Sessões Plenárias

Pronunciamento

Deputado Sargento Amauri Soares

120ª Sessão Ordinária - 03/12/2012

O SR. DEPUTADO SARGENTO AMAURI SOARES - Muito obrigado presidente!

Srs. deputados, sra. deputada, quem nos acompanha pela TVAL e Rádio Digital, aqui, na tarde de hoje, continuando o debate, outras coisas temos para discutir, mas essa situação é a mais aguda do estado de Santa Catarina.

Setenta e cinco por cento dos catarinenses não têm plano de saúde nem mesmo desses fajutos, a que o deputado Serafim Venzon se referiu. Portanto, dependem do Sistema Único de Saúde e dos servidores que estão em greve.

Então, fazer de conta que nada de grave está acontecendo é muito dramático. Encerrar na quinta-feira ou ainda na quarta os trabalhos legislativos e ficar em silêncio de quinta, ou de quarta, até a próxima terça-feira é um horror para a maioria da população catarinense e dos servidores da Saúde, que estão sendo, repito, reféns de uma vontade privatista, que não têm encontrado respaldo na Constituição da República e não conseguem se fazer valer onde existe servidor público.

Os servidores não querem ser uma categoria em extinção, e as organizações sociais definem isso muito claramente: servidor público, categoria em extinção. E essa resistência dos trabalhadores é que impede o governo de entregar para organizações sociais, repito, que já produziram muitas lástimas pelo Brasil afora, e aqui no estado de Santa Catarina também - parasitas do dinheiro público, a maioria deles.

Se acham que exagero quando digo que o governo não quer resolver o problema da Saúde, alguém poderia me explicar o que significa um tomógrafo novo ainda dentro da caixa, jogado nos corredores do Hospital Regional de São José, há um ano e meio?

O que significa ter que ser cancelada a cirurgia no hospital Celso Ramos, mesmo quando não tem greve, por falta de uma ampola de anestesia que custa R$1,00? Isso foi o diretor do hospital que disse, não é o deputado de oposição nem o sindicato. O diretor do hospital falou.

E o augusto Poder Judiciário decide que o sindicato tem que pagar R$ 10 mil de multa por procedimento que deixa de ser feito por causa da greve.

Quanto o Poder Judiciário vai cobrar por cada exame que esse tomógrafo deixou de fazer em um ano e meio, sendo que tem uma fila imensa de catarinenses precisando fazer uma tomografia? Sendo que nós deputados somos cobrados pela população, inclusive para ajudarmos a pagar, lá na clínica privada, por uma tomografia. Até parece que não tem necessidade de tomografia neste estado.

Por cada cirurgia deixada de ser feita por conta de uma ampola de anestesia, quanto o governo tem que pagar, quanto que o augusto Poder Judiciário cobra do governo por cada leito de hospital desativado aqui nesta grande Florianópolis há anos, um problema que se agrava a cada mês? Quanto que o governo vai ter que pagar de multa? Ou ninguém informou ao Poder Judiciário disso nem ao Ministério Público? Sim, informou! Foi encaminhada a documentação ao Ministério Público, ao sacrossanto Ministério Público, muito eficiente e rápido, também, para coagir trabalhadores.

Temos que cuidar para, na terça-feira, não cairmos no conto de que antes da quinta vamos resolver, porque quinta-feira fecham-se todas as portas e só se abrem na terça seguinte.

Tomara que aja solução e que o Coner... Aliás, se elege governador no estado de Santa Catarina para depois negociar com um tal de Coner! Por que o governador não negocia, ou o seu secretário? Está proibido de negociar, o secretário.

Pelo jeito, se continuar essa posição intransigente do governo, irá haver Natal na praça com os servidores. E tem solidariedade de outros sindicatos de servidores públicos para vocês terem um Natal sem fome também, como todos os outros. Tem solidariedade bastante dentro da classe trabalhadora.

E para aqueles que ainda estão subestimando os servidores da Saúde, se não aparecerem antes, porque aqui, em Santa Catarina, não temos visto, há 43 dias, desde o início dessa greve, no dia primeiro de janeiro, em algum lugar deste estado, o governador talvez pretenda comparecer para a posse de algum correligionário, e parece que se está esperando por esse dia para se conseguir falar com o governador num lugar público.

Muito obrigado.

(SEM REVISÃO DO ORADOR)

(Palmas das galerias)