52ª Sessão Ordinária - 21/05/2014
O SR. DEPUTADO SARGENTO AMAURI SOARES - Sr. presidente, srs. deputados, públicos que assiste esta sessão, gostaria de concordar e me somar ao pronunciamento do deputado Antônio Aguiar quando falava a respeito dos riscos dos anabolizantes e dos produtos que se vende como suplemento alimentar em lojas e academias nesta cidade e em toda Santa Catarina.
Na comissão de Saúde, presidida pelo deputado Volnei Morastoni, muito bem assessorado por uma equipe técnica, tem-se feito um debate sobre a importância dessa conscientização das escolas em todos os níveis escolares, do ensino básico ao ensino universitário. Também os profissionais da educação física, das escolas de educação em geral, dos cursos de pedagogia, os pais e mães precisam estar preocupados com essa questão, porque existe um culto ao corpo, até como uma ideologia.
Assim como ontem falávamos do culto ao automóvel, tem também o culto ao próprio corpo. E aí há atitudes de ingerir e injetar produtos que provocam um imenso mal à saúde e inclusive podem provocar a morte, mutilações e desgastes. Então, a ideia de ser bombado ou bombada, que está na cabeça dos jovens de hoje, é bastante errada. O ser humano precisa aceitar o seu corpo da forma que pode ser com a alimentação da melhor qualidade possível, sem a ingestão de nada químico ou de algo que seja antinatural ao organismo humano.
Precisamos nos conscientizar para contribuir e apelar, inclusive, em todos os espaços, nas escolas, nos centros de pedagogia, em todas as salas de aula onde existam adolescentes. Também deve ter a fiscalização, evidentemente, nas próprias academias que trabalham com essa questão.
Quero parabenizar o deputado Antônio Aguiar por ter trazido essa questão para a tribuna, que precisa ser uma preocupação cada vez maior do conjunto da sociedade.
Queria voltar a falar sobre outro culto, o culto ao carro particular, que sobrepõe todas as lógicas, todas as racionalidades, inclusive. Evidente que a sociedade humana progrediu e avançou em termos de possibilidade de transporte, de locomoção, de velocidade, mas também tem avançado por uma situação cada vez mais traumática. Nós precisamos, sim, lamentar cada óbito e cada trauma ocorrido pela loucura do trânsito nos dias de hoje. E precisamos também refletir sobre mudanças estruturais e de consciência no conjunto da sociedade.E por que não começar pelas autoridades?
Na década de 90 havia um professor da Universidade Federal, onde eu estudava, que passou a vir para universidade de bicicleta. E confesso que eu, que sequer tinha carro na época, achava estranho um professor, que tinha carro, sair da sua cidade, que ficava a 4km ou 5km de distância, e ir até a universidade, de bicicleta. Embora, politicamente, nunca tenhamos sido afinados, mas é preciso dizer que, pelo comportamento em termos de consciência social, ambiental, ele estava na vanguarda. É cada vez maior essa consciência no interior da sociedade de requerer das autoridades a construção de ciclovias, por exemplo.
O deputado Renato Hinnig fez um projeto dizendo que o governo, sempre que fizesse uma rodovia, tinha que reservar espaço para construir uma ciclovia. Já parabenizei v.exa., deputado Renato Hinnig, embora já tenha avaliado que virá do governo, do Deinfra, um parecer contrário ao projeto. Mesmo que se discuta isso na consciência, na hora da decisão administrativa, não acontece.
E volto ao debate sobre a ponte Hercílio Luz, porque há vários absurdos com relação à ponte. Primeiramente, ela está 32 anos fechada. Depois, praticamente todos os governos investiram dinheiro na recuperação, manutenção e preservação da ponte, dinheiro que possivelmente seria suficiente para construir outra ponte igual, deputado Kennedy Nunes. Eu fico horrorizado quando vejo especialista dizer que a ponte pode cair. Tecnologia de 80 anos atrás.
A Fundição Tupi, em Joinville, deputado Kennedy Nunes, com certeza vai ali mede e constrói todas as peças do mesmo tamanho, com a mesma espessura e com a liga metálica mais resistente, mais flexível quando for preciso e mais dura quando for preciso.
Isso é tecnologia! E não estou brigando com ninguém e nem criticando, sou aficionado pelo desenvolvimento tecnológico que vem para melhorar a vida das pessoas. É inadmissível que a ponte possa cair porque foi usada uma tecnologia que não se faz mais e não existe mais. Existem engenheiros e indústrias de transformação em Santa Catarina capazes de reproduzir aquela ponte tal e qual ela é, ou melhor do que ela é. E as nossas universidades, nossos engenheiros, nossas indústrias são capazes disso.
Mas se investe muito na ponte e a cada quatro anos no mês de março, ano eleitoral, o governo diz que até dezembro a ponte será aberta para transporte de veículos, o que não é verdade, porque logo em seguida é desmentida essa afirmação. De quatro em quatro anos sempre acontece dessa forma e tenho acompanhado há uns 16 anos esse discurso, mas a posição é errada.
Por que será que a ponte Hercílio Luz precisa ser recuperada para transporte de veículos, automóvel ou ônibus? Não precisa. É um erro do ponto de vista técnico, tecnológico, econômico, ambiental, social e cultural. Vai gastar mais dinheiro. A ponte Hercílio Luz precisa ser recuperada para deslocamento de pedestres e de ciclistas, no máximo, para ser uma imensa e maravilhosa passarela do estado de Santa Catarina, a única com aquelas características para revitalizar aquela região do centro.
O Parque da Luz está lá abandonado, jogado a própria sorte, e no passado queriam construir alguns prédios imensos para vender a quem tivesse dinheiro para comprar. Mas a cidade se mobilizou, impediu, e construíram o referido parque. Porém, como não queriam o parque, mas, sim, prédios, ele ficou abandonado.
Então, recuperar a ponte Hercílio Luz significa revitalizar essa região da ilha, a cabeça insular da ponte, e também a parte continental da cidade. E falam em valorizar o turismo, vivem falando disso, mas não fazem as coisas mais simples que poderiam valorizar muito o turismo e a visitação da nossa capital.
Assim, isso precisa ser refletido, a necessidade de mudar a lógica de pensamento daquelas autoridades que têm o poder e que deveriam usar os recursos e a capacidade técnica e tecnológica para o bem da cidade e da sociedade. Não quero criticar ninguém especificamente, mas precisamos renovar as consciências, não apenas nos discursos pré-eleitorais, mas agir do ponto de vista administrativo e pensar dessa forma para um progresso diferente da sociedade, com mais qualidade de vida. É absolutamente necessário que se pense desta forma.
Muito obrigado!
(SEM REVISÃO DO ORADOR)