101ª Sessão Ordinária - 18/12/2001
O SR. DEPUTADO NELSON GOETTEN - Sr. Presidente e Srs. Deputados, assomo à tribuna nesta importante discussão até porque penso que é nosso dever aqui registrar nossas considerações em relação a este assunto.
Escutava os discursos dos Colegas que nos antecederam e penso que aqui um discurso eu tenho que respeitar, que é do PT, que é o dos petistas, que é deste pessoal que alguns nem membros da Celesc são mas que estão aqui fazendo o seu movimento em defesa da empresa estatal.
É um direito. Respeito isto e acho que eles têm sua linha de discurso. Agora, vir aqui nesta tribuna, ser aplaudido pelos petistas, aqueles que produziram o desmonte do Estado de Santa Catarina, o desmonte da empresa pública catarinense, aqueles que lá em Brasília como o maior Partido nacional dão apoio dentro do Congresso a esse sistema de Governo, eu não apóio. Eles se dão ao privilégio de vir aqui nesta tribuna fazer discurso apaixonado contra a privatização, quando lá no Congresso Nacional apóiam-na. Quanto a isso, no mínimo, não posso me calar.
Assunto como este, assunto desta natureza, foram esgotadas todas as discussões, com o Sindicato dos Eletricitários, com o Sindicato da Celesc, com o Conselho da Celesc, com a sociedade organizada, com este Parlamento. E esgotadas as negociações entendeu-se que este era o caminho para salvar esta empresa pública.
(Manifestações das galerias)
É claro que temos o grito e o berro da minoria. Isto nós aprendemos a respeitar. Agora, estão se isolando num número muito pequeno porque a maioria já entendeu que esta é a alternativa, a saída. Não podemos nos transformar numa ilha. Temos que adequar as nossas empresas públicas a poder competir e sobreviver neste mercado e no novo mercado ditado pela economia mundial, pelas regras mundiais.
Esta é a realidade. A Celesc, uma empresa importante de Santa Catarina, no auge das discussões colocou realmente a importância de continuar sendo uma empresa pública.
Quero cumprimentar o Governo do Estado pela sua inteligência, pela sua responsabilidade em salvar esta empresa e mantê-la como empresa pública e por dar condições de viabilidade para ela ser competitiva e ter sobrevida no mercado.
Então, por isso tivemos que vir à tribuna: para registrar isso e olhar para aquela minoria e dizer que ela está equivocada, está na contramão da história. A realidade é outra! A realidade, realmente, é conseguirmos fazer com que a empresa pública encontre o caminho da modernidade, da agilidade e da eficiência. A empresa pública precisa ser eficiente.
E quando salvamos o Besc, levado à bancarrota por aqueles que não deixaram saudades quando administraram Santa Catarina, salvamos essa instituição como empresa catarinense; conseguimos salvar algumas centenas de milhares de empregos.
Agora, é claro que tivemos que dar a nossa cota de sacrifício, porque houve uma irresponsabilidade muito grande no comando dessa instituição de Santa Catarina, que foi usada para patrocinar ações políticas e investimentos de alguns. Investir naquele que não deu sequer as garantias necessárias é que levou essa empresa à bancarrota. E até o PT e o Deputado Ronaldo Benedet, do PMDB, estiveram em Brasília com o Presidente do Banco Central e lá escutaram: ou aceita a federalização ou morre a empresa! Ou federaliza ou morre!
(Manifestações das galerias)
E Esperidião Amin conseguiu salvar essa instituição, salvar alguns milhares de empregos. Assim é que se respeita a sociedade: encarando os problemas com realidade!
Agora, aqueles que ontem traíram a sociedade catarinense, aqueles que até ontem a envergonharam e apresentaram projetos nesta Casa para privatizar a Casan e a empresa pública, aqueles que colocaram até a própria empresa de habitação catarinense à venda, não têm moral para vir a esta tribuna fazer discurso. E não podemos nos calar e escutar essas bobagens!
(Manifestações das galerias)
Por isso vimos à tribuna para fazer este registro e dizer que temos responsabilidade para com a empresa pública catarinense, principalmente, e com a Celesc e com todos os servidores daquela importante empresa.
Muito obrigado!
(SEM REVISÃO DO ORADOR)