30ª Sessão Ordinária - 11/04/2012
O SR. DEPUTADO NILSON GONÇALVES - Sr. presidente, faço minha as palavras da deputada Dirce Heiderscheidt. Sinto-me bastante orgulhoso das iniciativas que s.exa. tomou e também do título meu amigo Reno Caramori que está no seu 6° mandato e quase faz parte da cultura desta Casa, pelos anos que está aqui. É um título extremamente merecido. Eu não conhecia o seu irmão e ontem tive a oportunidade de conhecê-lo. Ele tem um estilo de senador, deputado Reno Caramori, pela forma como fala, pela postura. É uma família realmente que não é fraca.
Em decorrência da não presença do nosso companheiro do PSDB, aproveito para dizer que utilizarei a tribuna na semana que vem, sr. presidente, para falar acerca do levantamento de um material muito interessante, de um deputado federal de São Paulo que está entrando com um projeto para que a Carteira de Habilitação para motociclista seja dividida em três partes ou em três fases. Habilitação categoria A, categoria B e categoria C, para poder diferenciar ou pelo menos restringir o uso da motocicleta pelas suas cilindradas, porque um garoto de 19 ou 20 anos, que mal saiu de uma autoescola onde foi retirar sua Carteira de Habilitação...
É um absurdo a pessoa aprender a pilotar uma motocicleta fazendo um oito dentro do pátio. E outra coisa que também ensinam para o motociclista é que quando ele parar tem que colocar o pé esquerdo no chão, para se apoiar. Esses são ensinamentos que nada, exatamente nada têm com a realidade do nosso dia a dia nas ruas. E esses meninos pegam a Carteira de Habilitação e muitas vezes com o poder aquisitivo bom da família acabam tendo acesso a motos de 1.000, 1.200 cilindradas. São motos esportivas que comumente, no meio, chamamos de bikes. As famosas bikes são verdadeiras réplicas de motos de corrida.
Neste fim de semana tive o desprazer de ver mais três jovens na minha região perdendo a vida por conta dessa insanidade. Um menino, com a prima, de 22 anos na garupa, com uma dessas motos, ou dessas réplicas de motos de corrida, na cidade de São Francisco do Sul, uma pista normal, numa velocidade de 170km/h ou 180 km/h, e ainda assim é pouca velocidade para aquele tipo de moto. Eu mesmo usava aquele tipo de moto, e conheço. Tive uma que alcançava 310km/h; são verdadeiros foguetes.
Eles estavam saindo de São Francisco, talvez tivessem acabado de almoçar, e ao ultrapassar um carro, que cortou a sua frente para convergir à esquerda, não deu tempo, foi um estrondo, o moço voou longe e morreu! A garota muito linda, parece uma modelo, está no hospital com traumatismo craniano. Está toda quebrada e se morrer vai ficar melhor do que se continuar viva, pela situação que ficou, porque provavelmente vai ficar em uma cadeira de rodas, ou com auxilio de aparelhos etc.
Em Itapoá, também no final de semana, um garoto andava com uma dessas motos velozes na via principal, mas veio um menos avisado e avançou a preferencial. Devido à velocidade do rapaz houve também aquele estrondo e voou 200m adiante com morte instantânea. E assim vem acontecendo.
Esse projeto do deputado federal de São Paulo visa justamente restringir a primeira habilitação às motos. Se não estou enganado, até 500 cilindradas, ou até 250 cilindradas, não sei bem. Eu estou com todo esse material, e na semana que vem vou trazer aqui para me aprofundar mais nesse assunto que eu acho muito interessante, porque talvez os senhores não saibam, mas chegaremos muito próximos dos 20 milhões de motocicletas no Brasil. Inclusive, mais ou menos 50% das cidades brasileiras estão tendo mais motocicletas do que carros vendidos. No nordeste então é um verdadeiro formigueiro e lá não se atenta muito para a questão de capacetes.
Então, quero entender que esse projeto que será levado ao Congresso Nacional, à Câmara Federal, vai dar um discernimento melhor, pois o cidadão vai tirar uma carteira de habilitação, primeiro, e irá andar com uma moto de baixa cilindrada, quando tiver prática, irá passar por outro teste para conseguir uma moto de 250, 500 cilindradas. Depois de alguns anos, irá conseguir a habilitação para pilotar uma moto de 1.000 cilindradas ou, pelo menos, terá que passar por alguns testes. E o que de repente é um hábil piloto e não pode tirar a carteira, aí vem o problema, deveria passar por um teste mais aprofundado.
É impressionante, o cidadão vai tirar a carteira de motociclista, fica fazendo oito no pátio da autoescola, mas nem o instrutor sai com ele na garupa, não se arrisca. O certo seria colocar o instrutor, já que ele está preparado, está no fim do curso, na garupa e dar uma volta na cidade para ver como ele age. Mas não se arrisca, porque sabe que é perigoso uma pessoa recém-saída de uma autoescola dirigir no centro de cidade.
Então, acredito que isso irá realmente ajudar, não irá diminuir tanto, mas vai melhorar substancialmente os problemas de mortes no trânsito provocadas pelo motociclista.
Quero dizer também que não são apenas os motociclistas, há muita gente comprando carro sem a menor noção do que é andar numa estrada. Viajei, agora, nesse final de semana, de moto para o Rio Grande do Sul e tive a oportunidade de ver muita gente que deveria estar numa carroça andando com dois cavalos em vez de estar num carro.
Trarei a esta Casa, na semana que vem, esse assunto, de maneira mais aprofundada, trazendo estatísticas para os senhores, porque é interessante, é um assunto de extrema relevância, porque estamos enchendo os nossos hospitais e cemitérios de jovens. Portanto, vamos voltar ao assunto.
Muito obrigado!
(SEM REVISÃO DO ORADOR)