77ª Sessão Ordinária - 14/10/2008
O SR. DEPUTADO SARGENTO AMAURI SOARES - Sra. presidente, sra. deputada, srs. deputados, telespectadores da TVAL, ouvintes da Rádio Alesc, pessoas que nos acompanham nesta sessão muito especialmente os pequenos militantes do movimento sem-terrinha. É uma satisfação poder recebê-los aqui nesta Casa Legislativa.
Quero parabenizar a Mesa Diretora da Casa e o presidente Julio Garcia pela abertura democrática deste Poder que possibilita o acesso dos movimentos sociais, porque infelizmente não podemos dizer a mesma coisa de outras instituições do nosso estado, no caso a Universidade Federal de Santa Catarina, na pessoa do reitor, o professor Prata, que não possibilitou que os sem-terrinha ficassem alojados no espaço físico daquela universidade durante os três dias que estarão na capital. É um absurdo político! E eu falo isso porque na década passada eu ainda era estudante e diretor do Diretório Central dos Estudantes daquela universidade e o primeiro encontro estadual dos sem-terrinha foi dentro da UFSC. Na oportunidade, nós, do DCE, fomos lá ajudar a construir o encontro.
Quero parabenizar a luta deles e dizer que somos solidário a qualquer luta justa da classe trabalhadora e do povo brasileiro, deputada Ana Paula Lima, assim como somos favorável à legalidade, à legitimidade e à justeza da greve dos trabalhadores têxteis de Blumenau, Indaial e Gaspar. Com o salário aviltado, a classe que produz toda a riqueza, quando faz uma greve é tratada pelos grandes meios de comunicação com o silêncio, pelos governos com desprezo e pelo estado, algumas vezes, com repressão.
Somo-me à deputada Ana Paula Lima para dizer que nenhum dos praças de Blumenau, em sã consciência e de vontade própria, está lá ajudando a reprimir os trabalhadores têxteis. Se for o caso, pode-se fazer uma enquete para ver se não é verdade que 90% dos praças não gostariam de estar dentro das portas das fábricas para proteger o lucro e os interesses dos patrões. São os governantes, o secretário da Segurança, o comandante-geral, os coronéis da Polícia Militar e, por que não, o próprio governador do estado, que colocam a instituição e seus servidores para servir de bate pau dos interesses da classe economicamente dominante.
É um absurdo que uma instituição pública, paga com o dinheiro dos impostos de todos os trabalhadores, de toda a sociedade, vá para dentro das fábricas, que são lugares privados, fazer um serviço que não é inerente a uma instituição pública. A Polícia Militar existe para proteger a população, 100% da população. Ela pode e deve estar lá na região, na área, nas proximidades das fábricas para evitar conflitos entre os trabalhadores e outros servidores, inclusive os seguranças das fábricas. Jamais a Polícia Militar deveria ser usada para abrir piquete em nome de patrão, para coagir trabalhador a trabalhar sem vontade, para impedir o direito de ir e vir dos trabalhadores.
Então, nós estamos fazendo este pronunciamento para pedir às autoridades do governo, inclusive ao governador do estado, ao vice-governador, ao secretário da Segurança Pública, que olhem essa questão, porque a Polícia Militar é uma instituição pública do povo catarinense e não pertence ao dono da Cremer, da Malharia Bom Retiro ou das Linhas Círculo! A Polícia Militar é pública e deve trabalhar para o público e não para os donos das fábricas.
Muito obrigado!
(SEM REVISÃO DO ORADOR)