Sessões Plenárias

Pronunciamento

Deputado Sargento Amauri Soares

20ª Sessão Ordinária - 24/03/2010

O SR. DEPUTADO SARGENTO AMAURI SOARES - Srs. deputados, senhores que nos acompanham pela TVAL e pela Rádio Alesc Digital e, especialmente, pessoas presentes neste plenário na tarde de hoje, na maioria oficiais de Justiça, também policiais civis, no interesse de seus assuntos, demandas e causas, quero cumprimentá-los.

Eu até havia, deputado Reno Caramori, preparado um discurso de despedida para o governador Luiz Henrique, já que hoje é a última sessão. Espero que haja mais tempo para falar depois, até porque cinco minutos seria pouco, pois uma boa despedida ao governador Luiz Henrique requer mais de cinco minutos, especialmente buscando uma passagem da Divina Comédia, deputado Pedro Uczai, que é a passagem de Dante pelo Nono Círculo do Inferno, que expressa bem algumas coisas a respeito do governador na nossa concepção. Evidente que há outras.

Mas esse assunto trazido aqui pelo deputado Reno Caramori me fez trocar a ordem dos assuntos. Eu vou falar do marinheiro Edilton, que não conheço, e não sabia que existia. Não sabia que havia um marinheiro de família de Caçador entre os milhares de marinheiros que naquele 31 de março estiveram à frente de um movimento que buscava impedir a realização do golpe militar.

Vou falar disso porque nós todos os militares - soldado, cabo, sargento, subtenente, todos os oficiais -, pela sociedade de hoje, são confundidos com aqueles que praticaram o golpe em 1964. Isso não é verdade. Eu vou conferir, deputado Reno Caramori, porque v.exa. falou que o Edilton estaria anistiado desde 1980. Tenho estudado um pouco sobre isso e elementos de análise histórica dos últimos 40, 50 anos mostram que cerca de 5.700 militares ainda não foram anistiados, que aqueles marinheiros de 1964, os sargentos da rebelião de Brasília em setembro de 1963, e os militares das Polícias que aqui em Santa Catarina, no Rio Grande do Sul, em São Paulo, na Guanabara e no estado do Rio de Janeiro se manifestaram contra o golpe militar estariam até hoje sem anistia.

Precisamos resgatar essa história para que a sociedade possa refletir a esse respeito e saber especialmente que ser militar não é, necessariamente, sinônimo de ser antidemocrata. Pelo contrário, temos grandes e belos exemplos de militares na história do nosso país e na história universal que lutaram e morreram pela democracia, pelo direito de manifestação do pensamento, de organização, de defender uma concepção de sociedade diferente.

Em 31 de março de 1964, milhares de marinheiros estavam na cidade do Rio de Janeiro de fuzis nas mãos esperando a ordem do poder legítimo, do presidente da República para defender a Constituição e defender a democracia. Como a ordem não veio, e dizem até que Brizola andou se estranhando com João Goulart porque a ordem de resistir ao golpe não veio, os marinheiros acabaram sendo perseguidos, presos, torturados e, como bem disse o deputado Reno Caramori, exilados. Há pessoas que até hoje não voltaram a viver novamente em sociedade por receio, por medo, por preocupação com o seu futuro.

Então queremos fazer essa homenagem a todos os militares da história do nosso país, ao Edilton e a todos os outros que lutaram contra a ditadura dos generais e dos grandes empresários, e que lutaram pela liberdade no nosso país.

Muito obrigado!

(SEM REVISÃO DO ORADOR)