela direita, com o Governo Lula, que é o PFL. E governa Santa Catarina junto com o PSDB, Deputado Pedro Baldissera!
Quem é o Governador Luiz Henrique para pedir, para fazer uma preventiva ao PMDB e dizer que espera que o PMDB não vá para a direita, se ele, em Santa Catarina, governa com o PSDB, abraçado com ele, ao lado do Senador Leonel Pavan, do PSDB, ferrenho opositor ao Governo Lula! Ele já está com a direita ou, quem sabe, já é direita! Não tem aí nenhuma novidade. Então é uma grande incoerência por parte do Governador Luiz Henrique.
Eu lamento não estarmos discutindo o comportamento da Bancada em Santa Catarina de maneira responsável; fazendo este debate nas instâncias partidárias. A Bancada do PT vem amadurecendo o seu comportamento, vem discutindo!
No dia 27, aqui em Florianópolis, vamos ter uma reunião do diretório, quando será decidido! Por quê, Deputado Padre Pedro Baldissera? Aqui na Assembléia Legislativa nós sabemos que o Governador Luiz Henrique tem oposição, só que ela, infelizmente, está sendo exercida quase que com exclusividade pelos Partidos PP e PFL, Partidos de direita que também se opõem, têm divergências com a estratégia eleitoral, com a disputa de espaço de Governo, têm divergências com o Governo do PMDB e PSDB.
O que está faltando aqui nesta Casa é uma oposição autêntica, uma oposição pela esquerda vinculada às lutas do povo, dos explorados, dos oprimidos, dos trabalhadores, dos movimentos sociais. E este espaço aqui na Assembléia Legislativa de Santa Catarina quem pode preencher é o Partido dos Trabalhadores!
Por isso eu espero que a reunião do diretório ratifique a discussão, o acúmulo do debate que a Bancada do PT vem fazendo.
Enquanto as instâncias partidárias, a base do Partido, o diretório estadual, os diretórios municipais, a Bancada do PT não esgotarem a discussão sobre o seu comportamento, não dá para trazer, de uma maneira atravessada, o debate que o Presidente Lula trouxe pela grande imprensa nesta semana, dizendo, de antemão que o PT em Santa Catarina tem que ter mais humildade.
Ser humilde, para ele, eu desconsidero! Eu respeito muito a opinião do Presidente Lula, mas ser humilde para ele é apoiar o Governador Luiz Henrique! Isso não é humildade! E mais, porque o PT pensou grande, pensou longe, na frente que vai fazer, em fevereiro, 25 anos de Partido! E exatamente por termos um projeto grande para este País que conseguimos levar o companheiro Lula para a Presidência da República neste País! Não foi porque o PT foi humilde! Foi porque o PT foi ousado, foi arrojado, porque se vinculou com as lutas sociais e a grande agenda nacional deste País.
Eu entendo, Deputado Pedro Baldissera, nosso Líder, se é que temos que antecipar a agenda de 2006, pensar a reeleição do Presidente Lula, as principais medidas que devem ser tomadas são, no mínimo, duas: rever imediatamente a política econômica do Governo Federal e lançar, como nós fizemos em 2002, em todos os Estados brasileiros os nossos candidatos petistas ao Governo do Estado.
Aqui em Santa Catarina, quem tiver na memória a eleição de 2002 sabe que foi uma eleição tripolarizada, foi uma eleição que o candidato do PT, companheiro José Fritsch, disputou de igual para igual com o Governador Esperidião Amin e com o atual Governador Luiz Henrique. O PT tem bons quadros, tem bons nomes para disputar a eleição de 2006.
Essa é a postura e a expectativa que eu espero do PT daqui para frente.
Muito obrigado!
(SEM REVISÃO DO ORADOR)