86ª Sessão Ordinária - 17/10/2007
O SR. DEPUTADO SARGENTO AMAURI SOARES - Sr. presidente e srs. deputados; servidores deste Poder Legislativo; telespectadores da TVAl; ouvintes da Rádio Alesc Digital; demais pessoas que nos acompanham nesta sessão, eu queria retomar a discussão a respeito da tragédia ocorrida no extremo oeste do nosso estado, semana passada, que vitimou 27 pessoas, a maior parte delas catarinenses que estavam trabalhando para salvar outras vidas. Morreram cinco bombeiros militares, um policial militar, dois motoristas do Samu e outras pessoas que ajudavam a salvar vidas.
Está-se buscando retomar a normalidade, dentro do que é possível, da vida no extremo oeste. Vários companheiros, várias pessoas ainda continuam internadas nos hospitais da região, outras convalescendo em residências. O sargento Alcimar Lauer, comandante do Corpo de Bombeiros da cidade de Maravilha, está respirando sem equipamentos e está consciente. Depois dessa situação grave, temos esperança de que esse nosso companheiro leve uma vida normal.
Quero aproveitar a ocasião para parabenizar a iniciativa e o trabalho do deputado Herneus de Nadal, no sentido de, junto ao secretário da Segurança e ao governo do estado, buscar as condições para que as estruturas de segurança e de saúde pública no extremo oeste do estado possam continuar funcionando.
Alguns podem dizer: "Mas ainda nem terminamos de chorar os mortos e estão preocupados com as questões materiais de ambulância, de equipamento!" É preciso dizer que em condições objetivas falta também efetivo! Os órgãos de segurança e principalmente o Corpo de Bombeiros do extremo oeste não tiveram mais condições de prestar serviço público à população porque foram perdidas as viaturas de São Miguel d'Oeste, de Maravilha, de Descanso, assim como as viaturas da secretaria da Saúde!
Mas alguém pode dizer: "Que insensibilidade! Estão preocupados em repor as pessoas para novamente colocar no processo de produção as viaturas ou as condições materiais!"
Não é essa a questão tão-somente, porque nada vai aplacar a dor da maior tragédia que já se abateu sobre a história do Corpo de Bombeiros de Santa Catarina. Mas o fato é que os servidores da Segurança Pública e da Saúde, os trabalhadores públicos feridos fisicamente, talvez moralmente e psicologicamente também, sabem que precisam continuar prestando serviço e salvando vidas no extremo oeste. Não se trata de questões materiais, mas das vidas que precisam ser salvas, ontem, hoje e amanhã! Porque a segurança pública e esse trabalho são ininterruptos, são prestados 24 horas por dia, sete dias por semana! E se ocorrer, desgraçadamente, uma nova tragédia lá na região, não há equipamento, não há viatura, não há efetivo para atender. O Corpo de Bombeiros perdeu as condições de atender, mesmo com nível de precariedade, de insuficiência que conseguia fazer anteriormente, porque agora não há condição nenhuma de atender.
Então, é preciso repor as condições materiais, repor os efetivos e, principalmente, dar muito apoio aos que estão vivos, aos amigos, especialmente os familiares, os companheiros mortos e feridos na semana passada.
Eu quero aproveitar esta situação para travar um debate sobre a importância do serviço público para a sociedade, e aqueles companheiros lutavam pelo fortalecimento do serviço público! As pessoas, em geral, aquela minoria da sociedade brasileira que tem condições de pagar escola particular para o filho, um plano de saúde privado, de morar num condomínio fechado ou pagar segurança particular, essa pequena parcela da população, portanto, tem o costume de pensar que o serviço público é gasto desnecessário de dinheiro; tem o costume de divulgar que serviço público é desperdício.
Quando essas cabeças medíocres vêem um policial caminhando pela rua ou numa viatura ou um bombeiro circulando dentro do quartel, passa-lhes pela cabeça que aquilo é um desperdício! Mas quando acontece uma tragédia, é um Deus nos acuda porque falta bombeiro, falta policial, falta ambulância, falta viatura! A maioria da população que, infelizmente, acaba acreditando nessa tese de que é necessário diminuir imposto porque serviço público é muito caro para o contribuinte, é que fica desprotegida porque não tem dinheiro para pagar escola particular, não tem dinheiro para o plano de saúde privado, não tem dinheiro para condomínio fechado, para segurança particular.
Neste sentido, quero também agradecer à deputada Ana Paula Lima por todo o apoio dado, comprometendo-se todo dia a vir aqui falar que é preciso o governo pagar a Lei n. 254/2003, assim como outros deputados. Quiçá todos os nossos colegas viessem todos os dias, nesta tribuna, dizer isso.
Eu não quero fazer nenhum proselitismo, mas um dos companheiros que caiu, que faleceu, que morreu e foi enterrado em Bom Jesus do Oeste, na quinta-feira passada, não faltava a uma atividade para cobrar a Lei n. 254/2003 e ele sempre dizia: "Um dia nós vamos com esse ônibus e vamos voltar com a Lei n. 254/2003 no bolso!" Mas ele não conseguiu ver isso.
Quero dizer que hoje, nesta tarde, vai haver um ato de praças da Polícia Militar, do Corpo de Bombeiros, de professores e professoras, de servidores e servidoras da Saúde na cidade de Joinville, a Manchester catarinense, na casa do governador. Para quê? Para cobrar o fortalecimento do serviço público, para cobrar as condições de prestar o melhor serviço para a população!
Essa unidade das três categorias existe desde o último dia 25 de setembro e, é preciso dizer, tem preocupado setores do governo. O comandante-geral da Polícia Militar fez uma nota dizendo que é um equívoco que nós, praças, que a Aprasc participe de alguma atividade conjunta com os servidores da Saúde e da Educação! Na verdade, acusam a preocupação com a unidade dos trabalhadores públicos do estado de Santa Catarina, o que indica que estamos certos.
Eles nos querem canibais; querem-nos uma categoria caçando a outra; querem-nos cada qual correndo atrás da sua migalha! E a prova disso é que hoje, pela manhã, houve uma reunião do Sinte com o secretário Ivo Carminati e qual foi a resposta concreta do governo com relação a salários, gestão democrática e outra questão?"Não tem conversa!"
Estão tentando dividir-nos, mas não vão conseguir! A luta dos trabalhadores da Segurança, dos praças, dos trabalhadores da Educação, da Saúde e de todos os trabalhadores seguirá e será por fim vitoriosa, porque é uma luta justa e que interessa ao conjunto da população.
Muito obrigado!
(SEM REVISÃO DO ORADOR)