96ª Sessão Ordinária - 20/11/2007
A SRA. DEPUTADA ANA PAULA DE LIMA - Srs. deputados, sra. deputada, gostaria de falar primeiramente, sr. presidente, sobre a data de hoje, dia 20 de novembro, quando se comemora o Dia da Consciência Negra. Farei um relato rapidamente sobre o que significa esse dia, eis que em muitas cidades do nosso país é feriado, é um dia de reflexão.
(Passa a ler.)
"Zumbi, líder maior do Quilombo de Palmares, brilhante chefe militar, símbolo principal da resistência negra (desde o século XVI) até os dias de hoje, governou e conduziu Palmares como uma sociedade extremamente organizada, economicamente viável e com forte organização política.
O processo de erradicação da escravidão nas Américas é muito recente, se bem me lembro tem quase uns 200 anos. No Brasil, no próximo dia 13 de maio do ano que vem, ano de 2008, serão 120 anos de abolição da escravidão do nosso país. E a Lei Áurea, como é conhecida através dos livros, foi assinada pela princesa Isabel, 'nossa redentora', que teve pena dos escravos e '` acabou' com a escravidão, como todos nós até hoje aprendemos nos livros de história do Brasil.
Mas, infelizmente, sr. presidente, sras. deputadas, srs. deputados e público que nos acompanha aqui nas galerias da nossa Assembléia Legislativa, pela nossa TVAL e pela Rádio Alesc Digital, não é isso que contam os nossos livros, a verdadeira história.
O que aconteceu, srs. deputados, é que após ter garantido todos os privilégios e a manutenção do poder, a monarquia brasileira, diante de um ambiente de forte pressão interna dos grupos (revoltas e rebeliões escravas) abolicionistas, vindos de diversos setores da sociedade, pressionados por fatores sócio-econômicos, pela Inglaterra que, querendo vender seus produtos no Brasil, exigia a troca da mão-de-obra escrava pela mão-de-obra assalariada, então, a Princesa Isabel não fez nada mais do que, justo, assinar a Abolição da Escravatura. Ela foi pressionada, sim, por diversos setores da sociedade e também pelas revoltas dos escravos e pela pressão internacional, principalmente da Inglaterra, onde teria que haver a troca da mão-de-obra escrava pela mão-de-obra assalariada."
Por isso, que no dia 20 de novembro, comemoramos e reverenciamos o Movimento Negro Brasileiro por esse dia de reflexão, de denúncias contra as desigualdades sociais sofridas pela população negra em todo o nosso país.
Esse quadro também é referência em nosso estado, que também não difere muito do nosso Brasil, mas que deveria ser. Afinal a população negra no estado de Santa Catarina é pequena, mas ela existe. Conforme os dados do IBGE, são 10% da população de quase seis milhões de catarinenses. E essas desigualdades, srs. parlamentares, ainda são apontadas, ainda são registradas, e precisamos acabar com isso.
Então, que no dia 20 de novembro deste ano e dos próximos que irão acontecer seja um dia de reflexão e seja um dia de combate a qualquer tipo de discriminação contra essa população negra, que fez aqui no nosso país os primeiros habitantes depois dos índios. Mas eles ainda não foram considerados e ainda estão discriminados.
Sr. presidente e srs. deputados, no dia de ontem aconteceu na cidade de Blumenau o 25º Encontro Econômico Brasil/Alemanha. E cada vez mais me sinto inspirada a fazer o trabalho que nós, parlamentares, fazemos nesta Casa, que é o trabalho da política séria, justa e ética para a maioria do povo catarinense, como vocês que estão aqui representando as auto-escolas.
Aqui temos que fazer o que o povo necessita, o que o povo quer. Por isso, a bancada do Partido dos Trabalhadores, da qual sou integrante, faz também o seu voto, porque era uma obrigação do governo do estado já ter feito essa licitação anos atrás. Por isso, hoje, esses que estão aqui estão reivindicando um assunto que já é de competência deles. Ganharam na Justiça e nada mais justo do que deixar essas auto-escolas trabalharem.
Falei também que cada vez mais me surpreende, cada vez mais eu aprendo, deputado Onofre Santo Agostini, com o líder da nossa nação. Falo aqui do presidente Lula, que fez um discurso, ontem, na cidade de Blumenau, maravilhoso, um discurso, como mencionou o jornalista Moacir Pereira, ético.
Ontem o presidente Lula, deputado Pedro Uczai, fez, como disse o jornalista Moacir Pereira, um discurso que alegrou gregos e troianos. Ele falou no crescimento desse maravilhoso país, que é o Brasil, falou para empresários brasileiros, falou para empresários estrangeiros, nunca abaixando a cabeça, como os outros governantes do nosso país faziam. Sempre enalteceu o estado de Santa Catarina e também o nosso Brasil, para os alemães que estavam ontem na nossa terra, na cidade de Blumenau e no estado de Santa Catarina. Falou o que era importante, falou que não adianta só, deputado Onofre Santo Agostini, os empresários ganharem dinheiro, enquanto o povo passa fome. Nós temos que aprender que o Brasil tem que crescer, e junto com o Brasil os empresários têm que crescer, mas os trabalhadores também precisam crescer.
O povo precisa crescer, o povo precisa ter renda, porque quanto mais renda o povo tiver, mais ele irá comprar, gastar, consumir, e quanto mais a maioria da nossa população consumir, mais o empresário vai fabricar. Isso é lógico. Não adianta querermos apenas nos engrandecer, se o nosso vizinho está passando fome. Precisamos partilhar. Foi assim que ensinou Nosso Senhor Jesus Cristo, deputada Odete de Jesus.
Temos que repartir o pão com todos, com os empresários, com os trabalhadores, com a maioria da população brasileira. Por isso eu disse que viemos para esta Casa, senhores e senhoras que nos estão acompanhando nas galerias da Assembléia Legislativa, pela TVAL e pela Rádio Alesc Digital, para fazer as leis para a coletividade. Mas viemos aqui trabalhar com ética, com transparência também.
O presidente Lula foi genial, apesar de ontem a imprensa, deputado Pedro Uczai, a Rede Globo, que não é ética, pegar apenas uma frase em que houve um engano. Mas muitos se enganam. Eu também já me enganei. Quem ainda não se enganou? O presidente, em vez de falar empresários alemães, falou empresários espanhóis. E a Rede Globo se aproveitou, mas não falou da grandiosidade e do que fez ontem o presidente Lula na cidade de Blumenau, no estado de Santa Catarina, enaltecendo a nossa terra, o nosso Brasil e principalmente nunca abaixando a cabeça para o estrangeiro.
Quem quer apostar no Brasil, quem quer fazer empresas, aqui no Brasil, tem que ter respeito pela nossa gente, pelo nosso povo, porque o nosso país, as nossas cidades e o estado de Santa Catarina são construídos por um povo maravilhoso, trabalhador e honesto.
Era o que tínhamos a relatar.
Muito obrigada!
(SEM REVISÃO DA ORADORA)