23ª Sessão Ordinária - 31/03/2010
O SR. DEPUTADO SARGENTO AMAURI SOARES - Sr. presidente, srs. deputados, público que nos acompanha pela TVAL, servidores públicos aqui presentes, na semana passada, na quarta-feira à tarde, fiz aqui o que seria um discurso de despedida do governador Luiz Henrique. Infelizmente, vou ter que retomar o tema. Ele foi, mas as suas chagas ficaram, o seu modus operandi ficou perdido nos corredores do palácio e também neste poder.
Nas últimas semanas, vimos um acotovelamento dentro do palácio entre secretários e candidatos, cada um lutando para resolver o problema, a demanda do seu subgrupo específico, ignorando a maioria, que julgam estar em um subgrupo com probabilidade talvez menor de trazer voto na próxima eleição.
A perversidade da política de abono, que não valoriza o tempo de serviço, não valoriza a hora extraordinária dos servidores estaduais, está em praticamente todas as medidas provisórias que estão em debate nesta Casa e que vamos debater nos próximos dois meses.
A imprensa tem divulgado - e acho que até tem sido levada pelo ufanismo governista a pensar assim - que o governo está gastando milhões e milhões para beneficiar de forma ampla todos os servidores públicos do estado de Santa Catarina. Não é verdade! Infelizmente, a maior parte dos benefícios está posicionada visando os bem apadrinhados deste governo e não deste estado! Há exceções? Sim, mas no geral os bem apadrinhados estão levando uma gratificação interessante e importante. Por exemplo, na Segurança Pública, os delegados e oficiais estão recebendo R$ 2 mil e os outros, R$ 250,00. Na Saúde, os médicos já levaram e alguns setores minoritários, inclusive de nível superior, estão levando R$ 900,00, praticamente R$ 1.000,00. E a maioria nada, absolutamente nada!
Então, precisamos informar aos meios de comunicação, aos formadores de opinião, que o governo do estado não está gastando R$ 50 milhões ou R$ 80 milhões, como tem sido divulgado, para fazer política salarial no estado de Santa Catarina, está gastando esse dinheiro para resolver a demanda, o problema de subgrupos minoritários dentro do conjunto do serviço público estadual, especialmente daqueles que estão ali do lado, na sala ao lado, dos palácios, das secretarias e etc. O pessoal da linha de frente, infelizmente, está ficando de fora ou está recebendo as migalhas caídas da mesa.
Essa é a realidade sobre esse pacotaço que está nesta Assembleia Legislativa. A imprensa, inclusive, está mal informada, dando a impressão de que a maioria dos servidores está sendo beneficiada, mas não está.
Quanto à Saúde no estado de Santa Catarina, digam-me se o médico e alguns enfermeiros, não são todos também, vão fazer sozinhos os serviços dentro do hospital! Não vão! O trabalho na Saúde é feito em equipe. Como deixar auxiliares e técnicos de fora? Já resolveram pagar no passado para os médicos, e agora vem mais uma gratificação para uns poucos da Saúde, enquanto a maioria da equipe que está lá para prestar atendimento à população fica sem nada!
O estômago do oficial é oito vezes maior que o do praça? O estômago do médico é muito melhor do que o do técnico? Essa é pergunta que não quer calar.
Muito obrigado!
(Palmas das galerias)
(SEM REVISÃO DO ORADOR)