73ª Sessão Ordinária - 05/08/1999
O SR. DEPUTADO FRANCISCO DE ASSIS - Sr. Presidente e Srs. Deputados, lendo as manchetes dos jornais de hoje e assistindo aos telejornais no dia de ontem, ficamos sabendo de mais um aumento do combustível neste País. Já é o quinto aumento deste ano, são mais de 50% de reajustes na gasolina.
E o País, a cada dia que passa, vai mais para o buraco, mais pessoas estão desempregadas e mais assassinatos e roubos estão ocorrendo. É o caos estabelecido no nosso País, fruto de uma política que condenamos, uma política de exclusão e que leva a sociedade à margem, deixando milhares e milhares de brasileiros excluídos de uma vida com dignidade.
Diante desse quadro, de um Governo submisso aos interesses internacionais, de um Governo submisso às questões econômicas impostas pelo FMI, a reação do povo brasileiro, mesmo que tardia, começa a aparecer. E no dia 26 deste mês, na marcha dos cem mil brasileiros à Capital Federal, queremos dar uma demonstração ao povo brasileiro (e com certeza essa marcha vai demonstrar isso) da indignação de uma sociedade, de um País e de um povo que não agüentam mais tanta pressão e exclusão social.
Quando ouço os colegas Deputados desta tribuna, mesmo de Partidos que dão sustentação a esta política, a este Governo, indignados com a situação, vejo que toda a sociedade, independente de Partidos e de forças políticas, não agüenta mais tanta pressão.
O que nós, Deputados, estamos fazendo de concreto para mudar esse quadro angustiante, terrível, que assola o nosso País?! Aqui, em Santa Catarina, o que nós, Deputados, responsáveis, eleitos pelo povo, vamos fazer na questão da privatização do Besc ou na federalização?!
Responsabilidade, para este Deputado, não é aceitar pura e simplesmente que o nosso Banco tenha como única alternativa a federalização, achando que com isso estaremos tomando uma posição em defesa dos trabalhadores para não deixar milhares e milhares de trabalhadores desempregados e/ou que ocorra o fechamento das agências em Santa Catarina.
A posição de quem defende isto é, na verdade, uma forma de se livrar do problema, porque existe saída. Não acredito que o Banco de Santa Catarina possa ser liquidado e desafio o Governador, o Banco Central e quem quer que seja, porque ninguém vai ter coragem de fechar o nosso Banco!
Portanto, o discurso de que a federalização é a única alternativa nada mais é do que uma pressão psicológica a fim de colocar na cabeça da população que ela não tem outra alternativa. Mas existe, sim, senhores! Se nós nos unirmos, se nós tivermos força e unidade nesta Casa, iremos impedir que o Governo de Santa Catarina, submisso que é ao Fernando Henrique, submisso que é à política de Fernando Henrique, acabe com o nosso Banco.
Irresponsabilidade para este Deputado é tomar essa posição da federalização. Uma posição que, com certeza, vai tirar o emprego de muitos besquianos, vai fechar muitas agências em Santa Catarina, e toda a responsabilidade que o Banco tem com as questões sociais do nosso Estado vai deixar de existir.
Então esta Casa, até a votação da emenda constitucional, os Parlamentares de todos os Partidos, principalmente aqueles que assinaram um compromisso com o Besc em defesa do Besc público, terá ainda mais uma responsabilidade de convencimento de seus Pares para evitarmos que o Banco de Santa Catarina venha a fechar ou venha a ser privatizado, porque não acredito na liquidação por si só.
Quero deixar isso registrado como um desafio, porque não acredito, realmente, que alguém vai ter coragem de fechar o nosso Banco.
O Governo Federal deu muito dinheiro - nós temos os dados - aos bancos privados, recentemente. E diz que não tem 800 milhões para sanar a dívida do Besc!
Então, na verdade, o que está em jogo é uma política desenfreada de privatizar tudo que é público: primeiro sanar, deixar redondo, bonito e depois entregar à iniciativa privada.
Nós vamos concordar com isso? Acho que aí está a nossa responsabilidade de dizer não e de desafiar o Governo de Santa Catarina, desafiar o Banco Central e desafiar o FMI.
Muito Obrigado!
(SEM REVISÃO DO ORADOR)